Bunge supera projeções de Wall Street com lucro de US$ 2,56 por ação no terceiro trimestre


A Bunge superou as estimativas de analistas para o lucro ajustado no terceiro trimestre, encerrado em 30 de setembro, ao registrar US$ 2,56 por ação. O resultado ficou acima da média de US$ 2,44 projetada por Wall Street, segundo dados compilados pela LSEG, em um período de margens robustas no processamento de soja e de outras sementes oleaginosas.

Lucro supera projeções

A companhia, sediada no Missouri, divulgou o resultado nesta quinta-feira. A diferença entre o lucro ajustado por ação da Bunge e a estimativa média dos analistas foi de US$ 0,12. O dado coloca o desempenho trimestral acima do esperado pelo mercado, embora a notícia não informe o valor do lucro líquido total nem apresente uma comparação anual para o indicador por ação.

O desempenho ocorreu em meio a mudanças no mercado agrícola dos Estados Unidos. Desde o início da guerra com o Irã, os preços do milho e da soja no país subiram. A alta levou agricultores a acelerar a venda de grãos da safra do ano passado, depois de meses mantendo estoques enquanto os preços permaneciam baixos.

Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã impulsionaram a valorização e contribuíram para uma onda de vendas no Meio-Oeste americano. Agricultores transferiram milho, soja e trigo armazenados em silos para fabricantes de etanol e grandes empresas de comercialização de grãos, entre elas Bunge e Archer-Daniels-Midland (ADM), concorrente que deve divulgar seus resultados em 3 de novembro.

Vendas e processamento

As vendas líquidas trimestrais relacionadas ao processamento e ao refino de soja somaram US$ 11,4 bilhões, alta de 5,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. A companhia também informou que o segmento de processamento e refino de sementes oleaginosas teve vendas líquidas de US$ 4,3 bilhões, ante US$ 3,6 bilhões um ano antes.

A divulgação apresenta ainda os números do segmento de comercialização e moagem de grãos. As vendas líquidas dessa área cresceram 5,2% na comparação anual e chegaram a US$ 6,76 bilhões. Os indicadores mostram avanço nas vendas das atividades ligadas tanto às oleaginosas quanto aos grãos, enquanto a empresa também reportou lucro ajustado por ação superior à previsão dos analistas.

Os valores de US$ 11,4 bilhões e US$ 4,3 bilhões aparecem associados a descrições diferentes das atividades de processamento e refino. A informação divulgada não detalha a relação entre essas cifras nem apresenta uma conciliação entre elas. Por isso, os números são reportados separadamente, conforme as categorias mencionadas para as vendas trimestrais.

Guerra afeta preços agrícolas

A valorização dos grãos ocorreu junto com a alta do petróleo, também impulsionada pela guerra. O aumento do preço do combustível elevou, por sua vez, os preços de culturas usadas na produção de biocombustíveis. O milho, por exemplo, foi vendido por agricultores a fabricantes de etanol, conforme a movimentação descrita no mercado americano.

Esse contexto alterou o fluxo de produtos armazenados: após um período em que agricultores mantiveram grãos em silos diante de preços persistentemente baixos, a alta recente estimulou a venda dos estoques da safra anterior. A movimentação alcançou milho, soja e trigo e envolveu compradores industriais e grandes tradings.

Para a Bunge, o trimestre combinou vendas maiores em atividades de processamento, refino e comercialização com um lucro ajustado por ação acima da expectativa média. Os números divulgados permitem comparar as vendas de cada área com o mesmo período do ano anterior, mas não trazem projeções para os próximos trimestres nem uma estimativa do impacto financeiro futuro da guerra sobre a companhia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Quem leu, também se interessou