
O agronegócio brasileiro está em alta e, mais uma vez, quebrou recordes no comércio exterior! Em julho, as exportações do setor atingiram impressionantes US$ 16,34 bilhões, um crescimento de 5,4% em comparação com os US$ 15,50 bilhões do mesmo mês no ano passado. Esse crescimento robusto garantiu ao agronegócio 47,9% do total das vendas externas do Brasil no período.
Nos primeiros sete meses do ano, as vendas do agronegócio somaram US$ 103,4 bilhões, um avanço de 6% em comparação a 2025, estabelecendo um novo recorde para o intervalo de janeiro a julho. As exportações de soja em grãos, que cresceram US$ 4,7 bilhões, e a carne bovina in natura, que adicionaram US$ 2,4 bilhões, foram os principais responsáveis por esse desempenho extraordinário.
Mesmo diante da queda nos preços internacionais de algumas commodities, o volume de produtos estratégicos mantiveram o superávit comercial em alta, mostrando a resiliência do setor.
Destaques de Crescimento: Recordes em Volume e Alta de Derivados
O complexo soja continua dominando o comércio mundial, com exportações de US$ 7,15 bilhões em julho, uma impressionante alta de 22,4%. O grão em si gerou US$ 5,87 bilhões (+17,4%), com um embarque recorde de 13,4 milhões de toneladas. O aumento de 7,4% no preço médio, que ficou em US$ 438 por tonelada, foi crucial para este desempenho.
Todo o crescimento do agronegócio neste mês foi impulsionado pelo aumento nas exportações de soja. A China, superando as expectativas, absorveu 70% das remessas, movimentando US$ 4,11 bilhões (+5,9%), enquanto outros mercados como a União Europeia, México e Irã também mostraram expansões significativas.
Outro grande destaque foi o óleo de soja, que viu suas exportações crescerem 184,3%, alcançando US$ 370,24 milhões com um volume de 309,05 mil toneladas (+143,5%). O mercado indiano foi um importante responsável por essa alta, absorvendo 87,3% do total exportado. Além disso, o farelo de soja também bateu recordes, aumentando para 2,42 milhões de toneladas (+17,6%) e gerando US$ 891,09 milhões (+28,6%), impulsionado pela demanda da União Europeia e pela recuperação das vendas ao Irã.
No setor de produtos florestais, a celulose alcançou um marco absoluto, com as vendas atingindo US$ 1,06 bilhão (+30,8%) e 1,97 milhão de toneladas (+2,9%). Esse aumento foi exacerbado por um crescimento de 27,1% nos preços médios, sendo que 42,6% da produção foi destinada à China.
Entre os produtos de proteínas, a carne de frango in natura atingiu sua maior marca para o mês de julho, gerando US$ 876,17 milhões (+33,9%) com um volume de 430,74 mil toneladas (+24,9%). Tanto a União Europeia quanto a China foram responsáveis pelo aumento significativo nas compras deste produto.
Nos sete primeiros meses do ano, outras categorias também mostraram marcas recordes:
- Carne bovina: recorde de US$ 10,5 bilhões (+30,1%) e 1,7 milhão de toneladas (+10,2%).
- Algodão não cardado: máxima de US$ 3,1 bilhões (+13,6%) e 2 milhões de toneladas (+21,5%), com destaque para a demanda da China (+145,4%).
- Bovinos vivos: faturamento recorde de US$ 932,3 milhões (+74,0%).
Desafios: Queda de Preços em Açúcar, Café e Algumas Carnes
Enquanto a soja e a celulose estão em ascensão, outros segmentos, como o complexo sucroalcooleiro e o setor cafeeiro, enfrentam dificuldades. A queda nos preços globais das commodities e a diminuição nas quantidades exportadas são desafios que precisam ser enfrentados.
O açúcar de cana, por exemplo, viu um declínio de 32,6% em seu valor, totalizando apenas US$ 849,61 milhões, comparado aos US$ 1,26 bilhão do mesmo mês em 2025. O volume exportado também caiu 19,2%, para 2,53 milhões de toneladas. As reduções nas compras de mercados tradicionais, como Malásia, Indonésia e Emirados Árabes, impactaram negativamente os resultados.
Em relação ao café verde, as exportações tiveram uma queda de 21,8% em receita, fechando em US$ 815,92 milhões. Essa contração deve-se tanto pela diminuição do volume embarcado (153,24 mil toneladas; -4,8%) quanto pela queda de 17,8% nos preços médios. A União Europeia e os Estados Unidos registraram quedas significativas nas compras, refletindo uma queda em cadeia.
Na pecuária, a carne bovina in natura teve um declínio de 5,8% em julho, somando US$ 1,45 bilhão, decorrente de uma queda de 17,7% na quantidade embarcada (227,94 mil toneladas). A retração das compras da China afetou drasticamente o desempenho, embora um aumento de 14,4% no preço médio tenha ajudado a evitar perdas maiores. Porém, no acumulado do ano, o saldo permanece positivo (+30,1%).
A carne suína também apresentou queda, de 6,5% em julho, com receita de US$ 277,93 milhões, impactada pela diminuição da demanda nas Filipinas. As exportações de milho também caíram 15,7% (US$ 415,23 milhões), acompanhadas de uma queda de 20,2% no volume embarcado.
Por fim, os Estados Unidos diminuíram suas importações do agronegócio brasileiro em 12,1% em julho (US$ 944,49 milhões) e acumulam uma queda de 23,3% no ano. Esse retrocesso nas vendas de produtos como o café verde e suco de laranja é preocupante e reflete um menor interesse do mercado americano.
Situação Estável: Importações, Insumos e Estrutura de Destinos
As importações de produtos agropecuários no Brasil mostraram uma leve retração de 2,8% em julho, totalizando US$ 1,75 bilhão. No acumulado dos primeiros sete meses, os gastos chegaram a US$ 11,7 bilhões, com uma queda de 1,4%. Os principais itens importados foram trigo (US$ 157,02 milhões) e papel (US$ 111,41 milhões).
O relatório do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) destaca que esses dados de importação não incluem insumos essenciais para a produção agrícola. Os fertilizantes, por exemplo, movimentaram US$ 1,77 bilhão em julho (+1,5%), totalizando US$ 8,8 bilhões no ano (+8,0%). Por outro lado, os defensivos agrícolas tiveram um desempenho abaixo do esperado, somando US$ 642,76 milhões no mês (-7,5%) e US$ 2,7 bilhões no acumulado do ano (-11,1%).
A dinâmica de compra entre os grandes importadores se manteve estável. A China se consolida como o maior parceiro comercial do agronegócio brasileiro, representando 34,5% do total vendido em julho (US$ 5,64 bilhões) e 35,0% no acumulado do ano (US$ 36,2 bilhões, aumento de 8,9%).
A União Europeia também manteve sua posição relevante, com 14,7% de participação em julho (US$ 2,4 bilhões; +3,7%) e 14,5% no ano (US$ 15,0 bilhões; +4,3%). Entre janeiro a julho, os cinco principais setores do agronegócio (complexo soja, carnes, produtos florestais, café e complexo sucroalcooleiro) representaram impressionantes 82,8% das vendas externas, mostrando um leve aumento em relação ao mesmo período do ano anterior.