ROCA11: A Revolução do Financiamento no Agronegócio
Nos últimos tempos, o ROCA11, um Fiagro da Ceres Investimentos, tem se destacado no universo do crédito para o agronegócio. Após concluir a alocação de recursos de sua segunda emissão, o fundo já contabiliza cerca de 95% de seu patrimônio investido, com um rendimento médio que chegou a CDI + 5,1% em julho.
Uma Estrutura Inovadora para o Setor Agro
A estratégia do ROCA11 é focada na vinculação próxima à cadeia do agronegócio, utilizando recebíveis pulverizados e adotando uma gestão ativa. O objetivo é captar possibilidades de financiamento num cenário onde a demanda é alta e as instituições tradicionais estão mais rígidas na concessão de crédito.
De acordo com Pedro Baumeier, gestor da carteira, o ROCA11 surgiu em um momento de limitação de crédito, direcionando seus esforços para o segmento que mais precisa de suporte financeiro.
“Identificamos uma fase de aperto e não de euforia, onde as instituições financeiras estavam restringindo o custeio. A demanda por crédito continua crescendo enquanto a oferta diminui, tornando esse cenário um prêmio para quem empresta”, destaca Baumeier.
Oportunidades no Mercado de Capitais
Segundo Baumeier, a intensificação do financiamento do agronegócio através do mercado de capitais é uma tendência que vai além da atualidade. O crescimento do setor demanda mais recursos do que as linhas de crédito subsidiadas podem acomodar.
- O crédito rural governamental está vinculado a uma realidade orçamentária que não dá conta das necessidades do agronegócio.
- Alternativas como os Fiagros surgem como uma solução viável para atrelar o capital disponível no mercado à necessidade financeira do setor.
A Ceres observa que a queda em algumas emissões, longe de indicar um recuo no mercado de capitais, pode representar uma mudança nas preferências dos investidores. Por exemplo, entre 2026 e 2027, enquanto as emissões de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) diminuíram, a captação de recursos por meio de Fiagros teve um aumento significativo.
A Originação Local e a Pulverização dos Recebíveis
Um dos aspectos que distingue o ROCA11 é sua abordagem para originação de operações. Situada em Uberaba, no Triângulo Mineiro, a Ceres realiza a maior parte de sua originação através de redes locais de parceiros, como revendas de insumos que são monitoradas há anos.
Isso significa que as decisões de crédito são baseadas em informações bem fundamentadas sobre o comportamento dos devedores, ao contrário do que muitas vezes acontece em financiamentos baseados apenas em dados remotos.
A estratégia também é focada na pulverização dos recebíveis, garantindo que as obrigações financeiras não fiquem concentradas em uma única fonte. A distribução do pagamento entre diferentes produtores minimiza risco:
- Recebimentos baseados em documentos fiscais pulverizados entre centenas de sacados.
- Mitigação do impacto negativo caso um único devedor enfrente dificuldades financeiras.
Diversificação e Gestão Ativa
Embora a pulverização dos recebíveis seja uma parte fundamental da proposta do ROCA11, a Ceres também está comprometida em diversificar ainda mais o portfólio. Baumeier revela que há planos de reduzir a concentração dos emissores e incrementar novas operações nos próximos meses.
“Estamos em uma missão consciente para ampliar a diversidade da nossa carteira. Nosso objetivo é adquirir CRAs corporativos, que podem enriquecer nosso portfólio”, explica o gestor.
Esse esforço faz parte de uma estratégia maior de gestão ativa, onde a capacidade de adaptar e alterar o portfólio conforme novas oportunidades surgem é vital. A Ceres está posicionada para gerar resultados positivos à medida que seus investimentos no crédito se solidificam.
Entendendo os Desafios do Cenário Econômico Atual
Os atrativos do ROCA11 estão intrinsecamente ligados às operações de crédito que oferecem bons prêmios. Contudo, é crucial que os investidores estejam cientes de que a taxa média de carrego não corresponde necessariamente a rendimentos passados ou promessas futuras.
“Essa taxa média que observamos agora serve como uma perspectiva para o valor patrimonial da cota, mas não deve ser confundida com rentabilidade já entregues pelo fundo”, destaca Baumeier.
Os riscos associados ao crédito privado, como a inadimplência dos devedores e a liquidez das cotas, são cruciais:
- Não há garantia de fundo; por isso, a inadimplência pode impactar fortemente a cota.
- Aliado a isso, há um risco de liquidez, com os FIAGRO frequentemente negociando abaixo do seu valor patrimonial.
Vislumbrando o Futuro e As Oportunidades no Mercado
Apesar da crescente demanda por crédito privado, a Ceres está atenta a fatores que podem alterar esse cenário, como mudanças climáticas ou flutuações na taxa Selic.
Um exemplo é o fenômeno do El Niño, que pode impactar aqueles que já estão em situações financeiras desfavoráveis. Entretanto, a empresa também está identificando oportunidades no mercado secundário, especialmente em casos onde ativos podem ser comprados a preços descontados.
A pulverização continuará a ser uma prioridade para fortalecer ainda mais o fundo:
“Estamos focados em diversificar, mesmo que isso não gere retorno imediato. Afinal, é uma forma eficaz de mitigar riscos”, conclui Baumeier.
Por fim, a habilidade de ajustar a carteira às condições do mercado é um aspecto central da estratégia do ROCA11. Como Baumeier enfatiza, “temos uma gestão ativa e estamos sempre preparados para mudar a rota quando necessário, mantendo nossos cotistas informados e engajados.”
Com a segunda emissão quase integralmente alocada, o ROCA11 começa uma nova fase em sua jornada, aproveitando ao máximo a combinação de originação local, pulverização de recebíveis e uma gestão ativa profundamente conectada ao futuro do agronegócio no Brasil.



