O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano, interrompendo o ciclo de cortes diante da piora nas expectativas de inflação. As projeções para o câmbio também foram revistas, enquanto o cenário de juros altos por mais tempo levou a uma recomendação neutra para as ações brasileiras, apesar de indicadores de valuation considerados atraentes.
Juros altos e câmbio pressionado
A decisão do Copom foi apresentada como uma pausa para controlar os preços, sem indicação de que um novo aperto monetário seja necessário de imediato. A projeção é que a Selic permaneça em 13,75% até o encerramento do ano seguinte. A avaliação considera a volatilidade dos cenários doméstico e internacional.
Para o dólar, as estimativas apontam cotação de R$ 5,30 no fim de 2026 e de R$ 5,50 no encerramento de 2027. A moeda brasileira perdeu valor no fim de outubro, depois de um período de estabilidade em 2026. Entre as pressões citadas estão a alta dos prêmios de risco — retorno adicional exigido por investidores diante de incertezas — e a piora do ambiente externo.
As projeções de câmbio também variam conforme as premissas econômicas. Em um exercício com cinco cenários, a cotação vai de R$ 4,80 por dólar na hipótese mais favorável a R$ 6,10 em uma situação de maior estresse. A amplitude mostra como as estimativas dependem das condições consideradas para cada cenário, enquanto os valores de R$ 5,30 e R$ 5,50 representam as projeções para o fim de 2026 e de 2027, respectivamente.
Ibovespa recebe recomendação neutra
A estimativa para o valor justo do Ibovespa ao fim de 2027 é de 200 mil pontos, o que representa potencial de alta de 19%. Como esse retorno projetado se equipara ao rendimento oferecido pela renda fixa local, a avaliação para as ações brasileiras passou a ser neutra. A revisão indica cautela na alocação, mesmo com indicadores que apontam preços descontados.
O múltiplo Preço/Lucro (P/L), que relaciona o preço de uma ação ao lucro da empresa, recuou para 8,2 vezes. Já o prêmio de risco avançou para 4,5%. Apesar dessas mudanças, os dois indicadores ainda estão longe dos níveis mais descontados registrados historicamente. A leitura apresentada, portanto, combina potencial de valorização com uma comparação menos favorável diante da renda fixa.
Balanços e investimento em data centers
Na temporada de resultados do terceiro trimestre de 2026, PRIO e Vibra Energia apresentaram números expressivos, enquanto o Itaú mostrou consistência. A Tenda teve desempenho abaixo das projeções do mercado. Entre os balanços previstos para as semanas seguintes estão os de Petrobras, Banco do Brasil e Casas Bahia.
Também está em foco a forma como grandes empresas de tecnologia financiam a infraestrutura de inteligência artificial. Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta e Oracle direcionam quase toda a geração de caixa para construir e operar data centers, complementando os recursos com dívidas e contratos de arrendamento.
Apesar dos juros elevados, a maior parte dessas companhias mantém balanços desalavancados, ou seja, com baixo peso de dívidas em relação à estrutura financeira, e rentabilidade compatível com o capital aplicado. Oracle e as chamadas neoclouds são apontadas como exceções a esse padrão. O uso de caixa próprio, crédito e arrendamentos compõe a estrutura de capital do grupo para sustentar os investimentos em centros de dados.
Eleição nos EUA não muda teses centrais
A apuração das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos confirmou a vitória dos democratas no controle da Câmara e do Senado, além da conquista de cinco governos estaduais. A avaliação é que o resultado não altera as teses centrais para o mercado acionário americano, embora mudanças no Legislativo possam ter efeitos pontuais.
Os fatores considerados determinantes para a trajetória das ações continuam sendo os lucros das empresas, as taxas de juros e o volume de aportes no ecossistema de inteligência artificial. Assim, a mudança na composição política é tratada como um elemento de impacto limitado diante dessas variáveis econômicas e empresariais.

