O Ibovespa caiu 1,15% nesta quinta-feira (22), aos 204.120,12 pontos, em uma sessão marcada pela menor disposição dos investidores para assumir riscos às vésperas do segundo turno presidencial. O índice perdeu 2.375,11 pontos, pressionado por ações da Vale e de grandes bancos, além da piora do cenário externo.
Foi a segunda queda consecutiva da Bolsa brasileira. Desde o fechamento de terça-feira, o índice acumula recuo superior a 4 mil pontos. A eleição entre Lula e Flávio Bolsonaro está marcada para domingo (25), e pesquisas recentes indicam uma disputa apertada.
Eleição e cenário externo pesam
A pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (21) apontou diferença de apenas um ponto percentual entre os candidatos. Nesta quinta, investidores também acompanharam a expectativa pela divulgação de uma pesquisa Datafolha. O debate presidencial previsto para sexta-feira (23), na TV Globo, entrou no radar do mercado.
A cautela não se limitou às incertezas políticas no Brasil. Em Nova York, empresas de tecnologia voltaram a ser pressionadas por dúvidas sobre os custos elevados dos investimentos em inteligência artificial (IA). A Meta, controladora do Instagram, esteve entre os destaques negativos depois de divulgar gastos expressivos para ampliar suas operações nessa área.
O aumento dos aportes em IA também alimentou questionamentos sobre a capacidade das grandes empresas de tecnologia de transformar esses desembolsos em geração de caixa. Ao mesmo tempo, o petróleo voltou a subir em meio às tensões no Oriente Médio, reacendendo preocupações com a inflação global e com os juros nos Estados Unidos.
Wall Street terminou o pregão sem direção única. O Dow Jones resistiu melhor à pressão, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq foram afetados pelo desempenho das ações de tecnologia. No Brasil, a combinação entre a incerteza eleitoral e o ambiente internacional desfavorável limitou as tentativas de recuperação do Ibovespa.
Vale e bancos lideram perdas
A Vale (VALE3) recuou 3,97% e ampliou para quase 12% a queda acumulada em outubro. A mineradora pressionou o índice em uma sessão de fraqueza das ações ligadas ao minério de ferro. A Gerdau (GGBR4) também teve baixa expressiva, de 3,92%.
As ações dos grandes bancos acompanharam o movimento de queda. O Bradesco (BBDC4) perdeu 2,08% antes da divulgação do balanço do terceiro trimestre. O Itaú (ITUB4) recuou 1,84%, o Santander (SANB11) caiu 1,35% e o Banco do Brasil (BBAS3) cedeu 0,75%.
No varejo, o Magazine Luiza (MGLU3) caiu 1,99%, devolvendo parte dos ganhos registrados ao longo do mês. A Motiva (MOTV3) recuou 1,81% após revisão de recomendação por analistas. Já a Ânima (ANIM3) avançou 1,40%, recuperando uma parcela das perdas recentes.
Entre as ações de maior peso, a Petrobras (PETR4) fechou em alta de 0,14%, acompanhando parcialmente a valorização do petróleo no mercado internacional. A Ambev (ABEV3) também subiu, com ganho de 1,26%.
Dólar sobe e juros futuros avançam
O dólar comercial encerrou o dia em alta de 0,22%, cotado a R$ 5,038. Foi o segundo avanço consecutivo da moeda diante do real. A procura por proteção cambial aumentou com a proximidade da eleição e a deterioração do ambiente externo.
Os juros futuros também subiram ao longo de toda a curva. Essas taxas negociadas para prazos à frente refletem as expectativas dos investidores sobre os juros. O movimento sinalizou maior cautela no mercado durante a sessão.
IPCA-15 e último pregão antes do segundo turno
A sexta-feira (23) será o último pregão antes da votação e terá a divulgação do IPCA-15 de outubro. O debate entre os candidatos, previsto para a noite, também será acompanhado pelos investidores e poderá influenciar as expectativas para a abertura do mercado na semana seguinte.
Na referência informada para o pregão de quarta-feira (21), o Ibovespa havia fechado em 206.495,23 pontos, com queda de 0,86%. Na sessão seguinte, o índice recuou para 204.120,12 pontos, em meio à pressão sobre as ações de mineradoras e bancos e à busca por proteção diante das incertezas políticas e externas.

