Agtechs recebem R$ 94,7 milhões em investimentos no 1º semestre de 2026


As agtechs brasileiras captaram R$ 94,7 milhões em oito operações no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento do Itaú BBA. No mesmo período de 2025, foram 17 transações. A queda ocorre em um cenário de menor liquidez e maior rigor dos investidores na seleção de startups.

De acordo com o estudo, 92% das operações envolveram negócios dos segmentos Antes da Porteira e Dentro da Porteira. O primeiro reúne soluções voltadas a etapas anteriores à produção, como crédito e gestão financeira; o segundo abrange tecnologias aplicadas à atividade rural, incluindo gestão, telemetria e automação.

Matheus Borella, da área de Estratégia e Inovação Agro do Itaú BBA, afirmou que há capital disponível para empresas que comprovem retorno financeiro e ganhos de produtividade. Eficiência operacional, automação e análise de dados estão entre os atributos mais valorizados pelos investidores.

Recursos para startups e inovação no campo

A plataforma Jornada Amazônia abriu inscrições para uma nova etapa do programa Sinergia, com aporte de R$ 7 milhões. Financiada por BID Lab, Fundo Vale, Santander e Bradesco, a iniciativa selecionará 50 empreendimentos da Amazônia Legal e quatro de países da Pan-Amazônia. O programa oferecerá apoio em modelagem financeira, aceleração tecnológica e acesso a mercados a partir de 2027, para negócios de áreas como alimentos, biotecnologia e novos materiais. Nos últimos quatro anos, a plataforma mobilizou R$ 50 milhões.

A Krilltech aprovou uma subvenção econômica de cerca de R$ 22,5 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para construir uma planta piloto no Centro-Oeste. O projeto prevê produção experimental e validação de nanoherbicidas, nanofungicidas e nanoinseticidas, inclusive formulações à base de glifosato. Em parceria com UnB, UFV e UFRJ, o trabalho será desenvolvido ao longo de 36 meses. A empresa pretende levar tecnologias de laboratório à escala industrial e entrar no mercado brasileiro de proteção de cultivos, que movimentou R$ 98,7 bilhões na safra 2024/2025.

Já a fabricante de bioinsumos Vitalforce, do Grupo Lwart, passou a oferecer monitoramento de lavouras por satélite. Desenvolvido com a Universidade Federal de Uberlândia, o serviço acompanha áreas comerciais 30, 60 e 90 dias após o plantio e produz dados sobre vigor vegetativo, índice de área foliar e risco sanitário. As informações podem orientar a aplicação localizada de insumos biológicos e corretivos. A consultoria 360 Research & Reports projeta que a agricultura de precisão movimente R$ 48,5 bilhões no ano; segundo a fonte, 84% dos produtores do país já adotam tecnologias digitais.

Tecnologia, insumos e produção

Na safra 2025/2026, a biotecnologia estava presente em praticamente todas as lavouras de soja e algodão cultivadas com sementes certificadas, segundo dados da CropData, plataforma da CropLife Brasil. A combinação de resistência a pragas e tolerância a herbicidas cobriu 38 milhões de hectares de soja, equivalentes a 78% da área total, e 1,1 milhão de hectares de algodão, ou 55%.

O levantamento também apontou avanço de 210% no plantio de sementes não certificadas entre as safras 2021/2022 e 2025/2026. Esse tipo de semente, própria ou ilegal, chegou a um em cada cinco hectares cultivados no país. Na soja, correspondeu a 9,6 milhões de hectares, ou 20% da área; no algodão, a 47 mil hectares, ou 2,4%. Segundo o estudo, o crescimento pressiona a proteção da propriedade intelectual e os investimentos em pesquisa agrícola.

