ADM supera projeções no 3º trimestre e eleva estimativa de lucro para 2026


A Archer-Daniels-Midland (ADM) superou as estimativas de lucro no terceiro trimestre e elevou nesta terça-feira sua projeção de lucro ajustado para 2026. A empresa atribuiu a revisão às margens sólidas no processamento de sementes oleaginosas em suas áreas de atuação, em um cenário de alta nos preços de grãos e de maior demanda por matérias-primas para biocombustíveis.

Projeção anual sobe

A companhia, que comercializa e processa grãos e tem sede em Chicago, agora prevê lucro ajustado por ação entre US$ 5,50 e US$ 5,80 em 2026. A estimativa anterior variava de US$ 5,15 a US$ 5,60. A mudança indica uma expectativa maior de resultado para o ano, apoiada pelo desempenho das operações ligadas às sementes oleaginosas.

No trimestre encerrado em 30 de setembro, a ADM registrou lucro ajustado de US$ 1,77 por ação. O resultado ficou acima da estimativa média de US$ 1,60 por ação, segundo dados compilados pela LSEG. O lucro ajustado é uma medida usada para acompanhar o desempenho da empresa com determinados itens excluídos do cálculo; a notícia não detalha quais ajustes foram considerados.

A companhia atua em diferentes etapas do mercado agrícola. Além de comprar e comercializar grãos, transporta e armazena safras e processa sementes oleaginosas. Esse conjunto de operações está reunido no segmento de serviços agrícolas e sementes oleaginosas, o maior da empresa.

Margens sustentam o desempenho

O lucro operacional desse segmento mais que dobrou no trimestre, para US$ 778 milhões. O indicador considera o resultado das atividades operacionais da divisão. O avanço ocorre em um período em que as margens de processamento de oleaginosas foram descritas pela empresa como sólidas em todos os seus setores de atividade.

Uma das operações da divisão é o esmagamento de sementes oleaginosas e grãos. Nesse processo, a empresa compra a matéria-prima de agricultores e a transforma em produtos destinados aos mercados de alimentos, ração animal e aplicações industriais. O lucro dessa atividade chegou a US$ 311 milhões no trimestre, ante US$ 13 milhões no mesmo período do ano anterior.

A diferença entre os dois resultados mostra a dimensão da melhora no negócio de esmagamento. A operação depende tanto da compra de grãos quanto da venda dos produtos processados, e o resultado informado pela ADM reflete o desempenho dessa atividade no trimestre. A empresa não apresentou, no material divulgado, uma abertura adicional sobre os fatores específicos que determinaram a variação do lucro.

Guerra afeta preços e demanda

Os preços do milho e da soja nos Estados Unidos subiram desde o início da guerra contra o Irã, segundo a notícia. Com a alta, agricultores aceleraram a venda de estoques da safra do ano anterior. Eles haviam mantido parte da oferta retida por meses, em meio a preços fracos no mercado.

O conflito também impulsionou os preços do petróleo. Esse movimento elevou a demanda por matérias-primas usadas na produção de biocombustíveis e deu suporte aos preços de produtos como milho e soja, que podem ser empregados na fabricação de combustíveis renováveis.

Para a ADM, a combinação de margens de processamento favoráveis e mudanças nos preços e na procura por grãos ajudou a sustentar os resultados do trimestre e a revisão da previsão anual. Os números divulgados mostram avanços tanto no lucro ajustado por ação da companhia quanto no lucro operacional de sua maior divisão, além de uma alta expressiva no resultado do negócio de esmagamento.

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