Petróleo sobe 2% com suspensão de exportações pela China


Os preços do petróleo subiram cerca de 2% nesta quinta-feira (1º), após a China suspender as exportações de derivados para destinos fora de Hong Kong e Macau, em meio à oferta global restrita de combustíveis. Investidores também acompanham as iniciativas diplomáticas para encerrar o conflito entre os Estados Unidos e o Irã, que pode afetar as perspectivas para o mercado de energia.

Brent supera US$ 100

O contrato futuro do petróleo Brent com vencimento em dezembro era negociado a US$ 100,09 por barril, alta de 2,1%, ou US$ 2,06, em relação ao fechamento da quarta-feira. O contrato de novembro, que expirou nesse dia, terminou a US$ 103,50 por barril. No mês de setembro, o contrato com vencimento mais próximo acumulou valorização de cerca de 14%.

O West Texas Intermediate (WTI), referência do petróleo nos Estados Unidos, avançava US$ 2,06, ou 2,28%, para US$ 92,48 por barril. Os preços oscilaram durante o pregão: chegaram a cair mais de 1% no início da sessão e depois se recuperaram.

Os contratos futuros representam acordos de compra e venda de uma mercadoria em uma data posterior. Como o contrato de novembro do Brent venceu na quarta-feira, a cotação informada para quinta-feira se refere ao contrato seguinte, com entrega prevista para dezembro. A diferença entre os valores dos contratos não indica, por si só, uma mudança equivalente no preço do petróleo físico negociado naquele momento.

China restringe derivados

Refinarias chinesas interromperam, até segunda ordem, as exportações de derivados de petróleo para destinos além de Hong Kong e Macau, segundo especialistas a par do assunto. A medida reduz a disponibilidade de produtos chineses no mercado internacional e pode apertar ainda mais a oferta de combustíveis, já limitada pelas consequências da guerra.

Derivados são produtos obtidos no refino do petróleo, como diesel. A restrição chinesa ocorre em um cenário de escassez global e pode aumentar a pressão sobre os preços dos combustíveis. Para consumidores, uma oferta mais limitada pode dificultar a queda dos preços; para governos, o quadro amplia o desafio de proteger a população de custos mais altos.

O analista do UBS Giovanni Staunovo afirmou que a proibição indica preocupação com a disponibilidade de produtos no mercado interno chinês. Ele disse que ainda não está claro se a decisão levará a um aumento nas importações chinesas de petróleo bruto, matéria-prima usada nas refinarias. A dúvida surge após reduções recentes nos estoques chineses de petróleo bruto e combustíveis.

Diesel sob pressão

A oferta global de diesel também ficou mais restrita devido à redução da capacidade de refino. Segundo a notícia, ataques relacionados às guerras no Oriente Médio e na Ucrânia contribuíram para essa queda. Com menos capacidade para transformar petróleo em combustíveis, a disponibilidade de diesel diminui e cresce a pressão para que governos adotem medidas de proteção aos consumidores.

Nesse contexto, o governo Trump instruiu Alemanha e França a recorrerem a estoques de emergência de diesel para ajudar a conter os preços globais dos combustíveis. Caso não utilizem essas reservas, os dois países poderiam enfrentar uma possível proibição de exportação de diesel pelos Estados Unidos, de acordo com fontes próximas às discussões.

A restrição chinesa e a pressão dos Estados Unidos sobre aliados europeus mostram como a oferta de derivados se tornou um ponto sensível para o mercado. Enquanto os investidores avaliam essas medidas e os desdobramentos diplomáticos entre Washington e Teerã, a cotação do petróleo continua sujeita a oscilações ligadas tanto à disponibilidade de combustíveis quanto às expectativas sobre o conflito.

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