As importações de nutrientes por hectare atingiram os menores níveis da série iniciada em 2018. De janeiro a setembro de 2026, as compras de nitrogênio por hectare caíram 22,5%, para 28,5 quilos, e as de fósforo recuaram 10,5%, para 19,3 quilos. No período, a área plantada cresceu 1,4%, para 99,1 milhões de hectares. Entre julho e setembro, as importações somaram 47,2 quilos de nutrientes por hectare de grãos projetado pela Conab, quase 20% abaixo do ciclo anterior.

Em outro projeto ligado à produção, o Instituto Mauá de Tecnologia, a Universidade Federal de Santa Maria e a fabricante Tupy testaram o uso de etanol hidratado em motores originalmente a diesel. Ensaios em bancada indicaram manutenção de torque e potência sem conversão para o ciclo Otto ou mudanças estruturais profundas. O projeto mira veículos pesados, máquinas agrícolas e equipamentos fora de estrada. A próxima fase prevê calibração eletrônica e simulações no segundo semestre de 2026, com testes em condições reais ao longo de 2027.

Regras, exportações e indústria

Pesquisadores da Embrapa, do Instituto Ficus e da Associação Nacional do Cânhamo Industrial sugeriram rever o limite de 0,3% de THC, composto da cannabis, para o cânhamo industrial no Brasil. Nota técnica afirma que temperatura, radiação solar e fotoperíodo tropicais podem elevar a concentração mesmo em plantas originadas de sementes certificadas. O documento propõe um teto de 0,5% ou 1%, próximo às regras de Paraguai, Uruguai e Argentina, para reduzir custos de conformidade e evitar perda de competitividade na produção de fibras e grãos.

O acordo comercial entre Mercosul e Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) entra em vigor em 1º de novembro e prevê preferências tarifárias para produtos agropecuários brasileiros exportados à Noruega. A lista inclui carne bovina, aves, milho, trigo duro, mel, maçãs e farinha de soja. Em 2026, as cotas serão distribuídas por ordem de chegada no módulo LPCO do Portal Único Siscomex. Exportadores terão de comprovar origem e conformidade fitossanitária e vincular a licença à Declaração Única de Exportação em até 60 dias.

Na indústria de laticínios, a Associação das Pequenas e Médias Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul alertou para possíveis efeitos da reforma tributária sobre o capital de giro a partir de 2027, quando a Contribuição sobre Bens e Serviços substituirá PIS e Cofins. Embora alguns produtos da cesta básica tenham alíquota zero, o setor prevê acúmulo de créditos fiscais. A entidade aponta demora no ressarcimento e indefinição sobre créditos na compra de matéria-prima de produtores não contribuintes, além de recomendar revisão de contratos e auditoria de créditos do Programa Mais Leite Saudável ainda em 2026.

Empresas ampliam equipes e parcerias

A ADM abriu 624 vagas temporárias para a safra de grãos de 2027, em unidades de sete estados. As atividades começam em 18 de janeiro. Minas Gerais concentra 234 postos, Mato Grosso tem 140 e Maranhão, 117. Entre as funções, há 373 vagas para operadores de produção, 117 para auxiliares administrativos e 95 para classificadores de cereais. O prazo para envio de currículos termina em 18 de novembro de 2026.

A Ourofino Agrociência nomeou Hélio Romano Junior diretor Comercial. Ele tem 40 anos de experiência no agronegócio e se juntará à estrutura liderada por Fábio Prata, promovido a diretor de operações (COO) e integrante do Comitê Executivo. A empresa diz que a mudança busca integrar vendas, desenvolvimento e produção. A companhia tem fábrica em Uberaba (MG), com capacidade anual de 200 milhões de quilos e litros.

A Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal incorporou o grupo holandês Vencomatic e a brasileira Agroceres PIC à rede de parceiros. A cooperação abrange sistemas de criação de aves sem gaiolas, melhoramento genético, sanidade e manejo de suínos. Criada em 2024, a iniciativa reúne 12 empresas de alimentos e proteína animal, entre elas JBS, Minerva Foods, Nestlé e Danone.

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