Embrapa Sob Nova Gestão: Como o Presidente Está Transformando as Finanças para Garantir a Soberania do Agro


A Embrapa em 2025: Reencontrando o Caminho da Inovação e Sustentabilidade

Após quase dez anos de cortes orçamentários, a Embrapa se apresenta em 2025 com um desafio crucial: manter o financiamento de pesquisa agropecuária em um cenário fiscal apertado, garantindo que a vitalidade científica que sustenta a competitividade do agronegócio brasileiro permaneça intacta.

Para enfrentar essa situação, a estratégia inclui reestruturar seu modelo financeiro, revitalizar o capital humano e desenvolver uma abordagem mais efetiva para inserção no mercado internacional. À frente dessa missão está Silvia Massruhá, doutora em computação aplicada e a primeira mulher a liderar a instituição.

“A ciência não opera em ciclos curtos de financiamento; é necessário ter previsibilidade e continuidade”, destaca.

Uma Nova Era de Liderança

Com 37 anos de dedicação à Embrapa, Silvia, aos 58 anos, assume a presidência em um momento delicado, lidando com uma estrutura sobrecarregada financeiramente e um quadro técnico envelhecido devido às restrições em novos concursos públicos.

Desde 2014, os recursos direcionados à pesquisa despencaram de aproximadamente R$ 800 milhões para um alarmante R$ 160 milhões em 2022. No entanto, com uma leve recuperação em 2023, o orçamento chegou a R$ 335 milhões em 2025 e está previsto para alcançar cerca de R$ 410 milhões em 2026, dentro de um total de R$ 4,84 bilhões.

Ainda assim, esse valor está muito aquém do que é necessário para uma instituição que conta com 43 centros de pesquisa e 7,5 mil profissionais, dos quais 2,1 mil são pesquisadores altamente qualificados, comprometidos em desenvolver soluções para os seis biomas brasileiros, e que representam uma parte significativa da produtividade agrícola nacional.

Reconstruindo a Capacidade de Investimento

A gestão de Silvia busca restaurar a capacidade de investimento da Embrapa, modernizar a governança e criar formas estáveis de financiar a ciência agrícola brasileira. “Quando o orçamento diminui, os riscos não se limitam à perda de projetos; afetarão capacidades científicas que levaram décadas para serem construídas”, alerta.

O Produto Interno Bruto do Agronegócio

Graças à pesquisa da Embrapa, o agronegócio brasileiro hoje representa cerca de 25% da economia nacional. Com um crescimento de 140% na área plantada na última década, a produtividade em grãos disparou 580%, gerando cinco vezes mais na mesma área.

Novas Abordagens Financeiras e Parcerias Estratégicas

Embrapa Laboratório
Pesquisador da Embrapa em laboratório. (Divulgação/Embrapa)

O foco central da nova estratégia está na criação de modelos híbridos de financiamento, movendo-se em direção a parcerias público-privadas. A Embrapa tem avançado com colaborações com o BNDES, em um esforço de reestruturação e maior eficiência na gestão pública.

O objetivo é bastante claro: conservar o financiamento público, fundamental para a soberania científica, enquanto se amplia a participação privada para atender a demandas em curto e médio prazos, minimizando a pressão sobre os recursos disponíveis.

“O financiamento público é crucial para garantir pesquisa imparcial e inovadora, mas não é suficiente. Precisamos dividir responsabilidades e adotar modelos financeiros mais modernos, enquanto mantemos o controle do Estado sobre ativos essenciais”, explica Silvia.

Atualmente, a Embrapa mantém cerca de 1.170 acordos de inovação aberta com entidades privadas, resultando em um aporte adicional de, em média, R$ 100 milhões por ano. Esse modelo possibilita a expansão de projetos de desenvolvimento tecnológico e serviços científicos, especialmente nas áreas mais desenvolvidas e com maior interesse do setor produtivo.

Transformando Desafios em Oportunidades

Laboratórios da Embrapa
Cultivos em laboratórios na Embrapa. (Divulgação/Embrapa)

Uma das iniciativas mais marcantes foi a criação, em 2024, do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), solucionando um impasse que dificultava a reinvestimento de royalties gerados por inovações, que até então eram absorvidos pelo orçamento geral.

“O novo modelo permite que esses recursos sejam utilizados diretamente em pesquisa, criando um ciclo financeiro mais estável e eficiente”, afirma Silvia.

A Função do Capital Humano na Nova Embrapa

Além da reformulação financeira, a Embrapa começou em 2025 um processo de contratação de cerca de mil novos profissionais, aumentando o quadro para 8,5 mil. Essa ampliação permitirá a inclusão de jovens pesquisadores em campos inovadores, como agricultura digital, biotecnologia, ciência de dados, inteligência artificial e sustentabilidade.

Essa escolha é estratégica, buscando acelerar a renovação científica necessária e alinhar as habilidades dos profissionais com as transformações do agro moderno. Espera-se que grande parte dessa nova equipe esteja integrada até o início de 2026.

Ciência e Sustentabilidade: Um Compromisso Inabalável

Pesquisa de Café
Pesquisa experimental de café robusta. (Ronaldo Rosa/Embrapa)

Paralelamente ao redesenho financeiro, a Embrapa está redefinindo suas prioridades de pesquisa, concentrando-se em bioeconomia, descarbonização e rastreabilidade. Essas áreas não apenas respondem à demanda global, mas também têm um grande potencial para gerar valor econômico.

Por exemplo, as tecnologias de Fixação Biológica de Nitrogênio, adotadas em milhões de hectares, reduziram significativamente a dependência do Brasil em fertilizantes importados. Essa pesquisa foi reconhecida quando Mariângela Hungria recebeu o Prêmio Mundial da Alimentação de 2025, amplamente considerado o “Nobel da Agricultura”.

A Embrapa também desempenha um papel crucial nas políticas públicas e em instrumentos financeiros, como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático, que agora é indispensável para acesso a crédito rural.

“Quando a ciência se torna uma métrica confiável, o risco diminui – e com isso, o crédito flui”, conclui Massruhá.

Reforçando a Presença Internacional da Embrapa

Um aspecto fundamental da nova abordagem envolve a ampliação da atuação internacional da Embrapa. Com unidades nos Estados Unidos e na França, além de acordos com organismos internacionais, a instituição está fortalecendo sua presença global.

Nos últimos anos, a Embrapa também abriu um escritório em Adis Abeba, na Etiópia, para atender demandas específicas da União Africana. Além disso, estão em andamento negociações de novas parcerias na Ásia, América Central e Oriente Médio, regiões estratégicas para a ciência em clima, segurança alimentar e bioeconomia.

Para Silvia, “a agricultura tropical é um ativo estratégico do Brasil. Participar de fóruns e projetos globais é uma parte crucial da nossa responsabilidade científica e geopolítica”.

Com novas abordagens financeiras, renovação do capital humano e uma inserção internacional mais assertiva, a Embrapa almeja consolidar a ciência como um dos pilares fundamentais da competitividade do agronegócio brasileiro para as próximas décadas.

Agora que você conheceu as iniciativas da Embrapa, como você vê o futuro do agronegócio no Brasil? O que pensa sobre o impacto da ciência e tecnologia nesse setor? Compartilhe suas opiniões abaixo!


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