sábado, fevereiro 7, 2026

Unidos em Busca de Justiça: Clientes da Fictor Lançam Movimento para Reaver R$ 4 Bilhões em Investimentos!


Abertura da Associação de Credores da Fictor Invest: Um Novo Capítulo de Mobilização

Na próxima segunda-feira, dia 9, um grupo de investidores individuais e empresas envolvidas no Grupo Fictor dará um importante passo ao lançar a Associação de Credores da Fictor Invest (ACFictor). Esta nova entidade tem como objetivo centralizar e organizar a defesa dos direitos de aproximadamente 13 mil credores, que, juntos, reivindicam cerca de R$ 4 bilhões da instituição financeira. A criação dessa associação não apenas representa um esforço coletivo significativo, mas também uma resposta coordenada a uma crise que promete impactar o setor financeiro de forma profunda.

Um Escândalo Financeiro com Consequências Amplas

A ACFictor não está apenas focada em recuperar os valores devidos. Segundo uma nota divulgada, o impacto desse “escândalo financeiro” supera até mesmo o que foi observado na liquidação do Banco Master. Mais de 13 mil contribuintes se viram prejudicados e, sem a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), enfrentam a possibilidade de perdas ainda maiores durante o processo de recuperação judicial que a Fictor solicitou.

O Que Está em Jogo?

  • Número de Credores: O pedido de recuperação do grupo inclui pelo menos 13.041 credores, o que classifica o caso como um dos mais complexos do mercado recente.
  • Investidores: Dentre esses credores, 11.549 são pessoas físicas, totalizando créditos de aproximadamente R$ 2,54 bilhões.

A Crise de Liquidez da Fictor

Carlos Deneszczuk, advogado da Fictor e responsável pelo processo de recuperação judicial, revelou em uma entrevista ao Estadão que a crise de liquidez da empresa começou após um anúncio que envolvia a compra do Banco Master, em parceria com fundos dos Emirados Árabes Unidos. O que parecia ser um passo audacioso logo se transformou em uma crise de confiança após a liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central.

Efeitos Imediatos

  • Retornos de Clientes: Após o anúncio, os clientes solicitaram a retirada de até 70% dos seus investimentos.
  • Estruturas de Investimento: A Fictor havia montado Sociedades em Conta de Participação (SCP), responsáveis pela compra de ativos. A crise de liquidez prejudicou os pagamentos de dividendos aos sócios dessas estruturas.

O Papel da ACFictor

À frente da nova associação está o advogado Otávio Barbuio, que destaca o impacto negativo do encerramento unilateral das SCPs. Essa decisão convenceu investidores a se tornarem credores, limitando abrindo mão de sua capacidade de reação individual. Este cenário concentra os conflitos no ambiente de recuperação judicial.

Questões Relevantes

Barbuio levantou preocupações sobre:

  • A estrutura societária da Fictor.
  • O valor real do passivo.
  • O risco de uso abusivo da recuperação judicial como uma forma de proteger patrimônios e diluir responsabilidades.

A Estratégia da Fictor

A Fictor, por sua vez, se comprometeu a pagar suas dívidas integralmente, sem descontos. O prazo sugerido para os reembolsos é de até cinco anos. De acordo com Deneszczuk, a empresa não registrava problemas com pagamentos até novembro do ano passado.

Expectativas Futuras

A expectativa é que o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) aprove a recuperação judicial em uma semana, se tudo ocorrer conforme o planejado. Esse movimento também teria sido sugerido por um investidor internacional, a Royal Capital, que está vinculado ao consórcio para a compra do Banco Master.

A Medida Cautelar do TJ-SP

Na semana passada, a desembargadora Maria Lúcia Pizzotti, do TJ-SP, tomou uma decisão relevante ao ordenar o bloqueio cautelar de R$ 150 milhões dos ativos da Fictor. Essa medida visa garantir um valor de segurança em um contrato ligado a operações de cartões de crédito empresariais, especificamente com a Orbitall, prestadora de serviços de pagamento para a American Express.

Inovações e Novos Caminhos

Em 2024, o Grupo Fictor decidiu diversificar suas operações, entrando no setor de pagamentos com a criação da Fictor Pay. Inicialmente, a empresa se posicionou como uma subadquirente, oferecendo maquininhas de cartão e serviços de tecnologia de pagamentos. Em um ano posterior, a Fictor Pay lançou um cartão de crédito com a bandeira American Express voltado para pessoas jurídicas.

Resultados da Nova Operação

  • Movimentação: O cartão de crédito da Fictor Pay chegou a movimentar R$ 200 milhões mensais.
  • Atuação: A Fictor Pay opera em nove estados, com 500 clientes e já movimentou R$ 2,2 bilhões através de seus terminais.

Reflexões Finais

A situação do Grupo Fictor é um importante lembrete sobre as fragilidades do mercado financeiro e a complexidade das relações econômicas em jogo. Enquanto a ACFictor se prepara para defender os credores e buscar uma solução viável, a indústria observa de perto os desdobramentos. Como investidores, consumidores e cidadãos, é crucial refletir sobre as práticas de governança e a proteção dos interesses dos credores e clientes em ambientes financeiros tão dinâmicos.

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