A Ascensão dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) em 2023
Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) estão se destacando no mercado financeiro brasileiro, encerrando o ano como uma das categorias com maior captação líquida, alcançando quase R$ 60 bilhões. Esses números ficam atrás apenas dos fundos de renda fixa, que acumulam mais de R$ 180 bilhões.
O Cenário Atual dos FIDCs
Conforme dados recentes da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o patrimônio líquido dos FIDCs ultrapassou os R$ 734 bilhões. Esse crescimento é resultado de novas regulamentações, a entrada de novos investidores e um aumento na busca por crédito estruturado, criando um ciclo positivo que promete continuar, segundo especialistas consultados pelo Broadcast, um serviço de notícias em tempo real.
Um Olhar Especializado em Crescimento
Roberto Cortese, diretor regional da Apex Group para a América Latina, comenta que a expansão dos FIDCs surpreendeu até os observadores mais atentos. Nos últimos meses, houve um aumento significativo na diversidade de players no setor, incluindo empresas médias e pequenas que buscam nos FIDCs uma nova forma de financiamento.
Esse crescimento inclui uma ampla gama de setores, desde varejo até serviços, resultando na necessidade de um controle rigoroso em processos de due diligence e nas provisões para devedores duvidosos (PDD).
Tecnologias e Inovações no Mercado
Cortese destaca que a Apex estava investindo em ferramentas automatizadas para gerenciar fundos antes dessa onda de crescimento. A adoção de estruturas multissedentes e altamente diversificadas exigiu mudanças nas metodologias de verificação de contrapartidas e monitoramento de riscos, com a tecnologia desempenhando um papel crucial nesse processo.
Mudanças no Perfil dos Investidores
Cristiano Greve, da Integral Investimentos, observa que a demanda por FIDCs tem evoluído, com investidores institucionais aumentando suas alocações de R$ 207 bilhões para R$ 271 bilhões em apenas um ano. Além disso, o varejo de alta renda triplicou sua participação, alcançando R$ 32,6 bilhões.
“Os investidores buscam ativos que protejam seu patrimônio e ofereçam rentabilidade atrativa, e é aí que os FIDCs se encaixam perfeitamente”, comenta Greve. Ele destaca também que esses produtos carregam garantias e critérios de elegibilidade mais claros, especialmente quando são geridos por instituições reconhecidas.
O Papel dos Grandes Bancos
A entrada de grandes bancos como compradores de cotas sêniores tem sido outro fator chave para o crescimento dos FIDCs. Daniel Pegorini, CEO da Valora Investimentos, explica que a participação desses bancos ajuda a reduzir o custo de capital das operações. Isso permite que produtos financeiros antes considerados inviáveis ganhem espaço e atrai mais empresas para o mercado, fortalecendo o ciclo de crescimento.
Marcos Regulatórios que Fazem a Diferença
Pegorini também menciona eventos significativos na indústria, como o evento Silverado em 2015, que reorganizou as responsabilidades dos gestores, e a Resolução 175 da CVM, que expandiu o escopo e melhorou a governança do setor. A Valora adotou uma estratégia de transformar certos fundos em FIDCs, aproveitando benefícios tributários, resultado dessa reorganização regulatória.
Perspectivas Futuras para os FIDCs
Olhar para o futuro dos FIDCs revela um potencial considerável de crescimento em áreas ainda pouco exploradas, como como ações legais, precatórios e créditos inadimplentes (NPLs). Apesar de R$ 700 bilhões em consignados privados, apenas uma fração desse montante está securitizada via FIDCs.
Embora existam riscos regulatórios e tributários, particularmente em relação ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), esses desafios são vistos como parte natural do mercado. A verdadeira questão é como os FIDCs conseguirão se adaptar e prosperar nesse cenário em evolução.
O Novo Estágio de Maturidade do Mercado
Os especialistas concordam que o mercado de FIDCs alcançou um nível inédito de maturidade. Essa evolução é marcada por sua resiliência em meio a diversos desafios, o que a torna uma opção cada vez mais atraente para diferentes perfis de investidores.
Reflexão Final
Os FIDCs estão se consolidando como uma alternativa robusta no mercado financeiro brasileiro, oferecendo oportunidades diversas para investidores e contribuindo para a captação de recursos de empresas. Para os interessados nesse setor, o momento é de acompanhar as tendências e as mudanças regulatórias, uma vez que o futuro promete ainda mais evolução nessa área.
Encerramos este artigo com a pergunta: como você enxerga o futuro dos FIDCs e suas potenciais oportunidades? Deixe seus comentários e vamos discutir!




