BB Seguridade supera estimativas no 3T, mas ação cai com resultado de baixa qualidade


A BB Seguridade informou lucro líquido de R$ 2,4 bilhões no terceiro trimestre de 2026 (3T26), resultado 5% menor que o de um ano antes, mas 8% acima das estimativas do mercado. Apesar da surpresa positiva, bancos avaliaram que o avanço em relação às previsões veio sobretudo de receitas financeiras e de resultados de participações, e não de uma melhora operacional. Às 10h11, as ações BBSE3 recuavam 4,02%, a R$ 39,16.

Lucro supera consenso, mas há ressalvas

O Bradesco BBI atribuiu o resultado acima do esperado ao desempenho mais forte da equivalência patrimonial em Brasilprev e Brasilcap e às receitas financeiras da holding, a empresa que concentra participações e atividades corporativas do grupo. Em relatório assinado por Marcelo Mizrahi e Renato Chanes, o banco avaliou o balanço de forma negativa por considerar que esses fatores não indicam melhora nas operações principais.

O relatório apontou, por outro lado, que a sinistralidade segue em nível saudável no acumulado do ano. O indicador mede a relação entre indenizações pagas e prêmios arrecadados. O banco também destacou que as receitas com taxas de administração da previdência continuam dando suporte aos resultados operacionais não financeiros.

O Morgan Stanley também considerou que o lucro superou as expectativas, mas avaliou que a qualidade do resultado foi baixa. Segundo o banco, a surpresa foi sustentada principalmente por uma carga tributária menor e receitas financeiras mais fortes, sem melhora nas tendências comerciais ou de subscrição — processo de avaliação e aceitação de riscos pelas seguradoras.

O Itaú BBA afirmou que o balanço não trouxe uma surpresa negativa, mas espera que o mercado dê mais atenção à trajetória dos prêmios e à redução das projeções da companhia do que ao resultado financeiro acima do previsto. Já o JPMorgan considerou o trimestre bastante positivo, mas ponderou que a pressão sobre as receitas pode pesar mais nas estimativas futuras do que o desempenho superior ao consenso.

Projeção de prêmios foi reduzida

A BB Seguridade manteve as estimativas para as reservas de previdência e para o resultado operacional, mas diminuiu a projeção para os prêmios emitidos. A nova faixa prevê retração de 15% a 11%. Antes, a companhia estimava um intervalo entre queda de 3% e crescimento de 2%. A previsão do Goldman Sachs era de recuo de 8%.

Os prêmios emitidos representam valores relacionados à contratação de seguros. A revisão, segundo a avaliação citada na notícia, reflete um ambiente ainda difícil, especialmente nos seguros ligados ao crédito, diante do ritmo mais fraco da atividade comercial do Banco do Brasil. O Bradesco BBI também afirmou que as tendências de crescimento dos prêmios da Brasilseg continuam fracas, o que deve limitar o potencial de geração de resultados da operação nos próximos anos.

Para o Goldman Sachs, os investidores devem concentrar a atenção na formação dos resultados de 2027, que tende a ser desafiadora, sobretudo na divisão de seguros. O banco considera que a comparação dos sinistros será mais difícil em relação a 2026 e que a fraqueza dos prêmios ganhos deve se prolongar nos próximos períodos.

A renovação do contrato de distribuição com o Banco do Brasil também deve entrar no foco dos investidores à medida que 2027 se aproxima, segundo o JPMorgan. O acordo é relevante para a distribuição de produtos da seguradora. O banco não detalhou, no texto, o andamento das negociações.

Bancos mantêm cautela com as ações

O Morgan Stanley reiterou recomendação de venda para BBSE3. Na avaliação do banco, a fraqueza do ambiente macroeconômico e a perspectiva de juros elevados por mais tempo podem continuar pressionando a procura por seguros e previdência, limitando o crescimento dos lucros no médio prazo.

O banco também observou que a ação é negociada a 9,4 vezes o lucro projetado para 2027. Para o Morgan Stanley, esse preço já considera uma renovação bem-sucedida do contrato de distribuição com o Banco do Brasil, o que deixaria menos espaço para absorver resultados abaixo do esperado ou novas revisões negativas.

O Itaú BBA também manteve recomendação de venda, diante do cenário operacional desafiador e de uma avaliação que considera justa. O banco calcula que os papéis negociam a 9,1 vezes o lucro estimado para 2027 e projetou dividend yield de 9,8% — indicador que relaciona os dividendos esperados ao preço da ação.

O JPMorgan manteve recomendação de venda e preço-alvo de R$ 35. Segundo o banco, a ação negociava a 9,2 vezes o lucro projetado para 2027. O Goldman Sachs reiterou classificação neutra e preço-alvo de R$ 40.

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