Artigo adaptado e traduzido do inglês, publicado pela matriz americana do Epoch Times.
A tão aguardada reunião entre Estados Unidos e China, realizada em 30 de outubro na Coreia do Sul, trouxe um alívio momentâneo nas tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo. Os líderes de ambas as nações celebraram a ocasião como um passo significativo em direção à reconciliação.
O que foi decidido na reunião?
Durante o encontro, ficou decidido que:
- A China retomaria suas compras de soja, que estavam paralisadas há meses.
- As tarifas portuárias retaliatórias foram suspensas.
- Os controles sobre a exportação de minerais de terras raras, fundamentais para a indústria tecnológica, também foram temporariamente suspensos.
O presidente Donald Trump elogiou a reunião, avaliando-a com nota 12 em uma escala de 10, enquanto Xi Jinping, líder do Partido Comunista Chinês, descreveu o encontro como “um novo começo”. Entretanto, por trás das declarações otimistas, muitos especialistas questionam a durabilidade dessa trégua e a real intenção da China em honrar seus compromissos.
Desafios à vista
Sun Kuo-hsiang, professor de Relações Internacionais na Universidade Nanhua de Taiwan, comparou a situação a um “analgésico diplomático”, que alivia os sintomas, mas não resolve a causa. O analista econômico Christopher Balding também fez uma analogia, dizendo que a situação se parece com um “cessar-fogo”, que tende a ser frágil.
Balding observa que o histórico do Partido Comunista Chinês (PCCh) em relação a promessas feitas em negociações não é confiável. “A maioria dos cessar-fogos não dura muito”, alertou. As questões não resolvidas — como direitos humanos, a situação em Taiwan e a agressão militar da China — estão à espreita, prontas para ressurgir e potencialmente comprometer a paz momentânea.
O cenário econômico da China
A China entrou nas negociações em um momento delicado, lidando com uma crise no setor imobiliário e um panorama econômico crescente de dificuldades. Com a economia em desaceleração, muitos chineses enfrentam dificuldades para encontrar emprego, e até mesmo as grandes empresas estão lutando para sobreviver. A pressão econômica está empurrando o governo a buscar alívios através de acordos como o de 30 de outubro.
“Xi precisa fazer concessões, mas são concessões sem entusiasmo”, comentou Yeh Yao-yuan, presidente do Departamento de Estudos Internacionais da Universidade de St. Thomas. A necessidade de estabilizar a economia parece estar impulsionando a China a buscar um acordo, mesmo que temporário.
As incertezas das promessas
A questão da confiabilidade das promessas feitas pela China em negociações anteriores é uma preocupação constante. Quando a China entrou na Organização Mundial do Comércio, comprometeu-se a abrir seus mercados e proteger os direitos de propriedade intelectual. Contudo, esse compromisso não se concretizou de maneira significativa, resultando em um cenário onde as empresas chinesas dominam os mercados com produtos subsidiados e frequentemente, falsificados.
Muitas vezes, o que acaba acontecendo é um desencontro entre intenção e ação. Scott Bessent, ex-secretário do Tesouro dos EUA, destacou que “não é uma disputa entre os EUA e a China, mas sim a China contra o mundo.” Esse sentimento de desconfiança geral em relação à confiança do PCCh nas negociações é um reflexo da dinâmica política e econômica global.
Concessões e acordos contingenciais
O acordo alcançado em 30 de outubro oferece um breve alívio nas tensões, mas muitas questões não abordadas ainda pairam no ar. A indefinição sobre o futuro das relações entre EUA e China persiste, especialmente em tempos de incertezas políticas e econômicas.
A decisão sobre como abordar outros temas críticos, como direitos humanos e Taiwan, está longe de ser resolvida, e a falta de detalhes facilita a possibilidade de mal-entendidos. “Falar uma coisa e fazer outra — isso é típico do PCCh”, afirmou Yeh. As promessas podem facilmente se transformar em palavras vazias se não forem acompanhadas por ações concretas.
Além disso, o governo dos EUA enfrenta os riscos de uma recessão econômica, o que pode forçar ajustes nas políticas comerciais e econômicas. E enquanto isso, Pequim se prepara para um futuro onde busca uma autossuficiência crescente, principalmente em tecnologia e setor industrial.
A nova dinâmica global
Os Estados Unidos estão cada vez mais focados em eliminar riscos em suas cadeias de suprimentos e diversificar suas fontes de insumos. Isso está levando a uma busca ativa por parcerias em diversas regiões do mundo, incluindo alianças recentes com países do Sudeste Asiático e nações ricas em recursos na Ásia Central. O objetivo é garantir independência e segurança nas suas relações comerciais.
Essa nova abordagem é uma resposta à crescente rivalidade entre as duas potências, mas especialistas como Wang Guo-chen, do Instituto Chung-Hua de Pesquisa Econômica, afirmam que ambos os países ainda não estão prontos para arcar com o custo de uma completa desvinculação.
O horizonte ainda é nebuloso, mas a busca por segurança e autonomia tornou-se a “nova norma” nas relações internacionais, mudando radicalmente o conceito de dependência mútua que dominou por muito tempo.
Reflexões finais
A relação entre Estados Unidos e China é complexa e multifacetada, envolvendo questões de economia, política e ideologia. Como os acontecimentos recentes mostram, uma simples reunião pode trazer promessas de alívio, mas o verdadeiro teste será a capacidade de ambos os lados de honrar os compromissos e lidar com as questões não resolvidas que permanecem em sua relação.
A fórmula para uma convivência pacífica e produtiva entre as nações no futuro pode depender da transparência nas negociações e no cumprimento das promessas feitas. Com os desafios que estão à frente, é essencial que tanto a China quanto os EUA adotem uma postura de diálogo sincero e ações concretas para evitar que as tensões voltem a escalar.
Assim, o futuro das relações entre as duas superpotências continua em aberto, e cabe a cada um de nós acompanhar de perto os desenvolvimentos, questionar e refletir sobre o impacto que essas interações têm em nossa realidade global.
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