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Brasil Conquista Reconhecimento Sanitário da China: Um Marco Histórico
Na última terça-feira (2), a Administração Geral das Alfândegas da China (GACC) e o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China (Mara) firmaram um comunicado que marca uma nova era nas relações comerciais entre Brasil e China. O Brasil foi oficialmente reconhecido como um território livre de febre aftosa sem vacinação, um resultado das negociações bilaterais que se estenderam por mais de 20 anos.
Esse reconhecimento representa a suspensão de proibições referentes à febre aftosa, que até então afetavam o norte do Brasil. A partir de agora, todo o território brasileiro ganha um status sanitário equivalente, facilitando o acesso do país a um mercado que já é um dos principais destinos para as exportações brasileiras. O anúncio coincidiu com o 5º Diálogo Estratégico Global Brasil-China, que começou no dia 1º de outubro, com a presença do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Um Salto Nas Exportações Brasileiras
Essa nova classificação não apenas reforça uma relação comercial que já é significativa, mas também abre portas para produtos que estavam limitados no mercado chinês. Em 2025, as exportações brasileiras de carnes para a China (incluindo Hong Kong) totalizaram 2,417 milhões de toneladas, trazendo uma receita de impressionantes US$ 10,764 bilhões (cerca de R$ 63,3 bilhões), de acordo com dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura.
Por tipo de proteína, a carne bovina destacou-se:
- Carne bovina: 1,747 milhão de toneladas, gerando US$ 9,199 bilhões.
- Frango: 326,6 mil toneladas e US$ 716,4 milhões, desempenho afetado por um embargo sanitário em maio.
- Carne suína: 270 mil toneladas e US$ 626,6 milhões.
O total de carnes exportadas para 170 países somou 10,4 milhões de toneladas, com uma receita de US$ 31,804 bilhões.
Um Reconhecimento Esperado
O Brasil buscava esse reconhecimento desde junho de 2025, quando a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) concedeu ao país o status de área livre da doença sem vacinação. O ministro da Agricultura, André de Paula, reforçou essa demanda durante uma missão à China em maio. Além disso, a obtenção desse reconhecimento está intimamente relacionada a compensações às restrições impostas pela China sobre a carne bovina brasileira. Em 2026, foram estabelecidas cotas para importações de carne sem tarifas adicionais, uma resposta à pressão do mercado internacional.
Avanços Sanitários Importantes
Outra conquista sanitária relevante que complementa esse reconhecimento é a classificação do Brasil como “risco negligenciável” para a encefalopatia espongiforme bovina (EEB), também conhecida como mal da vaca louca, anunciada em fevereiro deste ano. Essa classificação era um dos requisitos essenciais para que o Brasil pudesse avançar nas negociações e ampliar suas importações de proteína animal.
Com esses dois reconhecimentos, o Brasil está em posição de negociar também:
- Carne com osso.
- Miúdos suínos e bovinos.
- Produtos de maior valor agregado.
É importante observar que, apesar do Brasil já exportar carne para a China, existiam restrições que limitavam o acesso a cortes mais valiosos. Agora, os frigoríficos brasileiros competirão em igualdade de condições com países como Argentina e Austrália, que já atuavam mais livremente nesse mercado.
A História da Febre Aftosa no Brasil
A febre aftosa, uma doença altamente contagiosa que afeta animais de casco fendido, como bovinos, suínos, ovinos e caprinos, foi um desafio constante ao longo da história do agronegócio brasileiro. O primeiro surto foi registrado em 1895 no Triângulo Mineiro, e mais de um século de esforços culminaram neste reconhecimento.
Principais marcos na luta contra a febre aftosa:
- 1895: Primeira ocorrência da doença no Brasil, com impacto significativo na indústria agropecuária.
- 1951: Criação do Centro Pan-Americano da Febre Aftosa, promovendo a cooperação regional para o controle da doença.
- 1960: Início das campanhas de vacinação sistemática, que durariam mais de cinco décadas.
- 1988: Aprovação do Programa Hemisférico para Erradicação da Febre Aftosa, o maior esforço global contra a doença.
- 1998: Reconhecimento da primeira zona livre com vacinação.
Esses marcos mostram uma trajetória de superação que exigiu dedicação e colaboração entre governo e produtores.
A Evolução Rumo ao Status Livre Sem Vacinação
Após muitos altos e baixos ao longo de sua história, o Brasil finalmente conseguiu eliminar a febre aftosa, culminando na retirada da vacina. Em 2007, Santa Catarina foi o primeiro estado a ser reconhecido como livre de febre aftosa sem vacinação. Em 2018, o reconhecimento se estendeu a todo o território nacional.
O Plano Estratégico 2017-2026 do PNEFA, elaborado pelo Ministério da Agricultura, visou a transição gradual para um status livre da doença, culminando na certificação internacional em 2025.
Reflexão Final
Com a certificação agora na mão, o Brasil fecha um ciclo que começou há 131 anos com um surto sanitário e termina com a aceitação formal do maior importador de carne bovina do mundo. Essa história destaca não apenas os desafios enfrentados pelo setor, mas também a resiliência e o comprometimento de todos os envolvidos. O que antes era uma crise sanitária tornou-se, ao longo de décadas, uma oportunidade estratégica para o agronegócio brasileiro.
Curioso para saber como essa nova fase impactará o mercado? Compartilhe suas opiniões e vamos conversar sobre como as oportunidades podem surgir em meio a grandes mudanças!


