
Luiz Franco, o diretor de Marketing e Inovação da MBRF, fez uma declaração empolgante: “Analisando a última Copa, estamos projetando até 50% a mais nas vendas!” Essa previsão é uma das razões pelas quais a empresa decidiu se juntar à Seleção Brasileira de Futebol como patrocinadora até 2030, através de uma de suas marcas mais icônicas.
A MBRF, que controla as marcas Sadia e Perdigão, está posicionando a Copa do Mundo de 2026 como um pilar central de suas estratégias comerciais. Em março, a Sadia voltou a ser um patrocinador oficial das Seleções Brasileiras de Futebol e agora também é fornecedora oficial de proteínas para os atletas.
Essa movimentação vem após um período de crescimento significativo para a companhia, que em 2025 registrou uma receita líquida recorde de R$ 163,96 bilhões, com um aumento de 11,9% em relação ao ano anterior. Além disso, a MBRF figurou na lista Forbes Agro100 de 2025, ocupando a 2ª e a 8ª posição com as marcas Marfrig Global Foods e BRF, respectivamente.
Com a criação da MBRF, os negócios da BRF e da Marfrig foram unificados sob uma estrutura corporativa única, gerando um volume impressionante de cerca de 8,2 milhões de toneladas de alimentos por ano, envolvendo operações de aves, suínos e bovinos.
Além das seleções principais, a MBRF apoia 20 equipes diversas, incluindo futsal e futebol de areia, como fornecedora oficial de proteínas. Mas, o que realmente significa ser uma fornecedora oficial? Para a MBRF, isso implica fornecer essas 20 seleções com alimentos durante todo o ano, incluindo desenvolvimento de receitas em colaboração com chefs e nutricionistas. A previsão é que, ao longo do ciclo de patrocínio, mais de 100 toneladas de produtos sejam entregues.
O impacto da Copa na demanda por alimentos
Para a MBRF, a Copa não é apenas uma oportunidade de visibilidade, mas uma plataforma que acende o consumo em categorias ligadas aos hábitos dos torcedores, como churrasco e snacks. O diretor Franco observa que “o carrinho do brasileiro cresce 8,3% durante a Copa”. Quando olhamos para categorias específicas, esse número é ainda mais expressivo.
Dados da Scanntech mostram que o fluxo de consumidores aumenta 8,3% na véspera das partidas, enquanto o ticket médio tem um salto de 69% nas horas que antecedem os jogos. Produtos típicos de churrasco, por exemplo, têm se mostrado altamente lucrativos durante esta época.
A experiência passada na Copa do Catar, em 2022, reforça essa percepção. Na véspera da partida entre Brasil e Camarões, as vendas de linguiça defumada dispararam 250% e o salame triplicou, enquanto as vendas de linguiça para churrasco dobraram. Agora, a expectativa é maximizar esse desempenho.
Franco explica que, ao contrário da última edição do torneio, a Copa de 2026 terá uma duração maior, o que junto com as melhorias operacionais da MBRF, abre muitas oportunidades. “Estamos falando de uma Copa que terá 10 dias a mais e uma MBRF que cresceu em termos de market share, eficiência e agilidade”, destaca.
De produtores ao campo de jogo
Associando a marca Sadia à Seleção Brasileira, a MBRF traz consigo uma rede produtiva robusta, composta por cerca de 9 mil produtores integrados de aves e suínos, além de uma equipe técnica dedicada ao acompanhamento das granjas e propriedades. Essa integração conecta produtores rurais e a indústria alimentícia.
A companhia oferece suporte em genética, nutrição e protocolos produtivos, enquanto os produtores realizam o manejo adequado dos animais. Essa sinergia garante uma distribuição eficiente de produtos em mais de 37 unidades industriais em todo país, um desafio logístico que deve ser planejado meses antes do torneio para atender à demanda esperada da Copa.
“A magnitude do nosso negócio implica que quase todas as nossas unidades estejam envolvidas. O planejamento para que o produto chegue a tempo para a Copa do Mundo começa muito antes”, afirmou Franco.
A Copa como nova sazonalidade
Um fator relevante para essa estratégia é o calendário do evento. Diferente da Copa do Catar, que ocorreu entre novembro e dezembro, o torneio de 2026 ocorrerá durante o inverno brasileiro, o que altera padrões de consumo e gera uma demanda adicional em categorias ligadas a refeições compartilhadas e churrascos.
“Trazer uma Copa do Mundo para o inverno no Brasil significa uma temporada de churrascos que não costuma ser tão forte em junho e julho. Isso é um grande benefício para nós, uma empresa de produtos multiproteínas”, ressalta Franco.
A estratégia da MBRF combina isso com ações comerciais direcionadas ao varejo. A Sadia lançou embalagens especiais em 21 produtos estratégicos, além de novos itens que atendam momentos de consumo associados ao futebol.
Vale notar que o retorno esperado pela empresa vai muito além do crescimento em vendas. A MBRF enxerga o futebol como uma plataforma que conecta consumidores em um período crítico, onde o consumo de alimentos compartilhados geralmente aumenta.
Franco afirma que para empresas como a MBRF, com um portfólio intimamente ligado ao evento, a Copa do Mundo é uma ocasião especial: “De quatro em quatro anos, o Brasil inteiro para para assistir aos jogos da seleção.”
Após a Copa de 2026, a empresa já se prepara para o próximo desafio: a Copa do Mundo Feminino de 2027, que acontecerá no Brasil de 24 de junho a 25 de julho. O interesse pela seleção feminina está crescendo, como demonstrado pelo público recorde em dois amistosos recentes em São Paulo e Fortaleza, onde a presença da Sadia foi marcante.