Reação ao Copom, indústria, balanços e BoE marcam a agenda desta quinta-feira


Os mercados brasileiros devem acompanhar nesta quinta-feira (5) os efeitos da decisão do Banco Central de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano e a divulgação de resultados de empresas. A autoridade monetária interrompeu, por unanimidade, uma sequência de cinco cortes para avaliar as perspectivas econômicas após a eleição presidencial de outubro.

Juros e balanços no radar

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), anunciada na quarta-feira (4), mantém o custo básico do crédito no país no mesmo nível. A pausa na redução dos juros ocorre enquanto investidores avaliam o cenário econômico e político após a eleição.

A temporada de balanços também concentra a atenção no pregão. Magazine Luiza, Brava Energia e PetroReconcavo estão entre as empresas com resultados previstos para esta quinta. Assaí, Sabesp, Ânima e Vivara também divulgam seus números.

Na véspera, o Ibovespa interrompeu uma sequência de quedas registrada desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O principal índice da Bolsa brasileira fechou em alta, em movimento apoiado pelo cenário externo. As ações da Petrobras, porém, recuaram com a forte queda do petróleo no mercado internacional.

Indicadores e decisões no exterior

A agenda econômica desta quinta-feira inclui indicadores no Brasil e nos Estados Unidos, além de decisões de juros em outros países. Às 9h, o Banco da Inglaterra anuncia sua decisão de política monetária. No mesmo horário, o Brasil divulga a Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente a setembro. A previsão indicada para o dado é de queda de 0,1% na comparação mensal.

Nos Estados Unidos, os pedidos semanais de auxílio-desemprego serão divulgados às 10h30. Às 11h10, Tom Barkin, do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, participa de um painel em um evento institucional. Às 13h, Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), participa de outro evento.

O Banco Central do México anuncia sua decisão de política monetária às 16h. No Brasil, o presidente Lula participa, às 15h30, da primeira reunião do Conselho Nacional de Minerais Críticos. Às 19h, está prevista uma transmissão ao vivo do presidente com André Janones.

Disputa política nos Estados Unidos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quarta-feira que a guerra contra o Irã valeu a pena, embora tenha reconhecido que o conflito teve papel nas derrotas eleitorais de meio de mandato. O Partido Republicano perdeu o controle do Congresso, segundo o relato da notícia.

“A questão do Irã era algo que precisávamos fazer, e continuamos a fazer”, disse Trump a jornalistas. Os democratas conquistaram a maioria no Senado e na Câmara dos Deputados nas eleições de terça-feira. A reação foi associada à insatisfação com a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

Os adversários políticos do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, usaram o resultado nos Estados Unidos para argumentar que ele desperdiçou décadas de apoio bipartidário norte-americano a Israel. Os rivais buscam uma oportunidade para formar um governo sem Netanyahu.

Impeachment no Paraguai e pauta brasileira

No Paraguai, 35 deputados da oposição apresentaram uma acusação para dar continuidade ao processo de impeachment do presidente Santiago Peña. Eles o responsabilizam pela crise após a intervenção no banco digital Ueno, que deixou milhares de clientes sem acesso aos recursos. Os parlamentares pediram a convocação de uma sessão extraordinária na Câmara para tratar do caso na quinta-feira.

No Brasil, a aprovação unânime da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública pelo Senado, na terça-feira (3), foi mais uma vitória legislativa do governo Lula com apoio de parlamentares da oposição. A votação se soma à aprovação do fim da escala de trabalho 6 por 1 e à ampliação do limite de faturamento dos microempreendedores individuais (MEIs), medidas aprovadas pelo Congresso em menos de um mês também com votos de partidos adversários do PT.

Lula fará um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão neste domingo (8). Segundo informação atribuída ao Estadão/Broadcast, o presidente deve dizer que continuará perseguindo as metas fiscais e que também cumprirá promessas de campanha. A fala, de acordo com o relato, busca acalmar o mercado e promover uma ideia de pacificação do país.

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