Investidores estrangeiros retiraram cerca de R$ 2,85 bilhões da B3 na segunda-feira (26), após o resultado das eleições presidenciais que reelegeram Luiz Inácio Lula da Silva. Com a saída, o saldo mensal de outubro caiu para R$ 13,3 bilhões até aquela data, segundo dados divulgados pela bolsa nesta quarta-feira (28). A redução ocorreu depois de semanas de entradas expressivas, mas o recuo não se concentrou em um único pregão.
Saldo recuou ao longo dos pregões
Na sexta-feira anterior à divulgação, o fluxo estrangeiro acumulado em outubro ainda estava positivo em R$ 16,2 bilhões. Na quarta-feira, dia 21, havia chegado a R$ 20,2 bilhões. A diferença entre esse valor e o saldo de R$ 13,3 bilhões registrado no dia 26 indica uma diminuição de aproximadamente R$ 6,9 bilhões no período.
Em dois pregões da semana passada, os investidores estrangeiros retiraram cerca de R$ 4 bilhões da Bolsa, conforme os dados da B3. O movimento, portanto, já estava em curso nos dias que antecederam a eleição. A sequência dos saldos sugere que a redução de posições atribuída por analistas ao pregão de segunda-feira vinha ocorrendo gradualmente, em vez de representar uma reversão concentrada naquele dia.
O valor apurado em 26 de outubro voltou a um patamar próximo ao observado no dia 6, quando o saldo positivo era de R$ 13,7 bilhões. A comparação mostra que parte da entrada de recursos registrada durante o mês foi devolvida nas sessões seguintes. Ainda assim, o saldo de outubro permanecia positivo, ou seja, as entradas acumuladas continuavam superiores às retiradas até a data considerada.
Queda da Bolsa não foi explicada só pelo exterior
A retirada de recursos estrangeiros ocorreu em meio à queda de 13,3% da Bolsa na segunda-feira. Os números, porém, indicam que o movimento dos investidores de fora não se limitou àquela sessão. A redução do saldo mensal se distribuiu por vários pregões, e a queda do índice não foi atribuída exclusivamente à atuação desse grupo.
O fluxo também não repetiu, em sentido contrário, o avanço observado depois do primeiro turno. Em 5 de outubro, o saldo de recursos estrangeiros ficou positivo em R$ 10 bilhões em um único pregão, montante superior ao total registrado em todo o mês de setembro. Até 2 de outubro, outubro acumulava entrada de R$ 2,5 bilhões. Depois da sessão posterior ao primeiro turno, o saldo chegou a R$ 12,6 bilhões.
Essa evolução ajuda a dimensionar a diferença entre os movimentos dos dois períodos: a entrada expressiva de recursos ocorreu em uma sessão, enquanto a saída posterior se acumulou gradualmente. Os dados disponíveis não indicam que os cerca de R$ 2,85 bilhões retirados na segunda-feira tenham sido suficientes, por si só, para explicar a queda do índice naquele dia. O saldo mensal, apesar da redução, continuava no campo positivo.
Outubro ainda tinha uma das maiores entradas
Mesmo após o recuo, outubro figurava entre os meses com maior entrada de capital estrangeiro, de acordo com os números apresentados. O saldo de R$ 13,3 bilhões até 26 de outubro ficava abaixo apenas dos registrados em janeiro, com R$ 26,4 bilhões, e em fevereiro, com R$ 15,3 bilhões.
O resultado também superava os saldos positivos de outros meses citados no levantamento: julho, com entrada de R$ 4,3 bilhões, e abril, com R$ 3,2 bilhões. Assim, a retirada observada na reta final do mês reduziu uma entrada que havia crescido rapidamente após o primeiro turno, mas não apagou o saldo acumulado até o dia 26.