O Comitê de Política Monetária (Copom) anuncia nesta quarta-feira (4) sua decisão sobre a taxa básica de juros, em uma sessão que também terá dados de emprego no Brasil, balanços de empresas e indicadores dos Estados Unidos. O Itaú espera que a Selic permaneça em 13,75%, diante da piora do cenário externo e de pressões inflacionárias internas.
Decisão do Copom concentra atenção
Segundo a avaliação do Itaú, uma decisão unânime pela manutenção dos juros refletiria a deterioração do cenário econômico. O banco aponta um ambiente externo adverso e pressões inflacionárias maiores no Brasil, fatores que podem piorar ainda mais as expectativas de inflação, já consideradas desancoradas.
A agenda indica que o anúncio da taxa básica está previsto para as 18h30 e traz uma previsão de 13,5%. O número difere da projeção do Itaú, de 13,75%. A programação também inclui, às 5h, a divulgação do IPC, sem detalhar o indicador, e, às 14h30, dados semanais de fluxo cambial.
Outro dado doméstico previsto para hoje é o resultado do emprego formal em setembro, medido pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). A previsão indicada na agenda é de geração de 150 mil vagas.
Balanços e indicadores dos EUA
O calendário corporativo inclui resultados do terceiro trimestre de empresas de diferentes setores. Entre os destaques estão as varejistas de vestuário C&A, negociada sob o código CEAB3, e Riachuello, além da Minerva (BEEF3), da PRIO (PRIO3), da Vibra (VBBR4) e da Axia Energia (AXIA3).
Nos Estados Unidos, a agenda prevê às 10h15 dados de emprego no setor privado referentes a outubro, divulgados pela ADP. Às 10h30, será publicada a balança comercial de setembro, que reúne informações sobre exportações e importações. Já às 11h45, está prevista a divulgação do índice composto de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da S&P Global para outubro.
Os indicadores americanos serão acompanhados enquanto continuam as repercussões das eleições de meio de mandato. As projeções citadas na notícia apontavam 54 cadeiras para os democratas e 42 para os republicanos no Senado. Na Câmara, a vantagem democrata era de 219 a 132. A apuração começou na noite de terça-feira (3), mas a definição dos resultados poderia levar dias.
Negociações entre EUA, Irã e Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ao Financial Times que o país não tem planos imediatos de atacar o Irã. Em entrevista por telefone ao jornal, na terça-feira, ele disse estar satisfeito com o andamento do impasse entre os dois países. “Parece que estamos conseguindo tudo o que queremos”, declarou.
Na área comercial, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o governo brasileiro espera receber até a próxima semana uma proposta dos Estados Unidos sobre um possível acordo envolvendo tarifas aplicadas a produtos brasileiros.
Em 30 de setembro, Rosa e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniram-se com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, à margem de uma reunião de ministros de comércio do G20, em Milwaukee. Na ocasião, as autoridades americanas se comprometeram a encaminhar um esboço de proposta para um futuro acordo dentro de quatro semanas.
PEC da Segurança e decisão sobre a Meta
O Senado aprovou na terça-feira (3), em segundo turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, por 75 votos a zero. O texto seguirá para promulgação, em data ainda não definida. A aprovação foi considerada uma vitória para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que apoiou a proposta.
Os senadores também barraram a inclusão, no texto, de uma discussão sobre redução da maioridade penal. Um requerimento para retirar o tema da PEC e deixá-lo para análise posterior foi aprovado por 38 votos a 36. O líder da oposição, Rogério Marinho, defendia a redução para 16 anos em geral e para 14 anos em casos de crimes hediondos.
Em outra decisão, a Justiça de São Paulo concedeu uma liminar a entidades de imprensa em ação contra a Meta. A medida suspende novas regras comerciais da empresa e proíbe a coleta e o uso não autorizados de conteúdos de veículos associados, inclusive para desenvolver e treinar sistemas de inteligência artificial. A decisão foi tomada pelo juiz Guilherme Madeira Dezem, da 44ª Vara Cível, e atinge parte dos termos que entrariam em vigor em 20 de novembro. As condições permitiriam à Meta usar programas automatizados para acessar, copiar, armazenar e analisar reportagens, fotos, vídeos e outros materiais publicados nos sites das empresas de comunicação.