A Amazon informou nesta quinta-feira (29) uma queima de caixa de US$ 42,4 bilhões nos 12 meses encerrados em setembro e projetou receita de US$ 240 bilhões a US$ 247 bilhões para o quarto trimestre. A perspectiva para o período de festas de fim de ano e o fluxo de caixa livre pressionaram as ações da empresa, que caíram mais de 7% no pregão estendido.
No pregão regular, os papéis da varejista recuaram 4,3%, para US$ 243,79. A projeção de receita para o trimestre ficou em uma faixa que vai de abaixo a acima da estimativa média dos analistas, de US$ 244,51 bilhões, segundo dados compilados pela LSEG. Ainda assim, o mercado reagiu negativamente às perspectivas apresentadas pela companhia.
Investimentos pressionam o caixa
A queima de caixa ocorreu em um período de forte investimento. A Amazon registrou despesas de capital de US$ 77,26 bilhões no trimestre encerrado em setembro, cerca de US$ 20 bilhões a mais do que as estimativas compiladas pela LSEG. Despesas de capital são recursos aplicados em ativos e infraestrutura, como instalações e equipamentos.
A empresa manteve a previsão de investir cerca de US$ 220 bilhões em despesas de capital ao longo do ano. O resultado contrasta com o trimestre anterior, quando a Amazon reportou queima de caixa de US$ 7,6 bilhões, e com o terceiro trimestre do ano passado, quando gerou US$ 14,8 bilhões.
Jesse Cohen, analista sênior da Investing.com, apontou o fluxo de caixa livre e as “previsões fracas” como motivos para a queda das ações. “O relatório do terceiro trimestre da Amazon foi uma dupla decepção”, afirmou. O fluxo de caixa livre corresponde aos recursos que restam depois dos gastos operacionais e dos investimentos da empresa.
AWS cresce acima das estimativas
Apesar da pressão sobre o caixa e da reação negativa dos investidores, a Amazon Web Services (AWS), divisão de computação em nuvem da companhia, apresentou crescimento superior ao esperado. A receita da unidade avançou 39% no terceiro trimestre, para US$ 46 bilhões. Os analistas previam alta de 38,2%, que levaria o faturamento a US$ 45,61 bilhões, de acordo com a LSEG.
O avanço da AWS acelerou em relação ao segundo trimestre, quando a receita da divisão cresceu 37%. A unidade registrou no terceiro trimestre seu ritmo de expansão mais rápido em quase cinco anos. Nos últimos anos, o negócio de nuvem ganhou peso na atenção dos investidores, enquanto a Amazon amplia os investimentos em centros de processamento de dados e disputa espaço no desenvolvimento de inteligência artificial.
O desempenho da AWS, porém, não eliminou a preocupação com o volume de recursos direcionado a investimentos. A manutenção da previsão anual de despesas de capital em cerca de US$ 220 bilhões sinaliza que a empresa continua comprometida com esse nível de gastos, mesmo após a queima de caixa reportada.
Expectativas para as vendas de fim de ano
A projeção para o quarto trimestre também chama atenção por coincidir com a temporada de festas, período importante para o varejo. A fonte atribui a cautela das perspectivas à possibilidade de consumidores reduzirem os orçamentos de compras diante da alta dos preços da gasolina e do custo de vida. Esse cenário pode dificultar o desempenho de varejistas dos Estados Unidos.
As previsões do setor, no entanto, apontam para crescimento das vendas de fim de ano em relação ao ano passado. No início deste mês, a Federação Nacional de Varejo dos Estados Unidos estimou aumento de 4,2% no total das vendas da temporada. A expectativa do setor convive com a sinalização mais cautelosa da Amazon para o próprio faturamento no trimestre.
O comércio eletrônico segue como a maior parte da receita da companhia. Para atrair compradores, a Amazon tem ampliado globalmente os serviços de entrega mais rápida e expandido sua presença em áreas rurais dos Estados Unidos. A combinação entre varejo e computação em nuvem mantém a empresa exposta tanto às condições de consumo quanto à necessidade de financiar investimentos em infraestrutura.