O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) antecipou uma perspectiva otimista para 2026: um superávit na balança comercial brasileira que deve alcançar US$ 72,1 bilhões. Este valor representa um aumento de 5,9% em relação ao superávit de US$ 68,1 bilhões registrado em 2025. Essa previsão foi divulgada recentemente, alinhando-se com as expectativas anteriores do governo, que variavam entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões.
Uma parte essencial desse resultado positivo é o agronegócio, que respondeu por quase 50% das exportações brasileiras no ano passado. Entretanto, os primeiros meses de 2026 mostram que o setor pode enfrentar um desempenho um pouco menos estável do que o habitual.
A Força do Agronegócio e os Números de 2025
Em 2025, o agronegócio brasileiro teve um desempenho impressionante, com exportações que somaram US$ 169,2 bilhões, o que representa um crescimento de 3% em relação ao ano anterior. Esse valor é recorde na série histórica e corresponde a praticamente metade de todas as exportações do país. O comércio agropecuário, que inclui tanto exportações quanto importações, totalizou US$ 189,4 bilhões, resultando em um saldo superavitário de US$ 149,07 bilhões.
2026: Começo Promissor, Mas Com Desafios à Vista
O primeiro bimestre de 2026 seguiu a tendência positiva, com as exportações do agronegócio alcançando US$ 12,05 bilhões em fevereiro, o que marca o melhor resultado histórico para esse mês. Esse montante representa 45,8% de todas as exportações brasileiras durante este período. Em relação a fevereiro de 2025, houve um crescimento de 7,4%, impulsionado por um aumento de 9% no volume de produtos exportados.
As importações de produtos agropecuários, por sua vez, totalizaram US$ 1,5 bilhão, uma queda de 9,1% em comparação com o mesmo mês do ano anterior, resultando em um superávit de US$ 10,5 bilhões para o setor. Este valor é 10,3% superior ao mesmo período de 2025.
No último mês de março, as exportações da agropecuária somaram US$ 8,2 bilhões – um leve aumento de 1,1% em relação a março de 2025. Entretanto, dados preliminares até a terceira semana do mês apontaram uma queda de 13,4%, totalizando US$ 5,5 bilhões nesse período. A baixa nas exportações de café, que caiu 30,5% em março devido a problemas nos cronogramas de embarque, impactou significativamente os números.
De janeiro a março, o comércio exterior do Brasil apresentou um desempenho positivo, com exportações totais de US$ 82,338 bilhões – uma alta de 7,1%. As importações foram de US$ 68,2 bilhões, subindo 1,3%, resultando em um superávit de US$ 14,175 bilhões no primeiro trimestre, 47,6% maior que o verificado no mesmo período do ano passado.
Desafios no Mercado Norte-Americano e Oportunidades na China
Um ponto de preocupação para o restante de 2026 é o desempenho no mercado dos Estados Unidos, onde as exportações brasileiras caíram 9,1% em março. Este foi o oitavo mês consecutivo de redução de vendas para o mercado americano, pressionadas por tarifas adicionais. Contudo, as exportações para a China mostraram um vigor considerável, com um aumento de 17,8% em março, totalizando US$ 10,490 bilhões.
Perspectivas de Mercado e Estratégias para o Agronegócio
A diversificação de mercados tem sido uma estratégia crucial para o agronegócio brasileiro. Desde 2023, o setor ampliou sua atuação em 525 novos mercados, além de aumentar em cerca de 15% as exportações de produtos não tradicionais. Essa abordagem ajuda a mitigar os impactos de um ambiente internacional desafiador, marcado por tensões geopolíticas e protecionismo crescente.

De acordo com o MDIC, para 2026, as exportações totais estão projetadas em US$ 364,2 bilhões, enquanto as importações devem totalizar US$ 292,1 bilhões. Isso representa um aumento de 4,6% nas exportações e 4,2% nas importações em relação a 2025. Apesar dos obstáculos do cenário internacional, o diretor de estudos de comércio exterior do MDIC, Herlon Brandão, confia que os números são sustentáveis, baseando-se em bons índices domésticos.
“Sabemos que o cenário internacional apresenta desafios, mas pelas informações que temos até agora, analisando a atividade econômica, a taxa de câmbio e o consumo, os modelos indicam que esse resultado é factível”, afirmou.
Brandão também ressaltou a resiliência do comércio exterior brasileiro: “Por mais que existam variações, ao observarmos a trajetória e os níveis, notamos que o comércio exterior brasileiro permanece relativamente estável e capaz de resistir a crises.”
As projeções mais detalhadas e atualizadas serão apresentadas em julho pelo MDIC. Até então, o recorde histórico de superávit da balança comercial brasileira permanece com o valor de US$ 98,9 bilhões, registrado em 2023.


