Desvendando a Gestão do Agronegócio: Como a Complexidade e a Abrangência Transformam o Setor


O Aumento da Complexidade e da Abrangência da Gestão do Agronegócio

Zbynek Posil/Getty Images

Produtora rural no meio da lavoura

Os desafios enfrentados pelos produtores rurais brasileiros estão em constante crescimento, tanto no cenário nacional quanto global. É imprescindível que adotemos uma postura proativa e estratégica, tanto dentro quanto fora da porteira, para mitigarmos os impactos negativos e promover a resiliência em nossos empreendimentos.

Aspectos como gestão de produção, administração de pessoas, estratégias de comunicação e marketing, além de interferências de políticas públicas e mudanças climáticas, estão se tornando cada vez mais complexos. A agenda global ASG (ambiental, social e de governança) adiciona novos elementos a essa equação, inclusive de ordem geopolítica.

Recentemente, abordei esses temas no Milk Pro Summit Brazil 2025. O setor de produção de leite, em particular, está em uma situação extremamente desafiadora, com pressões tanto internas quanto externas que afetam especialmente os pequenos produtores. Com um excesso de oferta e a consequente queda nas cotações, como podemos e devemos agir para avançar?

Para entender essa realidade, sugiro dividir os desafios do setor em **eixos verticais e horizontais** que abrangem tanto aspectos estratégicos quanto operacionais e estruturantes.

Desafios Estratégicos do Agronegócio

Nos eixos verticais, que envolvem aspectos estratégicos e operacionais, encontramos questões como políticas públicas e a geopolítica global. Questões como segurança alimentar e energética, mudanças climáticas e desigualdade social estão em pauta, alterando o ambiente de negócios e exigindo dos produtores uma constante atualização e atenção.

Gestão Eficiente da Produção e Controle de Custos

No plano operacional, a gestão da produção deve ser capaz de manter um rigoroso controle de custos, ao mesmo tempo que avança em práticas sustentáveis. Isso é crucial diante das variáveis climáticas e das oscilações nos preços internacionais. Algumas práticas que podem ser adotadas incluem:

  • Utilização de bioinsumos;
  • Transformação de resíduos orgânicos em energia, como metano;

Essas ações não apenas agregam valor ao negócio, mas também se alinham à crescente demanda por sustentabilidade.

A tecnologia e a inovação são fundamentais para a competitividade no agronegócio. Investimentos contínuos em maquinário, equipamentos e capacitação não podem ser vistos como uma opção, mas sim como uma necessidade. Para aumentar os mercados e a rentabilidade, é preciso repensar as estratégias de comercialização e marketing e adotar uma postura mais ativa.

Olhos Voltados para o Cenário Macroeconômico e Geopolítico

Os eixos horizontais abordam questões estruturantes que demandam um monitoramento constante. Acesso a informações sobre mercado e tendências macroeconômicas são essenciais para decisões estratégicas. É fundamental que o produtor rural amplie sua visão, conectando-se com as expectativas do mercado e dos consumidores.

Outro aspecto importante é o que estamos chamando de apagão de mão de obra. A gestão de pessoas se torna crucial para a qualificação técnica dos colaboradores. Atuar na retenção de talentos, oferecendo benefícios que abrangem educação, saúde e moradia, é parte das estratégias necessárias na atualidade.

A evolução tecnológica no Brasil, ao longo das últimas décadas, tem elevado tanto a produtividade quanto a sustentabilidade na produção rural. O país se destaca como um líder global em exportação de produtos, referência em segurança alimentar e no enfrentamento de desigualdades e desafios climáticos.

Rumo à Sustentabilidade

A sustentabilidade e a eficiência energética se firmam como diferenciais competitivos essenciais. No Brasil, investimentos em biogás, energia solar e agricultura regenerativa mostram um compromisso com práticas que respeitam o meio ambiente e promovem a resiliência do setor.

Essas iniciativas não apenas mitigam impactos ambientais, como também posicionam o Brasil estrategicamente no cenário global. Não podemos perder a oportunidade de abrir novos mercados e diversificar a pauta de exportação, além de agregar valor a produtos tradicionalmente vistos como comodidades e atrair investimentos internacionais.

Contudo, é desafiador avançar de forma isolada. Acredito que o associativismo e a articulação coletiva são cruciais para fortalecer a voz do produtor rural nas decisões políticas e econômicas.

Adaptação e Visão Ampliada no Agronegócio

O produtor rural contemporâneo precisa ser mais do que um simples executor: deve ser um gestor, inovador, estrategista e, acima de tudo, resiliente em um cenário que requer constante adaptação. Essa transformação é essencial para garantir a relevância e a prosperidade do agronegócio brasileiro em um mercado cada vez mais dinâmico e complexo.

*Maria Antonieta Guazzelli é produtora rural e gestora de fazendas de leite, café, cereais e florestas. Ela atualmente preside o Núcleo Feminino do Agronegócio (NFA) e integra conselhos de instituições importantes como a Fiesp e Embrapa Gado de Leite. Com vasto conhecimento após 30 anos no setor financeiro, Maria possui formação em TI, marketing e gestão de agronegócios.

As opiniões expressas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem a posição da Forbes Brasil e de seus editores.

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