Biodiesel: Como Antonio Chavaglia Planeja Rumo aos R$ 30 Bi até 2032


Com um faturamento que ultrapassa R$ 14 bilhões, a Comigo, uma das maiores cooperativas agrícolas do Brasil, planeja um salto ambicioso para R$ 30 bilhões até 2032. Em entrevista à Forbes Agro, Antonio Chavaglia, produtor rural e presidente do Conselho de Administração da cooperativa, destacou a intenção de expandir os investimentos em industrialização, que incluem a produção de biodiesel. A Comigo, que reúne 12.600 produtores de soja, milho e sorgo no Sudoeste de Goiás, está pronta para traçar novos rumos.

No dia 6 de maio, Antonio deu início à 23ª edição da Tecnoshow Comigo, realizada em Rio Verde (GO), uma feira que se solidifica como um evento importante para os negócios e a tecnologia no agronegócio do Centro-Oeste. Com expectativa de movimentar cerca de R$ 10 bilhões, a feira é um reflexo do crescente dinamismo do setor. O governador em exercício de Goiás, Daniel Vilela, também esteve presente, destacando uma transição política que coincide com as ambições econômicas da cooperativa.

Durante a abertura, Antonio não hesitou em abordar um dos desafios cruciais enfrentados pela Comigo: a necessidade de uma fonte energética robusta para alimentar sua nova fábrica de processamento de soja em Palmeiras de Goiás, um investimento superior a R$ 1,3 bilhão. A urgência desse problema foi reconhecida pelo governador, que se comprometeu a encontrar uma solução rapidamente.

O Caminho para a Verticalização

O foco em expandir a industrialização se alinha com a busca da Comigo por maior valor agregado na cadeia produtiva da soja, minimizando a dependência do mercado de grãos in natura. Dourivan Cruvinel de Souza, presidente executivo da cooperativa, também compartilhou como a Comigo pretende ampliar sua receita nos próximos cinco anos, contando com uma base sólida de associados.

Fundada em 1975, a Comigo se destaca na lista Agro100 da Forbes 2025, ocupando a 28ª posição, e é a 5ª maior cooperativa do setor no Brasil. Com um faturamento de R$ 10,94 bilhões em 2024, a Cooperativa está posicionada para crescer exponencialmente.

Biodiesel: A Próxima Grande Onda

A produção de biodiesel se apresenta como uma das principais apostas da cooperativa. Com o aumento da demanda interna, políticas de mistura obrigatória e a possibilidade de exportação, a Comigo vê no biodiesel uma oportunidade para capturar valor em um mercado em ascensão. “Estamos planejando um projeto para produção de biodiesel em Rio Verde”, afirmou Dourivan, ressaltando que essa é uma etapa crucial para finalizar o ciclo de verticalização que começou há décadas.

A lógica por trás dessa estratégia é simples: transformar commodities em produtos com valor agregado, mas com um impacto monumental. Em 2025, a expectativa é de que a receita geral da cooperativa alcance R$ 55 bilhões, impulsionada pela produção de 9,84 milhões de metros cúbicos de biodiesel, conforme dados da ANP.

Fundamentos da Industrialização

A história da Comigo revela um claro entendimento dos benefícios da industrialização. Desde a década de 1980, quando a cooperativa entrou no processamento de soja, essa se tornou a principal fonte de lucro. Antonio recorda os desafios iniciais: “Quando sugeri a industrialização, muitos questionaram a viabilidade. Mas sabíamos que precisávamos agregar valor.” Após um ano de luta por financiamento, a indústria se tornou um divisor de águas, permitindo que a cooperativa processasse 5,4 milhões de toneladas de grãos, representando 14,5% da safra de Goiás em 2024/2025.

Atualmente, a Comigo possui 11 fábricas dedicadas ao processamento de soja e sementes, além de fabricar ração e outros insumos agrícolas. A soja é seu carro-chefe, com a cooperativa processando 1,8 milhão de toneladas em 2025, o que resultou em 1,2 milhão de toneladas de farelo e 454 mil toneladas de óleo. Contudo, ainda é preciso aumentar a capacidade de esmagamento para atender a uma demanda crescente, especialmente para produtos como farelo e óleo refinado.

Antonio observa: “Quanto mais industrializamos, melhor será a nossa margem para enfrentar os desafios do setor.” A expansão está prevista para ser contínua, através de novas lojas, armazéns e aumento da produtividade dos cooperados.

Investindo em Gente e Estruturas

O crescimento da Comigo também está intimamente ligado à qualidade de sua equipe e associados. Com um capital social de R$ 4,56 bilhões e 12.595 cooperados, a cooperativa investiu R$ 4,1 milhões em capacitação no último ano. “Preferimos formar nossos próprios gerentes”, explica Antonio, elogiando a importância do treinamento e da valorização dos funcionários.

  • Programa de trainee: Um treinamento de um ano e meio, abrangendo todas as áreas da cooperativa.
  • Distribuição de R$ 25 milhões em participação nos resultados para os colaboradores.

Esse modelo não só fortalece a cooperativa, mas também contribui para a sustentabilidade do agronegócio na região, elevando a produtividade e gerando oportunidades para todos envolvidos.

Desafios e Oportunidades à Vista

Apesar de um ciclo de crescimento promissor, a Comigo enfrenta desafios significativos. Os custos de produção continuam elevados, especialmente em relação a fertilizantes, cuja maioria vem de regiões com conflitos. “Os preços aumentaram drasticamente e a logística se tornou complexa”, afirma Dourivan. A guerra e a incerteza política trazem uma camada adicional de complexidade para o setor.

Embora os planos permaneçam firmes, Dourivan ressalta a necessidade de cautela: “Nossa safra de verão foi boa, mas o problema pode surgir na próxima. Precisamos estar preparados para a incerteza quanto à disponibilidade e ao custo de insumos.” O olhar está sempre voltado para o futuro, mas com uma percepção realista das nuances do mercado.

Os desafios são muitos, mas a Comigo está posicionada para continuar sua trajetória de crescimento, adaptando-se às condições do mercado e buscando soluções inovadoras para atender às demandas do agronegócio. O comprometimento com a verticalização e a industrialização reflete não apenas uma estratégia de sucesso, mas um compromisso com o futuro agrícola do Brasil.

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