Nos dias de hoje, a inteligência artificial (IA) se tornou um aliado poderoso no mundo corporativo, especialmente para executivos da área de tecnologia. Um estudo recente do Manual do CIO, realizado pela CDI em parceria com a Lenovo, revela que mais de 500 empresas na América Latina estão adotando essa tecnologia para reinventar seus negócios em múltiplas frentes.
O uso da IA não se limita mais apenas à área de TI. Agora, funções como marketing, vendas e desenvolvimento de produtos também se beneficiam de suas capacidades. As empresas latino-americanas estão cada vez mais focadas em transformar seus investimentos em eficiência, crescimento e resiliência.
De acordo com o levantamento, impressionantes 97% dos entrevistados planejam aumentar os investimentos em IA nos próximos 12 meses. As prioridades desses investimentos incluem aprimoramento dos negócios, aumento de receita e lucros, redução de riscos como ameaças cibernéticas, promoção da inovação digital e melhoria na experiência do cliente.
Esses dados evidenciam a maturidade crescente das organizações em relação à implementação da IA e ao entendimento dos benefícios associados. Comparado a 2024, a porcentagem de empresas em teste-piloto aumentou em 13 pontos percentuais, totalizando 62%. Ao mesmo tempo, o número de companhias ainda considerando a adoção da tecnologia caiu 19%, atingindo 16%. Aqueles que estão em fases iniciais de uso também diminuíram 4%, totalizando 22%.
A IA já deixou de ser uma mera curiosidade na América Latina, consolidando-se como uma fonte real de valor econômico. Países como Brasil, Argentina e México estão na vanguarda desta adoção, enquanto Chile e Colômbia ainda se encontram em estágios iniciais de planejamento e avaliação. O CIO Playbook estima que cerca de 92% das organizações esperam um retorno significativo sobre seus investimentos em iniciativas de IA.
No Brasil, as prioridades estão centradas no desenvolvimento de agentes de IA e na implementação de soluções que suportem uma infraestrutura robusta. Contudo, a governança ainda é um desafio, com muitas empresas em estágios de desenvolvimento. Essa situação pode ser atribuída a preocupações intensas com segurança de dados e lacunas no conhecimento sobre como implementar a tecnologia.
Ricardo Bloj, presidente da Lenovo no Brasil, destaca que “o maior desafio atualmente é o medo. Muitos clientes se preocupam com a segurança e, por isso, evitam a implementação, temendo pela proteção de dados e pela invasão de sistemas. Apenas 20% afirmaram ter um processo de governança e segurança confiável, um número baixo que pode desencorajar outras empresas a avançarem nessas implementações.”
Os CIOs apontam fatores cruciais para o sucesso na adoção da IA, que incluem:
- Treinamento adequadamente estruturado para os funcionários;
- Infraestrutura de IA escalável;
- Acesso a dados em uma infraestrutura de TI híbrida;
- Segurança de dados confiável;
- Boas práticas de governança.
Na América Latina, as áreas que mais se destacam na implementação bem-sucedida incluem TI, segurança cibernética, além de dados e análise.
Onde estão os Principais Investimentos?
Uma das áreas mais promissoras é a Inteligência Artificial Agêntica, com mais de 50% dos entrevistados afirmando estar em fase de exploração e adoção. Pesquisas indicam que essa tecnologia será amplamente utilizada em cibersegurança, atendimento ao cliente, controle de qualidade, otimização de vendas e desenvolvimento de produtos.
No entanto, atualmente, esta categoria representa apenas 23% dos investimentos totais. Em liderança, encontramos a IA preditiva, com 26% dos gastos. Juntamente com a IA generativa e a IA interpretativa, estas representam uma fração maior do orçamento dedicado a IA.
A IA híbrida se destaca como uma abordagem eficaz para acelerar a implementação de iniciativas. Essa estratégia combina infraestrutura local (on-premise) com serviços de nuvem pública, permitindo flexibilidade e escalabilidade durante as fases críticas do processo, como preparação de dados, treinamento e otimização de modelos.
De acordo com o Manual do CIO, cerca de 83% das empresas pretendem utilizar um modelo híbrido para suas aplicações e cargas de trabalho em IA, reduzindo a dependência da nuvem e mantendo parte do processamento e dados em ambientes locais.
Expectativas para os Próximos Anos
Até 2027, prevê-se que 50% das compras de PCs empresariais migrem para modelos integrados com IA Agêntica, com agentes híbridos melhorando a produtividade. Além disso, espera-se que 80% das empresas adotem infraestrutura de borda distribuída para aprimorar a responsividade nas aplicações de IA.
Atualmente, setores como telecomunicações, manufatura e bancário estão na linha de frente da adoção de IA na região. Em contraste, os setores público, varejo e saúde permanecem em fases iniciais de planejamento.
O setor bancário, por exemplo, é um dos que mais avançam na adoção de tecnologia, com 69% das empresas usando IA para detecção de fraudes, gestão de riscos e personalização da experiência do cliente. Aqui, a adoção híbrida é a norma.
No varejo, o foco é reinventar os negócios e minimizar riscos cibernéticos, com uma demanda crescente por soluções que melhorem o atendimento ao cliente e controle de qualidade.
Finalmente, as telecomunicações se destacam pela alta adoção de IA, operando em uma infraestrutura de grande escala, com margens apertadas e alta pressão regulatória, além de manipular grandes volumes de dados.


