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Demanda por Créditos de Carbono: O Que Está por Trás dessa Revolução?
Nos últimos tempos, a crescente demanda por créditos de remoção de carbono, especialmente por empresas gigantes de tecnologia, tem gerado uma série de mudanças no mercado. Essa tendência é impulsionada principalmente pelo desejo de compensar as emissões causadas pelo uso da inteligência artificial, o que tem gerado uma escassez significativa de créditos de alta qualidade. Especialistas acreditam que essa situação é crucial para fomentar investimentos nesse novo e promissor mercado.
O Que Está Motivando a Demanda?
Nos últimos dois anos, empresas como Microsoft e Google têm feito grandes aquisições de créditos de carbono. Isso resultou em um aumento quase quatro vezes no custo desses créditos durante o ano de 2024, especialmente em comparação com os mais baratos, que estão atrelados a projetos de preservação florestal.
Desde 2019, essas grandes empresas de tecnologia investiram centenas de milhões de dólares em soluções de remoção de carbono. Nas palavras de especialistas em créditos, foram cerca de US$ 10 bilhões investidos em mercados à vista e contratos de longo prazo, de acordo com os dados da empresa CDR.fyi.
A Importância da Remoção de Carbono
Os cientistas afirmam que, para que o mundo consiga desacelerar o aquecimento global, é imprescindível implementar projetos de remoção de carbono. Isso se deve ao fato de que setores como o de geração de energia continuam utilizando combustíveis fósseis, contribuindo significativamente para as emissões de gases de efeito estufa.
Projetos que utilizam alternativas como o biochar, uma substância similar ao carvão que retém carbono, ou técnicas de captura direta de ar, estão sendo vistos como opções mais seguras e duradouras. Além disso, iniciativas que focam na recuperação de terras degradadas também são altamente valorizadas no mercado.
Tecnologia e Crescimento da Demanda
Com a expansão dos centros de dados para atender ao crescimento da inteligência artificial, as empresas de tecnologia estão aumentando seus lucros, mas também suas emissões de gases. Essa realidade tem sustentado uma demanda crescente por créditos de carbono.
O presidente-executivo da tecnologia climática Patch, Brennan Spellacy, observou que muitas empresas estão se utilizando da IA para impulsionar seus negócios. “As empresas que têm obtido bom desempenho estão investindo pesadamente em IA, que, por sua vez, gera lucros que alimentam os investimentos”, afirmou durante a COP30, a conferência sobre mudanças climáticas no Brasil.
Promessas e Polêmicas
As gigantes da tecnologia têm se comprometido a eliminar suas emissões líquidas ao longo do tempo. Contudo, é importante lembrar que os Estados Unidos se retiraram do Acordo de Paris em 2015, durante a presidência de Donald Trump. Um porta-voz da Microsoft comentou sobre a importância de enviar sinais claros de demanda através de contratos de longo prazo: “Isso pode desbloquear um ciclo virtuoso de inovação e financiamento”, explicou.
Desbalanceio entre Oferta e Demanda
Um dos principais problemas enfrentados no mercado de créditos de carbono é que a oferta não está conseguindo acompanhar a demanda. Dados da Patch mostram que cerca de um terço dos pedidos de compra foram para biochar, mas devido à oferta limitada, este produto representa menos de 20% das vendas.
Os créditos relacionados a reflorestamento foram solicitados em 25% das transações, mas apenas 12% foram efetivamente vendidos. “A busca por alta qualidade é muito real e reflete nos números”, afirmou Lukas May, diretor comercial da Isometric. Em 2024, foram adquiridas 8 milhões de toneladas de créditos de remoção de carbono sustentável, e somente neste ano, o número já alcança 25 milhões, muito impulsionado pelas grandes empresas de tecnologia.
A Escassez e as Saias da Autossuficiência
Diante dessa escassez, várias empresas estão optando por criar seus próprios créditos de carbono. Um exemplo é o Pure Data Centres Group, que planeja investir cerca de 24 milhões de libras (aproximadamente US$31,6 milhões) na construção do maior projeto de biochar do Reino Unido, na região de Wiltshire, com o objetivo de garantir uma fonte confiável de abastecimento.
“Ao avaliarmos os fornecedores, percebemos que encontrar um produto de qualidade era muito difícil. Decidimos que nossa melhor saída seria desenvolver nossa própria expertise nesse mercado”, ressaltou a CEO Dawn Childs. O projeto começará a operar em dezembro, com o objetivo de remover 9.000 toneladas de carbono por ano.
Reflexões Finais
Com a demanda superando claramente a oferta, as muitas incertezas e desafios que cercam o mercado de crédito de carbonos exigem uma atenção redobrada. É um momento crucial para que as empresas pensem estrategicamente a respeito de suas responsabilidades ambientais e das possibilidades de investimento.
Esse novo cenário não apenas aumenta a importância de práticas sustentáveis, mas também oferece uma oportunidade única para empresas que desejam se destacar num mercado em rápida transformação. O futuro do nosso planeta pode depender da criatividade e da inovação que cada um será capaz de implementar na busca por soluções para o aquecimento global.




