Presidentes na Avenida: A História das Homenagens no Carnaval
A presença de presidentes da República no Carnaval brasileiro, especialmente nas icônicas avenidas do samba, é uma tradição que remonta a várias décadas. Estas homenagens, que vão desde o reconhecimento de grandes feitos até a crítica social ácida, revelam como a política e a cultura popular se entrelaçam em momentos de celebração. Aqui, vamos explorar como diferentes presidentes foram retratados ao longo dos anos nas escolas de samba, destacando a evolução das homenagens num contexto político dinâmico.
Homenagens ao longo dos anos
As escolas de samba têm o poder de transformar líderes políticos em símbolos da identidade nacional, personagens históricos ou até alvos de crítica. Vamos entender como cada um dos presidentes foi abordado na avenida:
Getúlio Vargas
1956 – Mangueira: “Exaltação a Getúlio Vargas – Emancipação Nacional do Brasil”
- Essa foi a primeira vez que uma escola retratou um presidente como tema central de seu enredo, celebrando Vargas como um baluarte do nacionalismo.
1985 – Salgueiro: “Anos Trinta, Vento Sul”
- Aqui, a escola abordou a década de 1930, quando Vargas subiu ao poder, enfatizando as transformações sociais que aconteciam no país.
2000 – Portela: “Trabalhadores do Brasil: a época de Getúlio Vargas”
- Durante a comemoração dos 500 anos do Brasil, a Portela trouxe à tona a Era Vargas e suas contribuições para a legislação trabalhista, associando-o à figura do “pai dos pobres”.
Juscelino Kubitschek
- 1981 – Mangueira: “De Nonô a JK”
- O enredo celebrou a construção de Brasília e a imagem de modernidade de Juscelino, capturando seu lema de “50 anos em 5”.
Luiz Inácio Lula da Silva
Lula é o presidente mais retratado pelas escolas de samba e, curiosamente, o único a ser tema central durante seu mandato.
2003 – Beija-Flor: “O povo conta a sua história: saco vazio não para em pé”
- Apenas dois meses após sua posse, Lula foi apresentado como um símbolo de ascensão das classes populares, em uma narrativa voltada ao combate à fome e à desigualdade.
2012 – Gaviões da Fiel: “Verás Que o Filho Fiel Não Foge à Luta – Lula, o Retrato de Uma Nação”
- Este enredo biográfico mostrou a trajetória de Lula, desde suas raízes operárias até a Presidência.
2023 – Cidade Jardim (BH): “Sem medo de ser feliz”
- A escola, que é a mais antiga de Belo Horizonte, dedicou seu desfile a ele, destacando símbolos políticos associados ao PT.
2026 – Acadêmicos de Niterói: “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”
- O enredo abordou a infância de Lula e seus feitos políticos, gerando debates por coincidir com ano eleitoral.
Fernando Collor
- 1991 – São Clemente: “Já vi este filme”
- Um desfile crítico que utilizou humor para apontar ciclos políticos repetidos, destacando o confisco da poupança que afetou a população.
Dilma Rousseff
- 2012 – Vai-Vai: “Mulheres que Brilham”
- Dilma foi apresentada como um ícone da liderança feminina na política, enfatizando a importância da presença de mulheres em posições de poder.
Michel Temer
- 2018 – Paraíso do Tuiuti: “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”
- Com uma crítica social pesada, Temer foi retratado como um “vampiro neoliberalista”, em alusão às suas reformas trabalhistas e previdenciárias.
Jair Bolsonaro
2020 – Acadêmicos de Vigário Geral: “O conto do vigário”
- Uma crítica mordaz que trouxe simbolismos associados ao ex-presidente.
2020 – São Clemente: “O conto do vigário”
- Esse enredo apostou na sátira, capturando os bordões e estilo de governo de Bolsonaro de forma caricatural.
2022 – Rosas de Ouro: “Sanitatem”
- Um desfile polêmico que trouxe à tona a figura presidencial de forma irônica, ao fazer referências a declarações controversas de Bolsonaro durante a pandemia.
Celebração e Crítica: O Papel do Carnaval na Política
O Carnaval brasileiro se tornou um espaço poderoso para a expressão de sentimentos sobre a política e seus protagonistas. Os desfiles vão além de uma mera homenagem; eles refletem o pulseiro da sociedade, revelando tensões e anseios. Assim, ao longo do tempo, presidentes foram exaltados quando alinhados a projetos nacionais promissores ou criticados em cenas de tensão política e social.
A grande novidade em 2026 não é apenas a presença do presidente na avenida, uma prática já consolidada, mas a confluência do enredo central com o exercício da presidencialidade em um ano de eleições. Essa combinação gera um ambiente de expectativa e debate que promete engajar não apenas os foliões, mas também a sociedade em geral.
O que o Futuro Reserva?
Por fim, refletir sobre a intersecção entre política e carnaval é mais do que entender as homenagens e críticas; é enxergar um retrato da nossa sociedade em constante mudança. O Carnaval, com suas cores e ritmos, oferece um espaço único para gestos que vão desde a celebração e o orgulho até o questionamento e a crítica. E você, o que acha desse diálogo entre o sambódromo e a política? Quais temas você gostaria de ver nas avenidas nos próximos carnavais?
Fique à vontade para comentar e compartilhar suas opiniões sobre como a carnavalização da política pode influenciar nosso entendimento sobre os presidentes e suas histórias no Brasil. Vamos juntos olhar para o futuro e entender melhor isso tudo!




