De Sapateado a Agronegócios: Como Tatiana Reichmann Planeja Conquistar 40% da Ademicon no Setor Agro


Transformando o Agro: A Trajetória de Tatiana Schuchovsky Reichmann

“Eu era dançarina.” Essa declaração pode parecer surpreendente no meio de uma conversa que gira em torno de crédito, governança corporativa e o crescimento do agronegócio brasileiro. Mas para Tatiana Schuchovsky Reichmann, de 48 anos, essa frase ilustra a conexão entre dois mundos distintos em sua vida: a jovem que ensinava sapateado e a executiva que hoje comanda uma das maiores administradoras independentes de consórcios do Brasil, com um objetivo audacioso: fazer com que o agronegócio represente até 40% dos negócios da Ademicon nos próximos três anos.

Durante uma entrevista exclusiva à Forbes Agro, Tatiana compartilha: “Meu pai me convidou para conhecer a empresa. Apaixonei-me por ela, e ele decidiu comprá-la para que eu a administrasse.” Sua visão está clara: “No final das contas, o que nós vendemos é dinheiro.”

A história da Ademicon, que surgiu em Curitiba há 30 anos como uma administradora de consórcios imobiliários, agora se transforma. Em tempos de recessão do crédito tradicional e altas taxas de juros, a demanda por planejamento financeiro no campo cresce exponencialmente.

Consórcios: De Imóveis a Diversificação no Agronegócio

Produtores rurais
Evandrorigon/Getty ImagesProdutores rurais usando tecnologia em suas lavouras

Por muito tempo, a imagem do consórcio esteve ligada, quase que exclusivamente, à compra da casa própria. Para Tatiana, esse ciclo já faz parte do passado. O consórcio expandiu seu papel como ferramenta essencial no planejamento patrimonial dos brasileiros, sobretudo no agronegócio, que se revela como um caminho inovador nessa transformação.

Nos números, o crescimento é evidente: em 2025, o mercado de consórcios movimentou R$ 500,3 bilhões, um avanço de 32,1% em relação aos R$ 378,73 bilhões de 2024, segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC).

O cenário é promissor, e empresas como Ademicon, Itaú, Bradesco e Banco do Brasil estão na vanguarda dessa mudança, com um setor que já sente a presença do agro nas cifras.

  • 70% dos produtores rurais: Já utilizam ou estão decididos a usar consórcios como forma de planejamento sem juros.
  • Financiamento: A Ademicon agora financia de tudo: de maquinário agrícola a drones, sistemas de irrigação e benfeitorias nas fazendas.

A Mudança do Jogo no Agronegócio

O panorama do agronegócio e a atuação da Ademicon no setor estão em plena transição. Em 2025, os créditos direcionados ao agronegócio representaram 17% do total da empresa, o que equivale a R$ 8 bilhões. No primeiro trimestre de 2026, esta participação aumentou para 19%, com um volume de R$ 3,4 bilhões.

E as metas são ainda mais ousadas: até o final de 2026, espera-se que o agro corresponda a 25% do total de operações, podendo movimentar cerca de R$ 14 bilhões. Em três anos, a projeção é de que atinja os 40% de sua atuação.

“O setor de serviços é o carro-chefe, representando 45% das nossas operações, mas sabemos que a ampliação no agro é muito estratégica”, destaca Tatiana.

  • Feiras e treinamentos: Para apoiar essa evolução, a empresa criou uma divisão exclusiva para o agronegócio, participando de feiras como Show Rural Coopavel e Expointer, e treinando consultores para entender as particularidades do setor.
  • Expansão: Atualmente, a Ademicon possui 300 unidades de negócios em 24 estados e no Distrito Federal, além de presença internacional em Miami e Orlando.

Raízes no Agro

A conexão da Ademicon com o agronegócio começou antes da atual demanda por crédito agrícola privado. Tatiana recorda que a entrada da empresa nesse setor ocorreu há mais de três décadas, quando a New Holland começou a utilizar consórcios para a compra de máquinas agrícolas.

Com raízes profundas no Paraná, a empresa evoluiu de uma administradora regional de imóveis para uma operação nacional. Tatiana, que cresceu em meio a essa transformação, relembra: “Quando comecei, éramos apenas quatro colaboradores; hoje somos mais de 3 mil”.

A profissionalização da empresa ganhou novo impulso com a entrada da Treecorp Investimentos em 2020 e, mais recentemente, do fundo soberano de Singapura, GIC, em 2023. Apesar das mudanças, a família Reichmann ainda controla 70% da empresa, garantindo a continuidade de uma visão familiar em meio à modernização.

Planejamento: A Chave do Sucesso

Se existe uma palavra que ressoa em cada conversa com Tatiana, é “planejamento”. Para ela, o crescimento do consórcio no agronegócio está intimamente ligado a uma mudança de mentalidade entre os produtores rurais.

“O produtor vive o presente, mas estamos mostrando que o planejamento é essencial para uma atualização tecnológica contínua”, observa.

Esse planejamento também envolve uma vantagem financeira significativa. Enquanto empréstimos podem ter taxas de até 2% ao mês, os consórcios da Ademicon têm taxas de apenas 1,5% ao ano. Essa economia é um incentivo valioso para os produtores que buscam maneiras de aliviar a pressão financeira.

Tatiana observa: “Quando eles adotam o consórcio, se libertam de juros altos, que muitas vezes os fazem trabalhar três ou quatro vezes mais apenas para quitar uma dívida.”

Além disso, o modelo de consórcio oferece uma estrutura protetora contra a inadimplência, onde as garantias reais trazem segurança ao grupo. É um tipo de compromisso “um por todos e todos por um”, em que os colaboradores se apoiam mutuamente.

A vivência de Tatiana no mundo dos consórcios é palpável, como se uma dança a conduzir sua trajetória. Com 48 anos, ela não só herdou a empresa de seu pai, mas também a responsabilidade de levar a Ademicon a novos patamares.

O momento em que ela vive é de transformação. O consórcio não é mais um mero produto financeiro alternativo, mas sim uma solução estratégica na vida de produtores rurais e empresários em todo o Brasil.

O consórcio se tornou um produto do momento. O planejamento, segundo Tatiana, é o que realmente faz a diferença no crescimento da empresa e a sua visão sobre o futuro é otimista e inspiradora.

Agora, a pergunta que fica no ar é: como o planejamento pode mudar a sua vida financeira? Pense nisso e compartilhe suas reflexões.

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