Os preços do petróleo fecharam em alta nesta quarta-feira, 28 de outubro, com o mercado reagindo a novos riscos de interrupção no abastecimento no Oriente Médio. Os combates no Iêmen, a notícia de um ataque a uma refinaria saudita e a possibilidade de os Estados Unidos retomarem ações militares contra o Irã após as eleições de meio de mandato alimentaram a preocupação com a oferta.
O contrato futuro do Brent, referência internacional, avançou US$ 1,44, ou 1%, e encerrou o pregão a US$ 115,32 por barril. O petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subiu US$ 2,88, ou 3%, para US$ 102,78 por barril. Com a alta, o Brent voltou à chamada zona de sobrecompra pela quarta vez em cinco dias, indicação técnica de que o preço subiu rapidamente em relação a seu movimento recente.
Combates elevam temor sobre a oferta
As preocupações se intensificaram após os houthis, grupo alinhado ao Irã, atacarem o aeroporto de Aden nesta quarta-feira, segundo as forças governamentais do Iêmen. Antes do ataque, os houthis haviam alertado a população para deixar as instalações, enquanto os combates se agravavam no país, que participa do conflito mais amplo no Oriente Médio.
Na terça-feira, o grupo afirmou ter atingido com um míssil a maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita. O governo saudita não confirmou imediatamente o ataque. A instalação tem capacidade para processar 550 mil barris por dia. A Arábia Saudita é o segundo maior produtor mundial de petróleo, atrás dos Estados Unidos, segundo as informações citadas no mercado.
O possível dano à refinaria e a ampliação das hostilidades foram interpretados pelos investidores como riscos adicionais à disponibilidade de petróleo no curto prazo. A alta do WTI foi maior, em termos percentuais, do que a do Brent: 3%, ante 1%. Em valores, o avanço do WTI também superou o do Brent, com ganhos de US$ 2,88 e US$ 1,44 por barril, respectivamente.
Mercado acompanha possibilidade de ação dos EUA
Outra fonte de apreensão é a perspectiva de que Washington retome operações militares contra o Irã. Nas últimas semanas, analistas disseram que novos ataques dos Estados Unidos poderiam ocorrer depois das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. A avaliação de que uma eventual ação poderia ser mais intensa do que operações anteriores também contribuiu para a percepção de risco.
“Os futuros do petróleo mais uma vez estão precificando uma redução na oferta no curto prazo, diante das notícias de que os EUA provavelmente retomarão as operações militares em breve, o que poderia ser mais intenso do que no passado, considerando os últimos ataques à Arábia Saudita e a outros aliados do Oriente Médio”, afirmou Dennis Kissler, vice-presidente sênior de operações da BOK Financial, em nota.
A declaração descreve a reação dos contratos futuros às notícias: os preços incorporam a expectativa de que os acontecimentos possam reduzir a oferta disponível no curto prazo. A possibilidade de uma nova ação dos Estados Unidos ainda era uma previsão de analistas, não um anúncio de que uma operação militar havia sido decidida.
Negociações diplomáticas seguem sem acordo
Em paralelo à escalada militar, mediadores do Catar apresentaram ao Irã uma nova proposta para encerrar a guerra com os Estados Unidos e Israel, segundo uma autoridade a par das negociações. O conflito já durava oito meses. Uma autoridade iraniana de alto escalão, porém, disse que Doha apenas apresentou ideias inaceitáveis e que elas não constituíam uma oferta.
O ministro das Relações Exteriores iraniano afirmou nesta quarta-feira que Teerã continuava dando uma oportunidade à diplomacia. Ele também mencionou a possibilidade de que o plano de sete dias proposto pelo Irã fosse concluído em menos de uma semana, caso fosse implementado.
O Catar e o Paquistão lideram a mediação para tentar encerrar a guerra. O conflito interrompeu o transporte marítimo global e o abastecimento de petróleo, além de se espalhar para a Arábia Saudita e o Iêmen. As negociações e a evolução dos combates permaneceram, assim, entre os fatores acompanhados pelo mercado junto com os possíveis ataques a instalações e a perspectiva de envolvimento militar dos Estados Unidos.

