Revolta e Incerteza na Alerj: A Liberação de Rodrigo Bacellar
Na manhã desta segunda-feira, 8 de maio, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) foi palco de uma votação que gerou intensos debates entre os parlamentares. Com 42 votos a favor e 21 contra, além de duas abstenções, os deputados aprovaram o Projeto de Resolução 2.116/2025, que propõe a revogação da prisão do presidente da Casa, Rodrigo Bacellar, do partido União. A relatoria da proposta ficou a cargo do deputado Rodrigo Amorim, também da União.
O Contexto da Prisão
Rodrigo Bacellar foi detido na quarta-feira, 3 de maio, sob a acusação de vazamento de informações relacionadas à Operação Zargun. Essa operação culminou na prisão do ex-deputado estadual TH Joias, que está sendo investigado por supostas conexões com o Comando Vermelho, uma das facções criminosas mais conhecidas do Brasil. A ordem de prisão foi emitida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumprida pela Polícia Federal como parte da ampla investigação chamada Operação Unha e Carne.
O relatório do deputado Rodrigo Amorim não analisou o mérito da prisão, limitando-se a discutir a revogação da detenção de Bacellar. Esse detalhe é crucial, uma vez que o foco da votação gira em torno da situação do presidente da Alerj, e não necessariamente sobre as implicações legais que levaram à sua prisão.
Divisão entre os Deputados
A votação gerou uma clara divisão entre os parlamentares. Muitos se posicionaram a favor de Bacellar e do governador Cláudio Castro, como o deputado Alexandre Knoploch, do PL. Em suas palavras, ele criticou a decisão de Moraes, alegando que ela “não se sustenta” e que não existem evidências concretas que liguem Bacellar e Cláudio Castro às atividades ilícitas de TH Joias e do Comando Vermelho.
As Palavras de Knoploch
Knoploch apresentou argumentos intrigantes durante a sessão:
“O que temos aqui é uma documentação do ministro Alexandre Moraes, que contém três prints. Um deles é do deputado TH Joias dizendo ‘Mudei o telefone’, ao que o presidente Rodrigo Bacellar responde com um meme. Um único meme!”
Essas afirmações visavam deslegitimar as acusações e provocar reflexão sobre a gravidade das evidências apresentadas.
O Lado Oposto: A Visão da Oposição
Por outro lado, a oposição, representada por deputados como Flávio Serafini, do PSOL, defendeu veementemente a manutenção da prisão de Bacellar. Para Serafini, as provas que levaram à detenção são “gravíssimas” e não podem ser ignoradas. Ele lembrou que até o dia 3 de setembro, a Alerj contava com um parlamentar (TH Joias) que tinha sérias acusações, como lavagem de dinheiro e envolvimento com o tráfico de drogas.
Contexto mais Amplo
Serafini argumentou que a gravidade das acusações contra TH Joias não pode ser desconsiderada, especialmente em um estado onde o crime organizado tem um impacto significativo na segurança pública. Para a oposição, a revogação da prisão de Bacellar representaria um sinal preocupante sobre a impunidade em casos de corrupção e crime organizado.
As Abstenções e o Papel de Rafael Picciani
Entre os parlamentares, houve vozes que preferiram não se posicionar claramente. O deputado Rafael Picciani, do MDB, que havia ocupado uma secretaria no governo de Castro, optou por se abster na votação. Ele justificou sua decisão afirmando que estava envolvido no processo e havia deposto à Polícia Federal sobre manobras regimentais que cercaram a votação. Sua abstenção revela o cuidado que alguns parlamentares têm com suas associações e a repercussão política que uma decisão pode acarretar.
O Resultado da Votação
A votação, que culminou na aprovação da revogação da prisão de Bacellar, deixou um rastro de discussões e tensões no ar. Muitos deputados estavam claramente alinhados em suas opiniões:
A Favor da Liberação de Bacellar
Os deputados que votaram a favor da liberação incluem:
- Alan Lopes (PL)
- Alexandre Knoploch (PL)
- Andre Correa (PP)
- Arthur Monteiro (União)
- E vários outros que compõem a lista de apoiadores.
Contra a Revogação da Prisão
Do outro lado, os que se opuseram à revogação da prisão, como:
- Atila Nunes (PSD)
- Carlos Minc (PSB)
- Flavio Serafini (PSOL)
- E outros muitos que expressaram suas preocupações com as implicações da liberação.
Abstenções
Na seção das abstenções, participaram:
- Rafael Picciani (MDB)
- Delegado Carlos Augusto (PL)
Reflexões Finais
A aprovação do Projeto de Resolução 2.116/2025 na Alerj reflete um momento decisivo e controverso na política fluminense. A divisão entre os parlamentares não é apenas uma questão de votos, mas revela profundas divergências sobre a corrupção, a forma de governança e a responsabilidade dos representantes em um cenário de crise e desconfiança popular.
Esse episódio não apenas destaca a complexidade da política no Brasil, mas também convida os cidadãos a refletirem sobre as implicações de tais decisões. É fundamental que a sociedade esteja atenta e envolvida nos debates que moldam o futuro político do estado.
Agora, mais do que nunca, é vital discutir e compreender como esses eventos impactam a vida diária e a segurança da população. O que você pensa sobre a revogação da prisão de Rodrigo Bacellar? Deixe sua opinião e vamos continuar essa conversa!




