Chineses fecham compra de sorgo e trigo dos EUA por US$ 600 milhões


A Hang Tung Resources assinou nesta sexta-feira contratos de US$ 600 milhões para vender sorgo e trigo dos Estados Unidos a compradores chineses. O acordo foi fechado durante a Exposição Internacional de Importações da China, em Xangai, em um momento de incerteza sobre o ritmo das compras chinesas de produtos agrícolas norte-americanos e sobre o cumprimento de compromissos comerciais entre os dois países.

Os compradores são a Xiamen C&D Commodities, a Shanghai Shouyu Commercial Management e a Xiamen Mingsui Grains & Oils Trading, segundo Ian Wang, diretor de comercialização de grãos da Hang Tung. A operação representa uma oportunidade para exportadores agrícolas dos Estados Unidos, mas não elimina as dúvidas sobre a demanda chinesa nos próximos meses.

Acordo ocorre em meio a compras lentas

A preocupação se concentra nas importações chinesas de produtos agrícolas dos Estados Unidos que não sejam soja. Em maio, a Casa Branca informou que Pequim havia concordado em comprar anualmente US$ 17 bilhões desses produtos a partir de 2026. Para o ano em curso, a meta foi ajustada proporcionalmente, de acordo com o anúncio.

Apesar do compromisso, a China comprou US$ 7,2 bilhões em produtos agrícolas norte-americanos entre janeiro e setembro. O valor inclui itens como carne e milho e foi o menor para esse período desde 2019, quando Estados Unidos e China viviam a primeira guerra comercial. Os dados foram apresentados em uma análise examinada pela Reuters.

O ritmo das aquisições alimenta dúvidas sobre a possibilidade de as importações aumentarem de forma acentuada ainda neste ano. A lentidão também preocupa agricultores dos Estados Unidos, que enfrentam preços elevados dos combustíveis. Nesse contexto, os contratos de sorgo e trigo firmados pela Hang Tung indicam uma venda de grande porte, mas não esclarecem, por si só, como evoluirá o volume total das compras chinesas.

Tarifas seguem no centro das negociações

O Ministério do Comércio da China afirmou na quinta-feira que o país está disposto a comprar mais produtos agrícolas dos Estados Unidos, desde que os dois lados implementem o acordo recíproco de redução de tarifas. A posição sinaliza que as concessões tarifárias continuam ligadas à disposição de Pequim de ampliar as importações.

Wang disse esperar que o comércio agrícola entre os dois países permaneça amplamente estável no próximo ano, ao menos em linha com os volumes deste ano, enquanto o mercado acompanha a busca por uma relação bilateral mais estável. “Com base em nossa previsão, o próximo ano deve ser melhor do que este”, afirmou o executivo.

A avaliação também depende das negociações comerciais em andamento. Cary Sifferath, vice-presidente do Conselho de Grãos e Bioprodutos dos Estados Unidos, disse estar “cautelosamente otimista” sobre a possibilidade de aumento das exportações norte-americanas de milho e sorgo para a China. Para ele, esse avanço depende de as próximas reuniões entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping e as conversas bilaterais ajudarem a resolver as questões comerciais atuais.

Feira busca projetar abertura comercial

A assinatura dos contratos ocorreu na Exposição Internacional de Importações da China, conhecida pela sigla CIIE. Lançado pelo presidente chinês Xi Jinping em 2018, o evento foi concebido para promover a imagem do país como defensor do livre comércio e responder às críticas ao seu grande superávit comercial com outras economias.

Mesmo com essa iniciativa, os superávits comerciais da China com outros mercados continuaram a crescer. O saldo comercial total do país deve superar o recorde do ano passado, de aproximadamente US$ 1,2 trilhão. O contexto reforça a atenção sobre as relações comerciais de Pequim com seus parceiros, incluindo os Estados Unidos, e sobre a execução dos compromissos de compra de produtos agrícolas.

Para os exportadores norte-americanos, os contratos de US$ 600 milhões oferecem uma venda relevante de dois grãos, mas o quadro geral continua condicionado ao andamento das negociações e à aplicação das reduções tarifárias. Os números disponíveis até setembro mostram que as compras chinesas de produtos agrícolas dos Estados Unidos, excluída a soja, ainda estavam abaixo do compromisso anunciado para os próximos anos.

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