
Alireza Firouzi_Getty
O Impacto das Mudanças Climáticas no Irã
O Irã se encontra em um momento crítico, lidando com uma série de desafios ambientais intensificados pela mudança do clima. Dentre as questões mais urgentes, destacam-se a escassez de água, enchentes, ondas de calor e incêndios florestais. Enquanto a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) chegava ao fim em Belém, a situação do país permanecia alarmante.
Desafios Ambientais em Expansão
Com a escolha da Turquia para sediar a próxima conferência da ONU sobre mudança climática (COP31), os problemas do Irã em relação ao clima não apenas persistem, mas se agravam. A vice-presidente do Irã, Shina Ansari, liderou a delegação iraniana em Belém, onde se encontrou com representantes turcos.
A escassez de água é uma das questões mais críticas. Muitas províncias enfrentam cortes periódicos de fornecimento, com reservatórios que sustentam grandes cidades, como Teerã e Mashhad, praticamente secos. Anos consecutivos de seca e as menores taxas de precipitação já registradas forçaram as autoridades a adotar o semeio de nuvens como estratégia para tentar aumentar a pluviometria.
A Efeito do Recuo do Solo
Esta extração excessiva de água subterrânea traz um efeito colateral sério: o colapso do solo. Quando isso acontece, o solo se compacta e perde a capacidade de absorver a chuva, resultando em um aumento do escoamento superficial e, consequentemente, um risco crescente de enchentes. Esse fenômeno foi observado recentemente em várias províncias do oeste do país.
- Escassez de água: cortes e racionamento generalizados.
- Iniciativas de semeio de nuvens em resposta à precipitação mínima.
- Incêndios florestais em Mazandaran devido a calor extremo e vegetação seca.
Temperaturas Extremas e Efeitos no Solo
Durante o verão, as temperaturas nas regiões meridionais, como Khuzestão e Bushehr, ultrapassaram 50 graus Celsius, consolidando essas áreas como algumas das mais quentes do planeta. Por outro lado, em cidades como Teerã, Isfahan e Shiraz, o fenômeno do recalque do solo está causando sérios danos a infraestruturas e edifícios.
No lendário Deserto de Lut, localizado na parte leste do Irã, foi registrada a temperatura mais alta já documentada na Terra: 70,7ºC, conforme revelado pela NASA. Essa região é marcada não apenas pelo calor extremo, mas também pela baixa umidade, criando um ambiente inóspito.
A Gestão Ineficiente e Seus Resultados
Os desafios ambientais enfrentados pelo Irã são o resultado de décadas de gestão equivocada e ineficiência no setor agrícola, juntamente com um modelo de desenvolvimento que se mostra insustentável. A mudança climática apenas exacerba esses problemas, cujas consequências se estendem para além das fronteiras do país, afetando toda a região do Oriente Médio.
Reconhecimento Internacional
Na COP30, Ansari fez um discurso no qual reconheceu os perigos que o Irã enfrenta, ressaltando que o país está aquecendo em uma taxa quase duas vezes mais rápida que a média global. As projeções indicam um aumento de aproximadamente 2,6 graus Celsius até 2030, o que tornaria as secas e as ondas de calor ainda mais intensas.
- Irã aquecendo quase o dobro da média global.
- Previsão de aumento de 2,6°C até 2030.
- Ações para reduzir emissões de gases de efeito estufa, com foco em energia solar e renováveis.
Sanções e Desafios Internos
Em suas declarações na conferência, a vice-presidente citou as sanções dos Estados Unidos e da Europa, que, segundo ela, limitam a capacidade do Irã de acessar tecnologia moderna e investimentos necessários para melhorar sua situação ambiental. A tensão com o Ocidente, motivada por questões como programas nucleares, se torna um obstáculo importante no caminho para uma gestão eficiente das mudanças climáticas.
Ansari também mencionou a recente guerra de 12 dias com Israel, indicando que os ataques aos locais nucleares iranianos resultaram em danos ambientais significativos e um aumento nas emissões de carbono, especialmente em Teerã, que foi um alvo constante durante os bombardeios.
Custos e Críticas à Delegação
A participação da comitiva iraniana na COP30 gerou debates internos, com críticos questionando os custos e alegando que a delegação extrapolou o orçamento. No entanto, Ansari apresentou explicações sobre os gastos e rejeitou as acusações, insistindo na importância da presença do Irã nas discussões internacionais sobre o clima.
Historicamente, o Irã apresenta um padrão repetitivo de justificar sua baixa atuação nas conferências climáticas com a falta de recursos tecnológicos e financeiros, devido às sanções. Nas edições anteriores, como a COP27 no Egito e a COP26 no Reino Unido, essas limitações foram frequentemente citadas como um entrave ao progresso em políticas de mudança climática.
Direção Futuro
Segundo o Climate Change Performance Index, o Irã ocupa uma posição preocupante, sendo um dos três países com pior desempenho na luta contra o aquecimento global, logo após os Estados Unidos e à frente apenas da Arábia Saudita. O país está entre os dez maiores emissores de carbono do planeta e é um dos poucos que, apesar de ter assinado o Acordo de Paris, ainda não o ratificou.
Embora em 2015 tenha se comprometido a reduzir suas emissões, até agora o Irã não apresentou um plano consistente e detalhado sobre como pretende contribuir para o combate às mudanças climáticas.
Assim, a missão do Irã em proteger seu ambiente e buscar soluções sustentáveis seguirá sendo um desafio complexo, demandando tanto esforços internos quanto colaboração internacional. O futuro do país, assim como o impacto de suas ações, não afetam apenas sua própria população, mas reverberam em toda a região e além. E você, como vê a situação do Irã diante das mudanças climáticas? Compartilhe suas opiniões e reflexões.




