Nova NR-1: O que as empresas precisam saber sobre saúde e segurança no trabalho
Após um período de adaptação, chegou o momento das empresas brasileiras enfrentarem novos desafios. A partir de hoje, a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) entra em vigor, trazendo uma série de exigências que ampliam as obrigações corporativas, especialmente no que diz respeito aos riscos psicossociais. Este é um tema que ganhou destaque, especialmente devido ao aumento significativo de afastamentos relacionados à saúde mental no ambiente de trabalho.
A Nova NR-1 e suas Implicações
Em dezembro de 2025, um a cada sete trabalhadores foi afastado por problemas mentais e comportamentais, segundo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Isso marca um recorde preocupante, com aproximadamente 546 mil relatos de adoecimento mental. De 2020 a 2024, o aumento nos afastamentos devido a questões de saúde mental foi de 415%, saltando de 91.607 casos para 472.328. Com o impacto financeiro desses afastamentos atingindo quase R$ 4 bilhões, a situação se torna ainda mais alarmante.
O Que a NR-1 Exige das Empresas?
Agora, as empresas devem incluir, em seus Programas de Gerenciamento de Riscos (PGR), fatores como:
- Sobrecarga de trabalho
- Metas excessivas
- Jornadas prolongadas
- Ambiguidade nas funções
- Isolamento
- Assédio moral, sexual ou psicológico
Esses aspectos exigem um monitoramento contínuo e a implementação de medidas preventivas. A necessidade de adaptação é urgente e, segundo especialistas, muitas empresas ainda não estão prontas para essa mudança.
O Desafio da Preparação
Diversos especialistas, como Leandro Rúbio, CEO da Starbem, apontam que, apesar do tempo extra, muitas organizações ainda encaram dificuldades na implementação correta da norma. A saúde mental, que frequentemente era tratada como um tema secundário, agora se torna uma questão central de governança e produtividade.
Além disso, o advogado Eugênio Hainzenreder Jr. destaca que a subjetividade da norma gerou inseguranças nas empresas, levando o Ministério do Trabalho a publicar manuais e guias para ajudar na compreensão. Isso evidencia o nível de dúvida que ainda permeia o ambiente corporativo.
O Que Muda na Prática?
É crucial entender que a NR-1 não cria uma obrigação genérica de cuidar do bem-estar emocional dos funcionários. O foco da norma está nos riscos psicossociais diretamente relacionados à estrutura organizacional do trabalho. Isso significa que as empresas precisam avaliar:
- Processos internos
- Estilos de liderança
- Distribuição de tarefas
- Ambientes que podem causar estresse
Esses elementos podem ser gatilhos para o adoecimento ocupacional. Para Patrícia Ansarah, CEO do Instituto Internacional em Segurança Psicológica (IISP), essa atualização reflete uma transformação nas relações de trabalho, onde a saúde mental é cada vez mais reconhecida como um elemento fundamental.
A Fiscalização e Suas Expectativas
Com a nova norma em vigor, surgem as preocupações sobre a fiscalização. Apesar do receio de uma abordagem rigorosa logo após a implementação, especialistas como Hainzenreder afirmam que a prática deverá seguir o princípio da “dupla visita”, priorizando a orientação antes da autuação.
Os auditores poderão solicitar documentação, especialmente um PGR atualizado, que deve incluir os riscos psicossociais. A proposta é promover um ambiente de adaptação antes de qualquer penalidade, embora as empresas precisem começar efetivamente a implementação.
Passivo Trabalhista em Ascensão
A introdução da NR-1 também levanta preocupações jurídicas. Antonio Vasconcellos Júnior, sócio-fundador do AVJ Advogados, aponta que a crescente demanda por ações trabalhistas relacionadas à saúde mental indica que as questões pertinentes ao bem-estar dos funcionários estão sendo cada vez mais consideradas no Judiciário.
Os dados são preocupantes:
- Mais de 5 mil ações relacionadas a riscos psicossociais desde 2014.
- Cerca de R$ 2,2 bilhões em disputas judiciais.
- Aumento de 28% nas ações por assédio moral entre 2023 e 2024.
- Crescimento de 14,5% em processos envolvendo burnout em 2025.
Esses números reforçam a necessidade de as empresas adotarem medidas proativas em relação à gestão de riscos psicossociais, visando não apenas o bem-estar dos seus colaboradores, mas também a proteção contra ações judiciais.
Rumo a um Futuro Sustentável
À medida que a implementação da NR-1 se torna uma realidade, fica evidente que a saúde mental está passo a passo se consolidando como um tema não apenas de recursos humanos, mas uma questão de produtividade, compliance e viabilidade financeira. O ambiente de trabalho está em constante evolução, e é fundamental que as empresas se adaptem a essa nova realidade.
Patrícia Ansarah ressalta que as inseguranças são um sintoma comum nesse processo. Gestores podem temer compartilhar informações com seus colaboradores, que, por sua vez, podem se sentir inseguros em agir. No entanto, essa dinâmica deve mudar. O ambiente atual exige um olhar mais atento sobre como as pessoas se relacionam no trabalho, destacando que é essencial compartilhar resultados e promover um diálogo aberto.
Considerações Finais
A NR-1 não é apenas um regulamento; é um marco que sinaliza uma mudança na forma como as empresas devem operar. A saúde mental dos colaboradores deixou de ser apenas uma pauta isolada para se tornar uma questão estratégica, vital para o sucesso empresarial. O momento de agir é agora, e as empresas precisam estar preparadas para enfrentar esse novo cenário.
Convidamos você a refletir sobre como sua organização está se adaptando a essa nova realidade. Quais medidas você acredita serem essenciais para promover um ambiente saudável e produtivo? Compartilhe suas experiências e opiniões nos comentários. Vamos juntos construir um futuro de trabalho mais saudável!


