A Revolução Verde: Como a Agricultura Regenerativa Transforma o Futuro, segundo o Dono da Bright Tide


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Harry Wright criou o Programa de Agricultura Regenerativa para capacitar produtores ao redor do mundo

### Uma Revolução Verde nas Montanhas Italianas

Em janeiro de 2024, uma viagem a Castel Del Giudice, uma pequena aldeia italiana cercada por pomares de maçã e conhecida por sua dedicação ao cultivo orgânico, mudou a trajetória de Harry Wright, fundador e CEO da Bright Tide, uma consultoria ambiental britânica. Ao se encontrar com Carmine Valentino Mosesso, um jovem agricultor comprometido com a agricultura regenerativa, Wright percebeu o poder transformador de práticas agrícolas que respeitam o meio ambiente.

Quem diria que uma conversa simples pudesse deixar uma impressão tão profunda? Mosesso, um defensor das tradições de cultivo na região montanhosa de Molise, é um exemplo vivo de como a agricultura pode envolver a biodiversidade e restaurar ecossistemas. Através de seus métodos regenerativos, ele trouxe de volta até mesmo os lobos à sua propriedade – animais que haviam desaparecido da região por anos, retomando seus papéis essenciais nos ciclos ecológicos.

### O Impacto da Agricultura Regenerativa

Wright teve a oportunidade de aprender sobre a agricultura regenerativa, que se opõe às práticas extrativas da agricultura convencional. Ao invés de exaurir a terra, essa abordagem visa restaurar e enriquecer os ecossistemas tanto terrestres quanto marinhos. Os benefícios são claros:

– **Solo saudável**: Práticas que promovem a saúde do solo aumentam a sua capacidade de sequestrar carbono.
– **Conservação da biodiversidade**: Metodologias que promovem a diversidade de espécies contribuem para o equilíbrio do ecossistema.
– **Resiliência climática**: Técnicas que melhoram a capacidade dos sistemas agrícolas de resistir a eventos climáticos severos.

Essas práticas não apenas protegem o meio ambiente, mas também criam melhores condições de vida para os agricultores, oferecendo um modelo mais sustentável e resiliente para o futuro da produção de alimentos.

### A Criação do Programa de Agricultura Regenerativa

Tocado pela experiência na Itália, Wright decidiu integrar esses ensinamentos à sua consultoria e sonhar com um futuro onde agricultores não apenas cultivam, mas também restauram paisagens. Foi assim que nasceu o Programa de Agricultura Regenerativa da Bright Tide, que visa empoderar produtores de todo o mundo, fornecendo ferramentas para que se tornem rentáveis e impactem positivamente o meio ambiente.

Um dos conceitos centrais dessa iniciativa é a abordagem “wholescape” – ou “paisagem completa”, que considera a interconexão entre os ecossistemas marinhos e terrestres. Com ela, Wright e sua equipe buscam ajudar agricultores a enxergar suas ações dentro de um contexto ecológico mais amplo. Sangeeta Laudus, conselheira sênior da Bright Tide, destaca a importância da troca de conhecimentos:

“Do escoamento de nutrientes provocado pela agricultura intensiva ao uso de bioestimulantes de algas marinhas, o programa ajuda os agricultores a perceberem como suas práticas impactam um sistema interconectado.”

### A Experiência Imersiva do Programa

O programa, lançado em fevereiro de 2024, não é apenas teórico. Ele oferece uma experiência prática e imersiva, onde os participantes têm a oportunidade de se tornar aprendizes ativos. Realizado em colaboração com players significativos do setor, como Hogan Lovells e Kennedys, o programa aproveita sua expertise para organizar workshops e mentorias personalizadas.

Entre as iniciativas participantes, destacam-se:

– **Chirrup AI**: Uma plataforma que gerencia a biodiversidade em fazendas.
– **New Foundation Farms**: Focada na agricultura vertical e no fornecimento de alimentos.
– **Ficosterra**: Especializada em biotecnologia marinha.
– **The Oyster Restoration Company**: Dedicada à regeneração de recifes nativos de ostras.

Os participantes têm acesso a conexões valiosas, oportunidades de networking, e até a palestras de influentes do setor, como a ministra do clima do Reino Unido, Kerry McCarthy.

### O Caminho para a Sustentabilidade

Uma recepção no Parlamento britânico destacou a importância da união entre setores públicos e privados na transição para práticas agrícolas sustentáveis. Eventos como o Bankers for Net Zero, que reúne diversos atores em prol da neutralidade de emissões, abordam a necessidade urgente de colaboração.

Para empreendedores, como Megan Sorby, que fundou uma iniciativa de agricultura circular na Flórida, o programa representa uma oportunidade de crescimento significativo. Ela diz: “A capacidade de Harry e sua equipe de unir diferentes setores para iniciar discussões essenciais não pode ser superestimada.”

### Conexões e Inovação

A firma de Sorby, a Pine Island Redfish, utiliza resíduos de nutrientes para cultivar plantas como manguezais, essenciais para a estabilização costeira. Thomas Gent, da Gentle Farming, menciona que o programa o ajudou a fazer contatos essenciais para o desenvolvimento de seu negócio.

Após um intenso período de aprendizado, a culminação do programa ocorreu em uma apresentação na sede do Barclays, em Canary Wharf, onde os participantes compartilharam suas ideias inovadoras com investidores de renome. O ex-músico e fundador da Wildfarmed, Andy Cato, inspirou o público com sua transição da música para a agricultura regenerativa, mostrando que o movimento não é restrito a um único setor ou indústria.

### O Futuro da Agricultura Regenerativa

Enquanto o mundo enfrenta desafios ambientais crescentes, iniciativas como a da Bright Tide emergem como faróis de esperança. Com regulamentações da União Europeia, como a Lei de Restauração, e o aumento da conscientização sobre as cadeias de suprimento, a agricultura regenerativa se torna uma necessidade.

“Isso não é uma tendência — é uma necessidade”, afirma Laudus, que acredita na interconexão dos ecossistemas como uma chave para o futuro agrícola sustentável.

Recentemente, a Bright Tide lançou um Relatório de Impacto que explora o uso da inteligência artificial para auxiliar agricultores em suas práticas. O novo programa, que durou oito semanas, serviu para conectar produtores às inovações em IA, permitindo que eles analisassem a saúde do solo e otimizassem o uso da água em tempo real.

Por fim, a Bright Tide já planeja a segunda edição do Programa de Agricultura Regenerativa para 2025, ampliando o alcance e o impacto de suas iniciativas. Harry Wright afirma: “O estado do nosso mundo natural é preocupante, mas as oportunidades de transformação estão diante de nós. Não podemos continuar do mesmo jeito. Aqueles que estão dispostos a inovar encontrarão um mundo repleto de possibilidades.”

E assim, em um cenário global que clama por mudanças, a mensagem da Bright Tide ressoa: às vezes, as soluções mais revolucionárias são simplesmente aquelas que permitem que a natureza mostre o caminho.

*Daphne Ewing-Chow é colaboradora da Forbes EUA. Jornalista especializada em sistemas alimentares e meio ambiente, com passagens pelo The New York Times, The Sunday Times e Entrepreneur Magazine.

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