Selic pode cair para 13,50% nesta semana; decisão do Copom está na agenda


O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide nesta quarta-feira (4) se altera a taxa básica de juros, a Selic. O Banco Daycoval espera um corte de 0,25 ponto percentual, de 13,75% para 13,50% ao ano, diante da desaceleração da economia brasileira, mas a volatilidade após as eleições presidenciais pode levar a autoridade monetária a agir com mais cautela.

A decisão ocorre em uma semana com indicadores de atividade e emprego no Brasil e nos Estados Unidos. Os dados podem ajudar investidores a avaliar o ritmo da economia e as perspectivas para os juros. No país, o mercado também acompanha a divulgação do emprego formal e da produção industrial.

Projeções para a Selic divergem

Em relatório divulgado na terça-feira (3), o Daycoval afirmou que a perda de força da atividade econômica favorece um novo corte. A instituição avalia, porém, que a piora dos preços dos ativos depois do resultado eleitoral aumenta a necessidade de cautela. Na análise do banco, essa volatilidade pode até levar o Banco Central a interromper o ciclo de redução dos juros.

Para o Daycoval, a deterioração dos ativos não deve alterar de forma relevante as projeções de inflação do Banco Central. Ainda assim, o cenário contribui para a incerteza sobre a decisão do Copom. A expectativa de corte da instituição contrasta com a da XP Investimentos, que prevê a manutenção da Selic em 13,75% ao ano.

A XP também espera um comunicado mais duro após a reunião, em resposta à deterioração do cenário de inflação. Em comunicado, a corretora afirmou que revisou suas projeções de política monetária e prevê estabilidade da taxa básica até o fim de 2027. Uma comunicação hawkish, termo usado para descrever uma postura mais preocupada com a inflação e favorável a juros elevados, reforçaria a sinalização de cautela.

Um levantamento com 105 instituições, realizado pelo jornal Valor Econômico, mostra a divisão entre as previsões: 72 casas esperam manutenção dos juros em 13,75%, enquanto 33 projetam corte. Antes do segundo turno das eleições, a maioria das estimativas apontava para uma redução de 0,25 ponto percentual.

Dados brasileiros medem a força da atividade

Também nesta quarta-feira será divulgado o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que registra as admissões e demissões no emprego formal. O Daycoval projeta a criação líquida de 180 mil vagas em setembro. O resultado é acompanhado como um indicador da resistência do mercado de trabalho.

Na quinta-feira (5), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publica os dados da produção industrial de setembro. A expectativa é de queda mensal de 0,2%, o que representaria a segunda retração consecutiva do setor.

As projeções para esses indicadores ajudam a compor o quadro de desaceleração econômica considerado pelo Daycoval. O banco estima que o Produto Interno Bruto (PIB), medida da produção de bens e serviços do país, cresça 1,8% em 2026 e 1,3% em 2027. A avaliação de atividade mais fraca é um dos argumentos da instituição para prever a redução da Selic.

Emprego nos EUA e decisão britânica no radar

Nos Estados Unidos, os investidores acompanham as informações sobre o mercado de trabalho. O relatório da ADP, previsto para quarta-feira, deve apontar a criação de 75 mil vagas no setor privado em outubro, abaixo dos 90 mil postos registrados no mês anterior, segundo o Daycoval.

Na sexta-feira (6), será divulgado o payroll, principal relatório de emprego americano. A projeção do banco é de abertura de 72 mil vagas em outubro, ante 29 mil em setembro. A taxa de desemprego deve permanecer em 4,2%.

Os números serão observados em meio à perspectiva de manutenção de uma política monetária restritiva nos Estados Unidos. O Federal Reserve, banco central americano, sinalizou preocupação com a inflação e com a resistência da atividade econômica. Esse cenário mantém os juros internacionais entre os fatores considerados pelos investidores.

Outra decisão prevista para a semana é a do Banco da Inglaterra, na quinta-feira. O Daycoval espera que a instituição mantenha a taxa de juros em 3,75%. No Brasil, o resultado do Copom será o principal evento para os mercados: se a projeção do Daycoval se confirmar, a Selic cairá para 13,50% ao ano; se prevalecer a expectativa da XP e da maioria das casas ouvidas pelo Valor Econômico, permanecerá em 13,75%.

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