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João Barboza: O “Mago dos Gases” que Transforma o Agronegócio
João Américo Maccori Barboza, um engenheiro agrônomo de apenas 25 anos, está revolucionando a forma como percebemos a produtividade no campo. Reconhecido como o “mago dos gases”, Barboza utiliza misturas atmosféricas precisas para otimizar a fisiologia das plantas desde a germinação, antes mesmo que as sementes sejam colocadas no solo.
A DioxD: Inovação e Expansão no Agronegócio
À frente da DioxD, uma startup localizada em Londrina (PR), Barboza gerencia uma operação que já tratou 580 mil hectares na safra de 2025/26. Com tecnologias que atendem 160 produtores em dez estados brasileiros e um novo projeto de expansão para o Paraguai, a DioxD se destaca no desenvolvimento de um composto de seis gases capaz de maximizar o potencial genético de culturas como soja, milho, feijão e algodão.
Uma Tecnologia Sustentável
Em suas palavras, “nosso tratamento não é químico e não prejudica o meio ambiente ou a semente”, afirma Barboza. Esse tratamento vai além de uma proteção simples; ele atua como um complemento essencial para realçar o potencial fisiológico das sementes e, consequentemente, das plantas. A técnica é aplicada no momento exato em que a genética das plantas deve responder aos estímulos ambientais, garantindo o forte início das lavouras.
- No Brasil, o mercado de sementes movimenta cerca de R$ 70 bilhões por ano.
- A soja e o milho representam aproximadamente 70% desse valor.
Com o crescimento da área plantada, a demanda cresce, especialmente em nichos como forrageiras e tratamentos de sementes. O que Barboza propõe é uma inovação que leva essa prática a um novo nível.
Uma Trajetória Que Começa na Escola
A fascinação de Barboza pelos gases começou aos 12 anos, quando ele se aventurou nos laboratórios de um colégio em Londrina. O objetivo inicial era garantir boas notas, mas a experiência se transformou em uma verdadeira paixão pela ciência. As aulas de laboratório e as pesquisas o fizeram perceber que poderia transformar um projeto escolar em uma ideia mais ambiciosa.
Entre 2012 e 2018, Barboza participou de 17 feiras de ciências, tanto nacionais quanto internacionais. Durante esse período, ele teve a oportunidade de dialogar com pesquisadores da Escola Politécnica da USP e apresentou seu projeto na Regeneron ISEF, a mais prestigiada feira de ciências do mundo, realizada na Pensilvânia.
Após retornar dos EUA, com a validação de importantes cientistas, Barboza recebeu apoio da Sociedade Rural do Paraná para transformar sua ideia em um negócio. Assim nasceu a DioxD, com a missão de inovar no tratamento de sementes, sem a necessidade de movimentação mecânica ou umidade excessiva, preservando a integridade física dos materiais.
O Tratamento Revolucionário
A experiência de Barboza com gases é concentrada na aplicação de dióxido de carbono e outros cinco gases em recipientes de transporte de sementes. Este processo leva cerca de 40 minutos e permite um tratamento em larga escala. Barboza explica: “No início, tratávamos cerca de 800 quilos de sementes por hora. Hoje, ultrapassamos 300 toneladas por hora”.
Essa tecnologia não só otimiza o desenvolvimento radicular das plantas, mas também cria raízes mais fortes, capazes de lidar com estresses hídricos e absorver nutrientes de forma mais eficiente. “Em soja, por exemplo, conseguimos um aumento médio de quatro sacas por hectare. O custo para o produtor é de meia saca, e a colheita pode multiplicar esse investimento por quatro”, revela Barboza.
Conquistando o Mercado
A validação do trabalho de Barboza aconteceu no Matopiba, uma região agrícola importante. Ao se mudar para Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, ele começou a aplicar sua tecnologia em grandes propriedades, firmando parcerias com empresas agrícolas locais. Os produtores têm visto um retorno significativo sobre o investimento, que é estimado em até oito vezes o valor aplicado no tratamento.
Esse desempenho atraiu o interesse do mercado financeiro. Em 2021, a DioxD captou R$ 1,3 milhão em um investimento com os fundos Agroven e GR8 Ventures. Barboza compartilha um momento curioso: “Apresentamos uma tese sobre gases e produtividade biológica para investidores que a princípio estavam mais acostumados com tecnologia financeira e saúde. Fomos a primeira agtech que eles investiram”.
“Era gente de botina suja, trator e soja no nariz apresentando para fundos que só investiam em negócios de terno e gravata”, conta Barboza.
Esse apoio financeiro possibilitou a profissionalização da gestão, ao mesmo tempo em que manteve a essência familiar da DioxD. Os primeiros testes de campo foram realizados em terras do avô de João, um produtor rural que se estabeleceu no Paraná após migrar da Bahia. Atualmente, a estrutura da empresa é enxuta, contando com apenas seis funcionários diretos, mas abrange um amplo portfólio: soja, milho, feijão e, mais recentemente, algodão.
Um Futuro Promissor no Controle de Gases
O caminho à frente para a DioxD envolve simplificar a logística e facilitar o acesso à sua tecnologia. A empresa já deu um passo importante ao registrar uma patente nos Estados Unidos, visando expandir sua atuação no mercado norte-americano com parceiros relevantes. No Brasil, a inovação mais próxima é o lançamento de cápsulas de aplicação, desenvolvidas para serem do tamanho de uma bolinha de tênis. “Com isso, o produtor só precisa colocar o dispositivo dentro do bag e fechar, e os gases serão liberados na formulação correta”, explica Barboza.
- A estratégia para o próximo ciclo comercial foca no modelo B2B.
- A DioxD está buscando parcerias com sementeiras e grandes revendas.
Em um cenário desafiador para o agronegócio, Barboza afirma que a empresa possui uma saúde financeira robusta. Os indicadores mostram a menor taxa de inadimplência dos últimos três anos, permitindo que os agricultores paguem o tratamento somente após a colheita, encarando isso como um investimento.
A Visão para o Futuro
Com planos de diversificar ainda mais suas culturas, incluindo gergelim, trigo e mamona, o “mago dos gases” está determinado a fazer da DioxD uma referência em tecnologias de fisiologia vegetal aplicadas por meio de atmosferas controladas. Ele finaliza com uma mensagem otimista: “Acreditamos em um futuro grandioso para o agronegócio e suas tecnologias”.




