Os contratos futuros de milho, soja e trigo negociados em Chicago fecharam em queda nesta terça-feira, pressionados pelo avanço da colheita nos Estados Unidos, pela liquidação de posições de fundos e pela valorização do dólar. A oferta maior de grãos norte-americanos e as preocupações com a competitividade das exportações do país pesaram sobre os preços.
Milho recua ao menor nível desde julho
O contrato de milho mais negociado na Chicago Board of Trade (CBOT), bolsa de commodities de Chicago, caiu 6,25 centavos de dólar e encerrou a US$ 4,4875 por bushel. No início do pregão, chegou a US$ 4,485, menor cotação desde 10 de julho.
A pressão sobre o cereal veio do ritmo de colheita nos Estados Unidos. Com mais produto chegando ao mercado, os estoques podem aumentar e a oferta disponível para exportação pode crescer. Analistas também apontaram a liquidação de posições por fundos, movimento que contribuiu para as baixas enquanto os grãos colhidos avançam sobre o mercado norte-americano.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos informou, em relatório divulgado na segunda-feira, que a colheita de milho estava 60% concluída até domingo. O resultado superou a estimativa média de uma pesquisa da Reuters com dez analistas.
Soja cai em faixa estreita
Os futuros de soja oscilaram dentro de uma faixa estreita durante a sessão, mas terminaram em baixa. O contrato da CBOT recuou 9,5 centavos e fechou a US$ 12,43 por bushel. Até domingo, 79% da colheita norte-americana estava concluída, em linha com as expectativas do mercado, segundo o relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.
O avanço das colheitas coloca mais milho e soja à disposição dos compradores, em um período em que os fundos também reduzem posições. Esse cenário contribuiu para a queda dos contratos. A movimentação dos preços também foi influenciada pelas perspectivas para as exportações, já que operadores avaliam se a valorização do dólar pode reduzir a procura pelos produtos dos Estados Unidos.
Um dólar mais forte encarece as mercadorias norte-americanas para compradores estrangeiros quando comparadas a produtos de outros países. Por isso, a alta da moeda pode diminuir a competitividade das exportações de grãos e soja dos Estados Unidos.
Dólar e trigo também pesam no mercado
O trigo da CBOT caiu 5,75 centavos e encerrou a US$ 6,1025 por bushel. Durante o pregão, o contrato chegou a US$ 6,0975, menor nível desde 9 de julho. O cereal foi pressionado por preocupações cambiais e pela avaliação dos operadores sobre o potencial das exportações de grãos da região do Mar Negro.
As oscilações cambiais estavam no radar dos participantes do mercado. Na segunda-feira, o real se desvalorizou acentuadamente em relação ao dólar após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O movimento reverteu o sentimento otimista de investidores que havia surgido depois que o rival de direita de Lula liderou o primeiro turno das eleições no início do mês.
Nesta terça-feira, o dólar também avançou frente ao euro, ao iene e à libra esterlina. Operadores se preparavam para reuniões de bancos centrais que poderiam definir as perspectivas para as taxas de juros, além de acompanhar resultados corporativos com potencial de repercutir nos mercados.
“Os mercados de grãos estão pagando por serem excessivamente otimistas”, disse Don Roose, presidente da US Commodities, empresa com sede em Iowa. “Estamos voltando a uma avaliação realista dos preços, à medida que desfazemos todo o sentimento de alta que vimos neste outono.”