A Klabin registrou lucro líquido de R$ 393 milhões no terceiro trimestre de 2026, uma queda de 18% em relação ao mesmo período de 2025. Entre julho e setembro, o Ebitda ajustado somou R$ 1,856 bilhão, recuo de 12%, enquanto a receita líquida avançou 3%, para R$ 5,566 bilhões. A companhia atribuiu a pressão sobre o resultado operacional à valorização do real frente ao dólar, à inflação de custos e a fatores ligados ao cenário geopolítico e ao El Niño.
Receita cresce, mas lucro e Ebitda recuam
Os números mostram movimentos diferentes entre as principais linhas do balanço. A receita líquida aumentou na comparação anual, mas o lucro líquido e o Ebitda ajustado diminuíram. O resultado financeiro também foi negativo: ficou em R$ 337 milhões no terceiro trimestre, ante R$ 670 milhões negativos no mesmo intervalo de 2025.
Em seu relatório, a Klabin relacionou o desempenho do Ebitda ao contexto econômico e a medidas adotadas para mitigar os efeitos do fenômeno El Niño. A empresa afirmou que enfrentou apreciação do real diante do dólar e pressões inflacionárias sobre os custos, em meio ao cenário geopolítico global. Segundo a companhia, apesar dessas condições, houve resiliência operacional e adaptação às diferentes dinâmicas de mercado.
A administração também destacou a parada programada para manutenção da unidade de Otacílio Costa. De acordo com o balanço, a estabilidade operacional dos ativos e o avanço do ramp-up da MP28 ajudaram a manter os volumes totais de vendas estáveis em relação ao terceiro trimestre do ano anterior. Ramp-up é o processo de avanço da operação de uma unidade ou equipamento até sua capacidade de produção.
Na avaliação da empresa, a combinação entre estabilidade dos ativos e avanço da MP28 demonstrou a flexibilidade de seu modelo de negócio integrado. A companhia não informou, no trecho divulgado, um crescimento ou uma queda nos volumes vendidos: indicou que o total permaneceu estável na comparação anual.
Endividamento líquido fica em R$ 23,977 bilhões
A dívida líquida da Klabin somava R$ 23,977 bilhões ao fim de setembro. O montante ficou 8% abaixo do registrado em igual período de 2025 e permaneceu estável frente ao trimestre imediatamente anterior. Assim, o balanço aponta redução anual do endividamento líquido, sem variação na comparação trimestral.
O resultado financeiro negativo foi menor do que o observado um ano antes. A diferença entre os valores informados para os dois trimestres é de R$ 333 milhões. O dado aparece junto à redução do lucro líquido, mas a companhia não detalhou, no conteúdo divulgado, os fatores específicos que explicam o resultado financeiro.
Investimentos avançam em 2026
Entre julho e setembro, os investimentos totalizaram R$ 754 milhões, alta de 36% sobre o mesmo período de 2025. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, a empresa aplicou R$ 2,250 bilhões nas operações, valor 24% superior ao registrado de janeiro a setembro do ano anterior.
Do total investido até setembro, R$ 846 milhões foram destinados majoritariamente à silvicultura, atividade ligada ao cultivo de florestas. O montante aumentou 32% em relação ao mesmo período de 2025, em razão do crescimento do volume de plantio, segundo a companhia.
Outros R$ 827 milhões foram aplicados na continuidade operacional das fábricas, alta de 30% na comparação anual. Os projetos especiais receberam R$ 66 milhões, queda de 64%. A Klabin atribuiu essa redução aos investimentos maiores no Projeto Figueira ao longo de 2025. A empresa informou ainda ter investido R$ 511 milhões na modernização da caldeira de recuperação da unidade de Monte Alegre.
Os dados de investimento indicam aumento dos desembolsos tanto no trimestre quanto no acumulado do ano. A companhia também reportou queda anual da dívida líquida e estabilidade na comparação com o trimestre anterior, enquanto o lucro e o Ebitda ajustado recuaram frente ao terceiro trimestre de 2025.

