A Simpar (SIMH3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 137 milhões nas operações continuadas no terceiro trimestre de 2026 (3T26), revertendo o prejuízo de R$ 128,6 milhões de um ano antes. O resultado, divulgado nesta quarta-feira (4), veio acompanhado de avanço do Ebitda e de redução da alavancagem, enquanto a venda da CS Porto Aratu ainda não foi concluída.
Receita cresce menos que o Ebitda
A receita bruta da holding, que reúne empresas como Movida (MOVI3), JSL (JSLG3) e Vamos (VAMO3), somou R$ 12,7 bilhões, alta de 4,6% na comparação anual. A receita líquida de serviços avançou 5,8%, para R$ 9,5 bilhões.
O Ebitda — resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização — subiu 19,9%, para R$ 3,5 bilhões. A margem sobre a receita líquida sem construção chegou a 30,4%, aumento de 4,1 pontos percentuais. Já o Ebit, indicador do resultado operacional antes do resultado financeiro, cresceu 24,1%, para R$ 2,15 bilhões.
O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 1,94 bilhão, mas ficou 6,3% menor que no 3T25. Pelo critério contábil, a Simpar teve lucro líquido de R$ 129,4 milhões, ante prejuízo de R$ 238,5 milhões no mesmo trimestre do ano anterior. O lucro atribuído aos controladores foi de R$ 35,2 milhões, depois de uma perda de R$ 246,2 milhões.
O retorno sobre o capital investido (ROIC, na sigla em inglês) dos últimos 12 meses, calculado na parte produtiva e sem o BBC, foi de 13,3%. O indicador ficou 2,8 pontos percentuais acima do custo de capital de terceiros.
“A gente está em uma fase do planejamento que é pós-construção de escala. É foco na extração de valor”, afirmou Denys Ferrez, diretor financeiro (CFO) da Simpar. Ele disse que a diferença entre o crescimento da receita, de cerca de 5%, e o do Ebitda, de 20%, reflete a expansão de margens. “A receita cresce, mas o Ebitda e a margem crescem mais. Essa é a extração de valor daquilo que a gente já construiu”, declarou.
Alavancagem cai e caixa cobre vencimentos
A relação entre dívida líquida e Ebitda encerrou o trimestre em 2,7 vezes, redução de 0,8 vez em 12 meses e menor nível desde a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), em 2010. A dívida líquida sem o BBC caiu 5,4% na comparação anual, para R$ 39,2 bilhões.
A posição consolidada de caixa somou R$ 14,5 bilhões, incluindo R$ 1,3 bilhão em linhas de crédito comprometidas ainda não utilizadas. Na holding, o caixa era de R$ 3,9 bilhões, montante suficiente para cobrir os vencimentos financeiros até meados de 2031.
A empresa captou R$ 4,6 bilhões no trimestre, com custo médio de CDI (Certificado de Depósito Interbancário) mais 2,2% ao ano e prazo médio de 4,7 anos. Também recomprou R$ 472 milhões em dívidas da holding. Com isso, o total recomprado em 2026 chegou a R$ 723 milhões, equivalente a 72% da meta anual de R$ 1 bilhão.
Ferrez afirmou que a companhia não depende de uma queda dos juros para cumprir seus planos. Segundo ele, a taxa considerada no planejamento de 2027 está alinhada às projeções atuais. “A gente não precisa que caia. A gente só tem que trabalhar para colocar o nosso portfólio em equilíbrio com as condições macroeconômicas”, disse.
Venda de ativo e operações societárias
Em julho, a Simpar anunciou a venda da CS Porto Aratu por R$ 1,8 bilhão em valor da firma, métrica que considera o valor da empresa. A operação representa um múltiplo de 5,8 vezes o capital investido em 3,6 anos. O fechamento ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e de autorização do poder concedente.
De acordo com a companhia, as transações de fusões e aquisições (M&A) anunciadas nos 12 meses anteriores geraram ganho de R$ 1,4 bilhão. O múltiplo médio foi de 2,9 vezes e a taxa interna de retorno (TIR) média, de 36% ao ano.
Em agosto, a CS Infra passou a deter 100% da CS Mobi Leste SP, enquanto a CS Brasil vendeu sua participação de 50% no BRT Sorocaba. A CS Infra receberá R$ 65 milhões líquidos com essas movimentações.
Resultados das empresas do grupo
A JSL teve receita líquida recorde de R$ 2,6 bilhões, alta de 5,7%. O Ebitda ajustado ficou estável em R$ 522,8 milhões, e o lucro líquido ajustado cresceu 12,5%, para R$ 40,3 milhões. A companhia registrou R$ 2,8 bilhões em novos contratos, recorde, e alavancagem de 2,6 vezes. Ferrez disse que a reorganização das operações em JSL Dedicados, JSL Conecta e Intralog atende a uma demanda antiga e facilita a originação de negócios.
Na Movida, o lucro líquido de R$ 152,1 milhões avançou 117,4%, acima da projeção da empresa para o trimestre. O Ebitda recorde foi de R$ 1,8 bilhão, alta de 21,4%, e a receita líquida chegou a R$ 3,9 bilhões, crescimento de 2,8%. A companhia informou NPS, indicador de satisfação e recomendação de clientes, de 90% e 767 mil novos clientes no aluguel de carros. Seu ROIC em 12 meses foi de 16,6%, com diferença de 5,8 pontos percentuais sobre o custo de capital.
A Vamos registrou lucro líquido de R$ 150,9 milhões, três vezes o valor do 3T25 e o quarto trimestre consecutivo de alta. O Ebitda alcançou recorde de R$ 1 bilhão, aumento de 15,7%, com ocupação da frota de 89% e alavancagem de 2,9 vezes.
A Automob vendeu 25,8 mil veículos leves, alta de 16,3%, e 2,9 mil pesados, crescimento de 19,7%. Seu prejuízo líquido ajustado diminuiu para R$ 52,1 milhões, melhora de R$ 13,6 milhões em relação ao ano anterior. Na CS Infra, a receita líquida de serviços aumentou 189,3%, para R$ 93,3 milhões; o Ebitda foi de R$ 47,3 milhões, alta de 221,8%, e o lucro líquido, de R$ 24,2 milhões. A empresa projeta Ebitda de R$ 524 milhões em 2029. A CS Brasil teve receita líquida de serviços de R$ 128,5 milhões, estável, e Ebitda ajustado de R$ 26,9 milhões.
O BBC encerrou o trimestre com carteira de crédito de R$ 3,3 bilhões, avanço de 53,8%, e inadimplência de 4,4%. Segundo a Simpar, esse índice ficou 2,2 pontos percentuais abaixo da média de mercado.

