Ações da Petrobras (PETR3; PETR4) caem 10% após vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro


As ações da Petrobras caíam na manhã desta segunda-feira (26), após Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencer Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo (25). Às 11h03, no horário de Brasília, os papéis ordinários recuavam 8,75%, a R$ 59,53, e os preferenciais tinham baixa de 10,31%, a R$ 52,64.

O movimento ocorria depois de uma sequência de fortes ganhos em 2026. Até o fechamento da sessão de 23 de outubro, as ações da companhia acumulavam valorização superior a 100% no ano. A queda desta segunda-feira reduzia parte desse avanço, mas os dados disponíveis não indicavam quanto do ganho acumulado permanecia após o recuo.

Ações vinham de forte valorização

Em outubro, a Petrobras registrou a maior alta entre 19 empresas do setor de petróleo com valor de mercado acima de US$ 50 bilhões. Até a última sessão antes da eleição, a companhia também era a empresa não americana com melhor desempenho no ano entre as companhias consideradas na comparação.

Os números mostram a dimensão da mudança no pregão após o resultado eleitoral: as duas classes de ações apresentavam perdas superiores a 8% por volta das 11h. PETR3 identifica os papéis ordinários da Petrobras, enquanto PETR4 corresponde às ações preferenciais. Naquele horário, a baixa dos preferenciais era maior que a dos ordinários, diferença de 1,56 ponto percentual.

A fonte dos dados não atribuiu a queda a um fator específico além de registrar que ela ocorreu após a eleição. Por isso, o recuo observado no pregão e a alteração na avaliação do Bradesco BBI são informações relacionadas ao mesmo período, mas não indicam, por si só, uma explicação completa para a oscilação das ações.

Bradesco BBI reduz preço-alvo

Depois do resultado eleitoral, o Bradesco BBI cortou de R$ 62 para R$ 55 o preço-alvo das ações preferenciais da Petrobras para o fim de 2027. O preço-alvo é uma estimativa do valor que os analistas projetam para o papel em determinado horizonte. A nova referência ficou R$ 7 abaixo da anterior.

O banco elevou de 8% para 10% o retorno em dividendos exigido em sua avaliação. Esse parâmetro representa o retorno que os analistas passam a requerer dos dividendos da ação. Apesar da revisão, o Bradesco BBI não alterou suas estimativas operacionais para a companhia, ou seja, manteve as projeções relacionadas ao desempenho de suas atividades.

A recomendação também permaneceu inalterada em outperform, classificação que indica expectativa de desempenho acima da média do mercado e equivale a uma recomendação de compra. Assim, o corte no preço-alvo não veio acompanhado, segundo as informações divulgadas, de uma mudança na avaliação operacional ou na recomendação para os papéis.

Analistas mantêm visão positiva

Os analistas do Bradesco BBI disseram manter uma avaliação positiva da Petrobras, citando o desempenho operacional, a produção acima das expectativas e a possibilidade de margens de refino mais altas em 2027. Na avaliação da equipe, esses fatores podem sustentar novas revisões de resultados da empresa.

Ao mesmo tempo, o banco afirmou que segue cauteloso em relação ao aumento da exposição a produtoras concentradas na extração de petróleo. A justificativa apresentada foi que os preços do Brent, referência internacional para o petróleo, estavam próximos das máximas do ciclo e eram impulsionados por fatores geopolíticos.

“Mantemos também uma visão positiva para a Petrobras, apoiada pelo bom desempenho operacional, pela produção acima das expectativas e pela possibilidade de spreads de refino mais elevados em 2027 sustentarem novas revisões de resultados. Ainda assim, seguimos cautelosos com o aumento de exposição a produtoras puras de petróleo, uma vez que os preços do Brent estão próximos das máximas do ciclo, impulsionados por fatores geopolíticos”, concluíram os analistas.

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