Os dados do Carrefour divulgados na França apontam para uma melhora nas vendas do Atacadão no terceiro trimestre de 2026 e podem indicar um cenário mais favorável também para o Assaí (ASAI3). A avaliação é da XP, que vê sinais de aceleração no atacarejo brasileiro apesar dos juros elevados e da fraqueza dos volumes em algumas categorias.
Vendas do Carrefour avançam no Brasil
As vendas nas mesmas lojas — indicador que compara unidades em operação durante períodos equivalentes, também chamado de LFL, sigla em inglês para vendas em lojas comparáveis — do Carrefour no Brasil cresceram 1,4% no terceiro trimestre. O resultado representa aceleração em relação à alta de 0,4% no segundo trimestre e uma reversão da queda de 0,8% registrada no primeiro.
O avanço foi impulsionado principalmente pelos alimentos. As vendas dessa categoria aumentaram 2,2% na comparação anual, acima da expansão de 0,7% observada no trimestre anterior. Segundo a XP, a melhora ocorreu mesmo com volumes ainda negativos no mercado alimentar.
O ambiente de consumo segue desafiador, de acordo com a análise. Os juros elevados continuam pressionando algumas atividades, especialmente a de construção e reforma, enquanto há fraqueza nos volumes em determinadas categorias. Ainda assim, os dados indicam uma melhora gradual das tendências operacionais entre grandes empresas do setor.
Atacadão acelera e amplia marca própria
No Atacadão, principal operação de atacarejo do grupo Carrefour, as vendas nas mesmas lojas cresceram 2% no terceiro trimestre. O indicador avançou em relação à alta de 0,5% no segundo trimestre e voltou ao campo positivo depois de recuar 1% nos três primeiros meses do ano.
A XP relaciona o desempenho a novas iniciativas comerciais, à melhora sequencial dos volumes vendidos e à expansão da marca própria de entrada Bulnez. A linha chegou a cerca de 300 itens, ante 200 no trimestre anterior.
Parte da evolução também se explica por uma base de comparação mais simples. Além disso, o Carrefour informou que o Atacadão continuou ganhando participação de mercado nas vendas mesmas lojas. O ritmo de expansão física permaneceu moderado: a companhia abriu duas unidades no período e encerrou o trimestre com 389 lojas de atacarejo no Brasil.
Indicadores podem favorecer o Assaí
Para a XP, os números do Atacadão reforçam uma perspectiva mais positiva para o Assaí no curto prazo. Na prévia de resultados, a casa projetava estabilidade nas vendas mesmas lojas da companhia no terceiro trimestre, depois de uma queda de 0,5% no segundo. A retração anterior havia sido afetada por efeitos de calendário e pela realização da Copa do Mundo.
A aceleração do Atacadão, porém, abre espaço para que o desempenho do concorrente supere essa estimativa. A leitura dos analistas é que os dados podem indicar um ambiente competitivo mais favorável para o atacarejo do que o esperado inicialmente, com possibilidade de resultados operacionais mais fortes também para o Assaí.
O impacto de uma eventual surpresa nas vendas pode ser relevante para as projeções da companhia. Segundo a XP, cada ponto percentual adicional de crescimento nas vendas mesmas lojas do Assaí poderia acrescentar cerca de R$ 21 milhões à estimativa de lucro líquido trimestral.
Esse efeito corresponderia a um impacto de 5% a 11% nas projeções para o terceiro trimestre, dependendo do reconhecimento de créditos tributários de PIS/Cofins. A faixa varia conforme a contabilização desses créditos, enquanto a expectativa de vendas permanece ligada à evolução dos indicadores do setor e do desempenho das empresas.

