ONU expressa preocupação com território cada vez menor para palestinos em Gaza


As forças israelenses avançaram para oeste em áreas da cidade de Gaza nas últimas duas semanas, ampliando a área de implantação militar e provocando novos deslocamentos de palestinos. O avanço ocorre em meio ao objetivo declarado de Israel de estender sua presença militar a 70% da Faixa de Gaza, segundo o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.

Avanço e novos deslocamentos

O escritório da ONU documentou a expansão das áreas de implantação militar israelense em diferentes pontos da cidade. A redução do espaço disponível para os civis e a presença de forças nas proximidades da chamada “linha amarela” — referência usada para delimitar as áreas de implantação — têm criado novos fatores de deslocamento, segundo o órgão.

No bairro de Al Shujaiyeh, relatos apontaram ao menos dois ataques contra acampamentos de pessoas deslocadas durante o avanço das forças israelenses para oeste. Também foram registradas detonações de edifícios que ainda permaneciam de pé na região.

Informações recebidas pelo Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos no Território Palestino indicam que um drone israelense lançou munições sobre tendas onde estavam famílias deslocadas. O local fica no cruzamento de Al Shujaiyeh, perto da linha amarela.

O ataque teria provocado um incêndio que durou quase cinco horas. De acordo com dados do Ministério Palestino das Obras Públicas e da Habitação em Gaza, o fogo levou ao deslocamento de 200 famílias, num total de 800 pessoas. A maioria era composta por mulheres, crianças e idosos.

Deslocamento prolongado

Ajith Sunghay, chefe do Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos no Território Palestino, descreveu o “pesadelo da deslocação em Gaza” como agudo e crônico. As operações militares israelenses já provocaram várias ondas de deslocamento da população, enquanto novas movimentações de tropas e ataques mantêm civis em situação de instabilidade.

A dimensão da destruição também limita as possibilidades de retorno. Segundo o Centro de Satélites da ONU, os ataques destruíram mais de 80% dos edifícios e estruturas da cidade de Gaza. O dado se refere à cidade, não ao conjunto da Faixa de Gaza.

Além dos danos físicos, as forças israelenses têm impedido palestinos de voltar ao que resta de suas casas do outro lado da linha amarela. As restrições à entrada de ajuda também contribuem para o agravamento da crise humanitária, de acordo com a ONU.

Apelo da ONU a Israel

Para a maioria dos palestinos em Gaza, este é o quarto ano de deslocamentos sucessivos, afirmou Sunghay. O chefe do escritório da ONU defendeu que o sofrimento da população palestina seja encerrado.

A organização pediu a Israel que interrompa a transferência forçada de palestinos dentro da Faixa de Gaza. A ONU considera que essa prática constitui um crime de guerra e pode também configurar um crime contra a humanidade.

A entidade também pediu que Israel facilite o retorno dos palestinos às suas casas e às áreas de onde fugiram, em condições de segurança e dignidade. O apelo ocorre enquanto a expansão militar e as restrições ao retorno mantêm a população civil sob pressão e reduzem as áreas disponíveis para sua permanência.

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