A gigante petrolífera francesa Energias Totais prevê que a demanda global por petróleo alcance o pico entre 2035 e 2040 e comece a recuar depois disso. A projeção foi apresentada nesta segunda-feira (2) pelo diretor de sustentabilidade da companhia, que apontou a expansão das vendas de veículos elétricos como um fator capaz de acelerar a queda.
O relatório anual de perspectivas energéticas da empresa indica uma mudança em relação à estimativa divulgada no ano passado. Na versão anterior, a demanda por petróleo ainda cresceria até 2040, antes de diminuir gradualmente. Agora, a expectativa é de que o consumo de produtos petrolíferos aumente e se estabilize ao longo da década de 2030, iniciando depois um declínio lento.
Projeção aponta mudança gradual
A previsão não indica uma redução imediata do consumo. Segundo o relatório, a demanda ainda deve avançar antes de atingir um patamar mais estável durante os anos 2030. O pico, estimado para um intervalo entre 2035 e 2040, marca o momento em que o crescimento deixaria de prevalecer; depois dele, a empresa projeta uma diminuição gradual.
A companhia não apresentou, no texto divulgado, um volume específico para o consumo global nem uma taxa anual de queda. O horizonte informado é, portanto, uma estimativa sobre a trajetória da demanda, e não uma quantificação do tamanho do mercado em cada ano. A projeção também trata da demanda por produtos petrolíferos, expressão usada no relatório para descrever o consumo associado ao petróleo.
A comparação com a edição anterior mostra que a Energias Totais passou a projetar o início da estabilização antes do que previa. Na estimativa anterior, o crescimento se estenderia até 2040. No relatório atual, o avanço deve perder força durante a década de 2030, seguido por uma queda descrita como lenta. A empresa atribui parte da possibilidade de um recuo mais rápido à continuidade do crescimento das vendas de veículos elétricos.
Veículos elétricos e tecnologias de baixo carbono
O diretor de sustentabilidade, Aurelien Hamelle, afirmou a jornalistas que houve uma “aceleração impressionante” das tecnologias de baixo carbono entre o segundo trimestre de 2025 e o segundo trimestre de 2026. A declaração acompanha a avaliação de que a transição energética pode avançar em ritmo maior do que o previsto, embora a empresa ainda projete um período de aumento e estabilização da demanda por petróleo.
O relatório cita a expansão das vendas de veículos elétricos na Ásia, na América Latina e na Europa como um dos sinais dessa mudança. A referência às três regiões indica que o avanço considerado pela companhia não se limita a um único mercado. A possibilidade de queda mais rápida na demanda, porém, é condicionada à continuidade do crescimento das vendas desses veículos; o material não informa números de vendas nem metas para cada região.
Outro fator mencionado é o aumento das exigências de mistura de biocombustíveis. Essas regras determinam a incorporação de combustíveis produzidos a partir de fontes biológicas aos combustíveis consumidos. De acordo com o relatório, as exigências estavam influenciando os padrões de consumo de energia, embora a companhia não detalhe no texto a dimensão desse efeito nem os países envolvidos.
Crise energética pode acelerar a transição
A empresa também avalia que a crise nos mercados de energia desencadeada pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã pode atuar como um “acelerador” da transição energética. O relatório relaciona esse cenário à alta nas vendas de veículos elétricos e ao aumento das exigências de mistura de biocombustíveis, fatores que, segundo a companhia, influenciam os padrões de consumo.
A formulação indica uma possibilidade, e não uma previsão de que a mudança ocorrerá necessariamente em ritmo mais rápido. A estimativa central continua sendo de crescimento e estabilização da demanda por produtos petrolíferos durante a década de 2030, com declínio lento depois. A aceleração das tecnologias de baixo carbono e a evolução das vendas de veículos elétricos aparecem como elementos que podem alterar esse caminho.
Para o mercado de energia, a diferença entre as duas projeções está no momento em que o crescimento perde força: o relatório anterior apontava alta até 2040, enquanto o atual prevê estabilização ao longo da década de 2030 e um pico entre 2035 e 2040. A companhia não divulgou, no conteúdo apresentado, uma nova data única para o pico nem uma previsão quantitativa de quanto a demanda poderá cair.

