A Luta Contra a Extrema-Direita: Reflexões de Fernando Haddad
Durante o lançamento de seu mais recente livro, “Capitalismo Superindustrial – Caminhos Diversos, Destino Comum”, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, expressou sua crença de que a humanidade não ficará inerte frente à ascensão da extrema-direita. O evento, que teve lugar no Sesc 14 Bis, em São Paulo, atraiu uma plateia entusiasmada, que aplaudiu suas declarações com vigor.
Um Livro de Esperança
Haddad destacou que esse novo trabalho é mais otimista do que seu projeto anterior, escrito nos anos 1990. Naquela época, ele já previu a crise do neoliberalismo, bem como a resposta insuficiente da esquerda e o crescimento da extrema-direita. No entanto, agora, ele vê um cenário diferente:
“Por que esse livro é mais otimista? Porque a extrema-direita já ascendeu. E eu não acredito que a humanidade vai ficar parada. Então, é um otimismo mitigado por uma esperança de que a gente se mobilize contra a extrema-direita e faça algo útil de nossas vidas.”
Essa afirmação revela não apenas uma esperança renovada, mas também um chamado à ação. Haddad acredita que o movimento social e a mobilização popular são essenciais para combater ideologias prejudiciais.
A Motivação Política de Haddad
O ministro também revelou uma perspectiva pessoal sobre sua entrada na política. Para ele, o objetivo não é simplesmente agradar a todos, mas sim buscar “caminhos” para uma sociedade mais justa e igualitária. Ele ressaltou que a política deve ser uma ferramenta para a transformação e não uma mera via de autopromoção.
Haddad usou uma metáfora para ilustrar sua defesa da importância de se analisar o capitalismo de uma forma mais crítica:
“Quanto mais poder se acumula, mais distante você fica desse tipo de assunto. Você pode notar, é natural que você busque proteção. É tanta porrada: da esquerda, direita, de cima, debaixo e de dentro.”
Essa citação evidencia um aspecto interessante da política: a tensão constante entre o poder e a responsabilidade. Enquanto alguns buscam se proteger, outros, como Haddad, preferem enfrentar os desafios de frente, mesmo que isso implique em descontentamento.
O Que Esperar do Livro?
O novo livro de Haddad aborda desdobramentos teóricos que se entrelaçam com sua pesquisa de mestrado e doutorado, realizados nas décadas de 1980 e 1990. Publicado pela editora Zahar, o texto revisita a passagem para o capitalismo moderno e considera os desafios que países em desenvolvimento enfrentam, especialmente em um mundo em que a China se destaca como uma potência global.
Temas Principais do Livro
- Acumulação Primitiva de Capital: Haddad explora como essa acumulação se desenrola na periferia do capitalismo, analisando suas implicações sociais e econômicas.
- Conhecimento como Fator de Produção: O autor discute a incorporação do conhecimento nas práticas produtivas, destacando sua relevância na atualidade.
- Classes Sociais Contemporâneas: A obra também aborda as novas configurações de classe, especialmente em contextos de desigualdade crescente.
Esses tópicos refletem não apenas a experiência de Haddad como economista, mas também sua profunda reflexão sobre os desafios sociais que o Brasil enfrenta atualmente.
O Diálogo com a Sociedade
O lançamento do livro contou com uma conversa entre Haddad e o cientista político Celso Rocha de Barros, mediada pela historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz. Esse bate-papo trouxe à tona questões pertinentes sobre a atualidade política brasileira e o papel da academia na busca por soluções para problemas complexos.
No contexto atual, marcado por polarizações extremas, a visão de Haddad ressoa como um lembrete de que o diálogo construtivo é fundamental. Ele ofereceu aos participantes um convite à reflexão:
“A razão pela qual entrei na política é tentar encontrar caminhos. Não é sair bem com todo mundo. Não dá. Ainda mais em um país como o Brasil.”
Reflexão Final
A obra de Fernando Haddad e suas declarações no lançamento revelam uma preocupação genuína com o futuro político e social do Brasil. O otimismo que ele propõe pode parecer contraditório à primeira vista, dada a atual ascensão da extrema-direita, mas é essencial que cada um de nós tome parte nesse movimento de mobilização.
Portanto, ao considerar as palavras de Haddad, somos desafiados a refletir: O que podemos fazer para contribuir com uma mudança significativa? Como podemos nos posicionar frente ao que não concordamos, sem perder a capacidade de diálogo?
Ao final das contas, a luta contra a desigualdade e a injustiça, tanto no Brasil quanto no mundo, é um compromisso de todos. E, com essa perspectiva, podemos enxergar que ainda há esperança e caminhos a seguir.
O convite está feito. Compartilhe suas opiniões, questione, e, principalmente, participe do debate. Afinal, transformações significativas começam com diálogos sinceros e ações conscientes.




