Vladimir Putin voltou a ganhar terreno na guerra contra a Ucrânia com medidas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reduziram o apoio a Kiev e aliviaram a pressão sobre Moscou. Nas últimas semanas, Washington suspendeu sanções, interrompeu serviços de comunicação usados pelas forças ucranianas e pressionou o presidente Volodymyr Zelensky a aceitar exigências russas. A combinação aumenta a possibilidade de a Rússia consolidar o controle sobre territórios ocupados e influenciar as decisões futuras do governo ucraniano.
O apoio americano mudou o equilíbrio de uma guerra que, após quase cinco anos, alternou períodos de avanço dos dois lados. A avaliação é de que Putin aposta em prolongar o conflito e vê na redução da ajuda dos Estados Unidos uma oportunidade para alcançar objetivos que não conseguiu impor no campo de batalha.
Avanços militares e pressão sobre civis
As forças russas tiveram vantagem no início da invasão em grande escala. No outono de 2022, porém, a Ucrânia retomou áreas ocupadas, a ponto de Washington temer que Putin recorresse a uma arma nuclear para deter os avanços. Mais tarde, a frente de batalha entrou em um impasse, mas Kiev voltou a ganhar impulso na primavera passada, com novos mísseis de longo alcance, drones capazes de atingir rotas de abastecimento russas e sistemas de interceptação aprimorados.
Sem conseguir avançar de forma expressiva na linha de frente, Putin intensificou os ataques com foguetes e drones contra cidades e estruturas essenciais, especialmente redes de energia e abastecimento de água. A estratégia busca aumentar o sofrimento da população e, com isso, pressionar Zelensky a capitular, segundo a análise apresentada na notícia de origem.
A Rússia também ampliou a produção de mísseis balísticos e passou a usar o drone Geran 5, equipado com um motor de foguete chinês que, de acordo com o texto, as defesas aéreas ucranianas não conseguem interceptar. A combinação de maior número de tropas, capacidade industrial e novas armas alimenta a aposta de Putin de que Moscou pode persistir apesar do impasse. A redução do apoio dos Estados Unidos, sobretudo em defesa aérea, pode tornar o próximo inverno o mais severo para os ucranianos, afirma o texto.
Relação com Trump ganha efeito prático
Putin cultivou relações com Trump antes de o americano chegar à Presidência. Em 2013, Trump colaborou com Emin e Aras Agalarov para realizar o concurso Miss Universo em Moscou. Em 2016, atores russos interferiram na eleição americana para favorecer Trump e prejudicar Hillary Clinton, segundo a notícia. O texto afirma que não é possível provar se o roubo e a divulgação de e-mails da campanha democrata, somados a uma campanha nas redes sociais, alteraram o resultado, mas considera incontestável que Putin tentou influenciar a votação.
No primeiro mandato de Trump, sua admiração pública por Putin nem sempre se traduziu em mudanças profundas na política americana. Integrantes de sua equipe de segurança nacional, entre eles o conselheiro de Segurança Nacional H. R. McMaster, o secretário de Defesa James Mattis e o secretário de Estado Mike Pompeo, limitaram uma guinada pró-Rússia, de acordo com o texto. Na cúpula de Helsinque, em 2018, Trump questionou as conclusões dos serviços de inteligência dos Estados Unidos sobre a interferência russa e endossou a negativa de Putin.
Após a reeleição de Trump, em 2024, o impacto se tornou mais concreto. O governo encerrou a assistência militar e econômica direta à Ucrânia. Empresas americanas ainda podem vender algumas armas a países europeus para que sejam transferidas a Kiev, mas esse canal foi interrompido em alguns momentos e representa uma parcela pequena do fornecimento anterior. Os interceptadores dos sistemas Patriot, usados para derrubar mísseis, estão especialmente escassos; o texto relaciona a falta também ao uso de muitos desses equipamentos na guerra de Trump contra o Irã.
Trump também afirmou que a Ucrânia não entraria na Otan, a aliança militar liderada pelos Estados Unidos e países europeus, e pressionou Kiev a ceder o restante do Donbass, região que Putin tenta conquistar desde 2014. Em uma reunião no Salão Oval, em fevereiro de 2025, Trump repreendeu Zelensky. Mais recentemente, voltou a defender que a Ucrânia tenha um novo presidente, repetindo uma posição atribuída a Putin.
Sanções, comunicações e negócios
Nas últimas duas semanas mencionadas no texto, Trump suspendeu sanções para permitir a venda de exportações russas de diesel, medida que poderia render bilhões de dólares a Moscou. Também suspendeu novas sanções previstas na Lei Lindsey O. Graham de Sanções à Rússia e ao Irã de 2026, que havia assinado poucas semanas antes. Houve ainda interrupções no compartilhamento de informações de inteligência que apenas os Estados Unidos podem fornecer.
A Ucrânia também perdeu acesso, em alguns momentos, ao Starlink e ao Starshield, serviços de comunicação da SpaceX usados para orientar drones e acompanhar ameaças aéreas. A notícia afirma que não está claro se as interrupções foram ordenadas pelo governo americano ou por Elon Musk, dono da empresa e aliado de Trump. Os efeitos, porém, incluíram mais drones e foguetes russos atingindo alvos ucranianos e drones de Kiev caindo.
Representantes dos dois governos também negociaram possíveis acordos comerciais envolvendo ativos da petrolífera russa Lukoil, a venda do gasoduto Nord Stream 2 e investimentos russos em um projeto de gás natural liquefeito no Alasca. Se avançarem, os negócios podem gerar receitas para financiar a guerra, segundo o texto.
Resistência ucraniana e possível mudança política
Apesar da retirada do apoio americano, a Ucrânia não capitulou, e uma maioria sólida da população ainda defende continuar lutando, de acordo com pesquisas citadas na notícia. Países europeus também têm buscado preencher parte da lacuna deixada por Washington, enquanto empresas ucranianas de tecnologia de defesa desenvolvem sistemas para interceptar mísseis e drones russos.
Zelensky afirmou que o alívio da pressão sobre Moscou reforça a crença de Putin de que seus objetivos estão ao alcance. Ainda assim, a política dos Estados Unidos pode mudar depois das eleições de meio de mandato. Caso os democratas assumam o controle de uma ou das duas casas do Congresso, poderão investigar negociações comerciais com a Rússia, propor a retomada da ajuda à Ucrânia e buscar medidas para impedir interrupções do Starlink e do Starshield.
O texto avalia que um futuro presidente, democrata ou republicano, dificilmente manterá a atual política de Trump para a Rússia. Também afirma que a influência do presidente americano sobre a política externa pode diminuir nos dois anos seguintes. Nesse cenário, Putin teria menos chances de obter um acordo favorável no futuro, e um cessar-fogo negociado agora poderia ser mais vantajoso para Moscou.