O Ibovespa oscilava perto da estabilidade no fim da manhã, depois de subir no início da sessão e tentar prolongar a recuperação iniciada na véspera, quando interrompeu uma sequência de seis pregões de queda. O movimento refletia a alta do minério de ferro e do petróleo, mas perdeu força com a abertura em baixa dos mercados dos Estados Unidos e diante de incertezas sobre juros e contas públicas no Brasil.
Às 11h46, o principal índice da Bolsa brasileira recuava 0,05%, aos 167.430,25 pontos. Durante o dia, chegou a cair 0,22%, para 167.190,29 pontos, e a subir 0,85%, até 168.994,33 pontos. O índice havia começado a sessão aos 167.565,05 pontos.
Commodities dão apoio, mas exterior limita alta
A valorização inicial acompanhou o avanço da maioria dos índices de ações do Ocidente e a alta de matérias-primas. Em Dalian, na China, o minério de ferro subiu 1,77%. No mercado internacional, o petróleo Brent avançava 2,85%, a US$ 97,35 por barril. A correção do preço do petróleo após a queda do dia anterior favorecia ações do setor, especialmente as da Petrobras.
Gabriel Mota, analista de renda variável da Manchester Investimentos, descreveu o movimento como uma tentativa de “respiro”. Segundo ele, alguns papéis, como Vale e Petrobras, começavam a avançar diante da possibilidade de um fim da guerra no Irã, enquanto outros setores continuavam fracos. Mota afirmou que a movimentação de parte das ações também pode contribuir para deixar o Ibovespa mais equilibrado.
O desempenho das bolsas americanas, porém, pesou sobre o índice brasileiro. Os investidores acompanhavam os efeitos das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, realizadas na terça-feira, em que os democratas conquistaram a Câmara e o Senado, segundo o texto de origem. O presidente Donald Trump sinalizou que não pretende reduzir as tarifas comerciais impostas por seu governo após a derrota republicana.
A vitória democrata foi interpretada como um fator que pode reduzir a margem de ação de Trump nos próximos dois anos. Na avaliação descrita no mercado, isso abre espaço para menor pressão sobre a inflação e os juros. A expectativa havia contribuído para a queda do petróleo e a alta das bolsas no dia anterior; nesta sessão, a recuperação da commodity ajudava as ações do setor.
Juros e contas públicas seguem no radar
No Brasil, investidores avaliavam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), órgão do Banco Central (BC) responsável por definir a taxa básica de juros. Na véspera, o colegiado manteve a Selic em 13,75% ao ano, como esperado, sem antecipar os próximos passos. O comunicado indicou cautela e afirmou que a política monetária restritiva será mantida pelo tempo necessário para levar a inflação à meta.
O BC apontou que, apesar de uma desaceleração mais forte da atividade econômica, a inflação e as expectativas continuam pressionadas. Também destacou o aumento dos riscos inflacionários, associados a fatores como petróleo, câmbio e incertezas fiscais. Para Mota, a dificuldade de o Banco Central reduzir os juros limita o avanço de setores cíclicos, mais sensíveis à atividade econômica. Ele disse que o mercado também espera sinais de corte de gastos pelo governo.
Kevin Oliveira, sócio e advisor da Blue3, afirmou que os investidores não estão precificando as promessas do governo. Ao comentar o Imposto Seletivo, chamou a medida de “mais uma forma de aumentar a receita sem cortar gastos”. O tributo, conhecido como “imposto do pecado”, foi enviado ao Congresso por medida provisória, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Ele declarou que a cobrança não tem finalidade arrecadatória, alcançará poucos setores e deixará a indústria isenta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
Durigan também disse que a Selic está em nível bastante alto e é ruim para a economia, e que é preciso criar condições para a taxa cair. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará um pronunciamento à nação no domingo para defender uma ideia de pacificação e afirmar que haverá responsabilidade fiscal ao longo de seu quarto mandato. As incertezas sobre a situação fiscal no próximo mandato continuam entre as preocupações dos investidores.
Indicadores e balanços ampliam a agenda
Além de juros e política fiscal, o mercado acompanhava a divulgação da produção industrial de setembro e balanços de empresas. C&A, Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) e Porto Seguro estavam entre as companhias com resultados em avaliação. Depois do fechamento da B3, a bolsa brasileira, eram esperados os balanços trimestrais de Suzano, Assaí, Allos, Lojas Renner e Sabesp, entre outras empresas.
No exterior, o Banco da Inglaterra elevou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 4%, conforme as expectativas. A combinação de indicadores, resultados corporativos, decisões de política monetária e notícias políticas mantinha o Ibovespa sem direção definida no fim da manhã, apesar do suporte oferecido pelas commodities.