A Bunge decidiu fechar sua unidade industrial em Campana, no norte da província de Buenos Aires, e interromper a produção de amônia e tiossulfato de amônio, insumos usados no setor de fertilizantes. A medida afeta diretamente mais de 130 empregos e pode alcançar também vagas indiretas ligadas à atividade fabril na região. Segundo informações de pessoas próximas à empresa, a decisão considera limitações de infraestrutura e tecnologia, além de mudanças no mercado e no fornecimento de matérias-primas.
Unidade antiga enfrentava limitações
A planta tinha mais de 50 anos de operação. De acordo com as informações divulgadas, a Bunge avaliou alternativas operacionais e comerciais antes de decidir pelo encerramento. Entre os fatores considerados estão o atraso tecnológico e a defasagem da infraestrutura, que, junto às oscilações do mercado, afetaram a rentabilidade e o equilíbrio financeiro do negócio ao longo dos anos.
O complexo se concentrava na fabricação de fertilizantes líquidos, sobretudo tiossulfato de amônio. A unidade também recebia amônia para processamento. A produção local de ureia, produto cuja fabricação utiliza amônia como matéria-prima, já havia sido interrompida anos antes.
A Associação de Cooperativas Argentinas (ACA) também tinha participação societária no polo. Segundo as informações disponíveis, a entidade respondia por 17,5% do total fabricado. O fechamento, portanto, afeta uma operação com participação de mais de uma empresa e interrompe a atividade de produção de insumos voltados à cadeia de fertilizantes.
Importações e custos pressionam a indústria
O anúncio ocorre em meio a críticas de diferentes setores da indústria argentina sobre a dificuldade de competir com produtos importados e de arcar com os custos de produção local. A flexibilização das importações aparece nesse debate, mas não é apontada como a única causa do encerramento da planta de Campana.
As condições de transporte e logística, o acesso a matérias-primas e as mudanças nas regras de mercado também compõem o quadro descrito. No caso da unidade da Bunge, as dificuldades estruturais de uma instalação antiga se somaram à perda de competitividade. A combinação desses fatores prejudicou a operação, segundo as informações sobre a decisão.
O fechamento amplia a sequência de paralisações industriais no município. Em maio, a fabricante Cabot encerrou as atividades em sua unidade de negro de fumo, material utilizado em aplicações industriais. Desde 2023, o polo químico regional também registrou o fechamento de linhas operacionais ligadas às empresas Archroma, Clariant e Barcan.
Campana acumula encerramentos industriais
A saída da Bunge se soma, assim, a mudanças na estrutura produtiva local. As interrupções em diferentes empresas recolocam em discussão a competitividade da indústria argentina diante de custos, limitações logísticas e dificuldades de abastecimento. No caso da unidade de fertilizantes, o tempo de funcionamento e a defasagem técnica foram apontados entre os fatores que comprometeram o desempenho.
O impacto imediato envolve os mais de 130 postos de trabalho diretamente ligados à planta. A possibilidade de reflexos em empregos indiretos também foi mencionada, embora não haja um número informado para essas vagas. O encerramento interrompe a fabricação de produtos destinados ao setor de fertilizantes e encerra uma operação industrial com décadas de atividade em Campana.
Bunge mantém operações no agronegócio argentino
O fechamento não significa que a Bunge deixará a Argentina. Interlocutores da companhia indicaram que o grupo pretende manter seus planos de investimento em infraestrutura e instalações industriais voltadas ao processamento de grãos e ao fortalecimento da agroindústria no país.
A empresa atua em diferentes etapas do agronegócio, incluindo captação, armazenagem e escoamento de grãos, além da moagem e do refino de oleaginosas para produzir óleos, gorduras e proteínas de origem vegetal. A estratégia abrange atividades desde a compra e a venda de safras até a fabricação de produtos de maior valor agregado.
Em 2023, a multinacional formalizou um acordo de fusão com a canadense Viterra, avaliado em mais de US$ 8,2 bilhões, equivalentes a R$ 43,5 bilhões pela cotação indicada. A operação tinha como objetivo ampliar o alcance internacional do grupo e consolidar sua presença nas etapas de suprimento, processamento e distribuição de produtos agropecuários.