Petróleo recua quase 2% com avanço das negociações no Oriente Médio


Os contratos futuros do petróleo caíram quase US$ 2 por barril nesta terça-feira, enquanto operadores acompanhavam as negociações diplomáticas no Oriente Médio. A redução das cotações ocorreu em meio a novos ataques dos houthis à Arábia Saudita e a preocupações com a possibilidade de confrontos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, fatores que mantiveram os preços perto do maior nível em seis meses.

O Brent, referência internacional, fechou a US$ 113,88 por barril, recuo de US$ 1,93, ou 1,8%. O West Texas Intermediate (WTI), referência dos Estados Unidos, terminou o pregão a US$ 99,90, queda de US$ 1,86, ou 1,83%.

Diplomacia e ataques mantêm riscos

As conversas entre países da região alimentaram a expectativa de redução das tensões. O chefe do Conselho de Segurança do Irã, Mohsen Rezaei, reuniu-se nesta terça-feira com o líder supremo iraniano, o aiatolá Mojtaba Khamenei. No dia anterior, Rezaei havia conversado com representantes da Arábia Saudita, da Turquia e do Paquistão.

Segundo a mídia estatal iraniana, os quatro países concordaram em dar continuidade às negociações para fortalecer a cooperação em favor da paz e da segurança. O avanço diplomático, porém, foi ofuscado por novos ataques dos houthis do Iêmen, grupo alinhado ao Irã, contra a Arábia Saudita, uma importante produtora de petróleo.

Os houthis afirmaram nesta terça-feira que atingiram com um míssil balístico a refinaria de Ras Tanura, a maior do reino saudita. Analistas da Gelber & Associates disseram, em nota, que os ataques e a crescente presença militar no Golfo continuam a representar riscos para o abastecimento. Na avaliação da empresa, as notícias sobre negociações diplomáticas podem reduzir parte do prêmio de risco incorporado aos preços, mas não eliminam a ameaça de interrupções.

Estreito de Ormuz preocupa mercado

A segurança da navegação também está no centro das preocupações. Outubro foi o pior mês em número de ataques à navegação comercial no Estreito de Ormuz e em vias próximas, segundo dados compilados por um centro de estudos sediado em Washington, que acompanha incidentes de segurança marítima desde 2017.

O tráfego pelo estreito aumentou, mas os ataques a embarcações também cresceram. O UBS afirmou que os riscos podem se agravar caso o apoio naval dos Estados Unidos diminua. A passagem é relevante para o transporte de petróleo, e a instabilidade na região tem contribuído para manter as cotações elevadas, apesar da queda registrada no pregão.

Na semana anterior, o Brent superou US$ 117 por barril, seu maior patamar desde abril, após uma onda de ataques iranianos a petroleiros na região do Estreito de Ormuz. Na segunda-feira, a cotação também chegou a US$ 117, segundo os dados divulgados.

O UBS passou a projetar que o Brent permanecerá perto de US$ 110 por barril até o fim do ano. A previsão anterior do banco suíço era de US$ 100. A revisão reflete a volatilidade do abastecimento no Oriente Médio e a incerteza geopolítica.

Queda não deve chegar logo aos postos

O recuo dos contratos futuros não deve resultar imediatamente em combustível mais barato para os consumidores. Os preços nos postos também dependem dos custos de refino e transporte, além das condições do mercado de derivados, como o diesel.

Phil Flynn, analista sênior do Price Futures Group, afirmou que o petróleo pode perder valor sem produzir alívio imediato nos postos ou no mercado atacadista enquanto a capacidade de refino e os custos de transporte permanecerem elevados. Ele também citou os riscos no Oriente Médio e a demanda por exportações de diesel como fatores que continuam influenciando os preços.

Os operadores aguardavam os dados semanais do Instituto Americano de Petróleo (API, na sigla em inglês) e o relatório da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (AIE). Segundo Flynn, os números ajudariam a avaliar se a oferta de derivados começa a ficar menos restrita ou se as limitações estruturais continuam prevalecendo.

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