Braskem e a Montanha-Russa do 4T25: Resultados e Desafios à Vista
A tempestade perfeita na Braskem
As ações da Braskem, uma das maiores petroquímicas da América Latina, enfrentaram uma fase turbulenta na última sexta-feira (27). Após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025, os papéis da empresa despencaram 10,84%, atingindo R$ 9,05. Essa queda acentuada gerou uma onda de preocupação entre investidores e analistas, especialmente considerando que a companhia não conseguiu atender às expectativas do mercado.
Resultados que Surpreendem
No 4T25, a Braskem reportou um prejuízo alarmante de R$ 10,28 bilhões, uma piora significativa em relação ao déficit de R$ 5,65 bilhões no mesmo período do ano anterior. Embora o resultado operacional tenha mostrado alguma resistência, com um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) recorrente de R$ 589 milhões – uma leve alta de 6% em comparação ao ano passado – a receita líquida da companhia caiu 16%, somando R$ 16,10 bilhões.
Quais foram os números que deixaram os investidores preocupados?
- Lucro Líquido: R$ 10,28 bilhões (vs R$ 5,65 bilhões em 2024)
- Ebitda Recorrente: R$ 589 milhões
- Receita Líquida: R$ 16,10 bilhões (uma queda de 16%)
Expectativas do Mercado
Esses resultados, no entanto, ficaram aquém das projeções feitas por analistas, que esperavam um Ebitda recorrente de R$ 665 milhões e receita de R$ 16,9 bilhões, segundo dados da LSEG. A Braskem atribuiu esse resultado decepcionante à continuidade do período de baixa na indústria petroquímica global.
O que dizem os especialistas?
O Bradesco BBI enfatizou que os últimos números da Braskem permaneceram fracos, refletindo um contexto global desafiador. Com spreads internacionais reduzidos, sazonalidade negativa e condições operacionais fracas, o futuro imediato da companhia parece ainda bastante nebuloso.
Desafios Internos: O que prejudicou o desempenho?
No cenário doméstico, alguns fatores impactaram a performance, como:
- Baixa Taxa de Utilização: Paradas de manutenção na Bahia e ajustes de produção em função da demanda sazonal.
- Menor Oferta de Matéria-Prima: Problemas na logística e fornecimento no estado de São Paulo.
- Mercados Externos: Nos EUA e Europa, a situação não foi muito melhor, com um Ebitda negativo de US$ 32 milhões, prejudicado pela redução de volumes e paradas operacionais.
O panorama no México apresentou um contraste, onde a Braskem conseguiu melhorias nas taxas de operação e maior disponibilidade de etano importado. Contudo, a pressão dos spreads mais baixos ainda se faz sentir.
O que vem pela frente?
Os números do Fluxo de Caixa Livre para o Acionista (FCFE) revelam uma melhoria, porém permanecem negativos: US$ 161 milhões no 4T25, comparados a -US$ 424 milhões no terceiro trimestre de 2025. Essa alteração é em grande parte atribuída a uma redução nas despesas de capex e juros. No entanto, o fluxo de caixa operacional caiu para US$ 114 milhões, o que é motivo de preocupação contínua.
O cenário de alavancagem
A Braskem encerrou o trimestre com uma dívida líquida ajustada/Ebitda recorrente de 14,74x, praticamente estável em relação ao terceiro trimestre. Isso indica que, mesmo com a redução do consumo de caixa, o balanço financeiro da empresa ainda enfrenta forte pressão devido à baixa geração de Ebitda.
Perspectivas dos Analistas
De acordo com os especialistas do JPMorgan, a Braskem está lidando com um trimestre desafiador em meio a um excesso de oferta na indústria. A expectativa é que os resultados continuem sob pressão, o que não é uma boa notícia para os acionistas.
O papel do PRESIQ
Uma luz no fim do túnel pode vir com o programa PRESIQ, que é visto como um avanço crucial para a sustentabilidade da indústria química brasileira. No entanto, seus benefícios só devem se tornar mais visíveis a partir de 2027, o que não alivia as dificuldades imediatas enfrentadas pela Braskem no 4T25.
Reflexões Finais
Os resultados do quarto trimestre de 2025 da Braskem nos mostram que a companhia está navegando em águas turbulentas. Enquanto o mercado busca respostas e soluções, a realidade é que as decisões difíceis poderão ser uma constante para os novos controladores da empresa. O cenário pode parecer desafiador, mas a resiliência e inovação poderão ser a chave para um futuro mais promissor.
E você, o que pensa sobre a situação atual da Braskem? Acredita que a empresa conseguirá se recuperar? Compartilhe suas opiniões nos comentários!


