Bolsonaro pede visitas de Marinho e Tereza Cristina em meio à disputa pelo Senado


A defesa de Jair Bolsonaro pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para que os senadores Rogério Marinho e Tereza Cristina visitem o ex-presidente em sua residência, onde ele cumpre pena pela condenação na trama golpista. O pedido ocorre durante a articulação da oposição para a eleição da presidência do Senado, prevista para fevereiro de 2027, na qual os dois parlamentares são apontados como possíveis adversários de Davi Alcolumbre.

Disputa pelo comando do Senado

O Partido Liberal (PL) oficializou na quarta-feira (4) a candidatura de Marinho à presidência do Senado. A legenda terá 29 senadores na próxima legislatura e formará a maior bancada da Casa. O senador também conta com o apoio do Novo e busca ampliar sua base entre parlamentares do Progressistas (PP), do Republicanos e de outras siglas de centro-direita.

Tereza Cristina, senadora pelo PP de Mato Grosso do Sul, mantém a intenção de disputar o cargo. Ela e Marinho afirmam que pretendem chegar a um entendimento para evitar que a oposição divida seus votos na eleição. A definição de uma candidatura única é, portanto, um dos pontos em negociação entre os dois parlamentares.

O pedido de visita aproxima Bolsonaro dos dois nomes citados na disputa, mas a solicitação, por si só, não define qual deles terá o apoio do ex-presidente. A notícia não informa se Moraes autorizou o encontro nem se Bolsonaro já se manifestou sobre a candidatura de Marinho ou a intenção de Tereza Cristina.

Ex-ministros de Bolsonaro

Marinho e Tereza Cristina integraram o governo Bolsonaro. Marinho comandou o Ministério do Desenvolvimento Regional, enquanto a senadora esteve à frente do Ministério da Agricultura. A relação política dos dois com o ex-presidente faz com que uma eventual conversa na residência possa ocorrer em meio às tratativas sobre a eleição do Senado, embora o conteúdo do encontro não tenha sido informado.

A disputa envolve também Alcolumbre, do União Brasil do Amapá, que busca permanecer na presidência da Casa. Segundo o texto, ele tem o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT). Assim, a movimentação da oposição inclui tanto a tentativa de construir uma candidatura competitiva quanto a escolha de quem representará esse grupo na eleição marcada para fevereiro de 2027.

Influência política do ex-presidente

Bolsonaro continua sendo uma referência para integrantes do PL e parlamentares ligados ao bolsonarismo, mesmo cumprindo pena em prisão domiciliar. A aproximação de Marinho e Tereza Cristina com o ex-presidente ocorre enquanto a direita reorganiza suas lideranças após a derrota de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial.

Uma manifestação de apoio de Bolsonaro poderia influenciar as negociações internas, sobretudo entre senadores eleitos com uma agenda de oposição ao STF e ao governo Lula. Esse possível peso político ajuda a contextualizar o pedido de visita, mas não permite antecipar o resultado da disputa. Os dois senadores seguem apontados como possíveis candidatos, enquanto afirmam buscar um entendimento para evitar a divisão dos votos oposicionistas.

A eleição ainda está prevista para fevereiro de 2027, e o PL já tornou pública a candidatura de Marinho. Tereza Cristina, por sua vez, não abandonou a intenção de concorrer. O pedido encaminhado a Moraes acontece nesse cenário de articulação, no qual o partido tenta ampliar apoios e a oposição ainda precisa resolver se terá um único nome para enfrentar Alcolumbre.

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