Fitch mantém rating BB da Petrobras e perspectiva estável


A Fitch reafirmou as notas de crédito de longo prazo da Petrobras em moeda estrangeira e local em BB, ambas com perspectiva estável, e manteve a classificação nacional da companhia em AAA(bra), também estável. A agência elevou, porém, o perfil de crédito autônomo da estatal de bbb para bbb+, citando avanços na governança, na gestão e na geração de caixa, além da baixa alavancagem.

Rating segue limitado pelo Brasil

Apesar da melhora na avaliação autônoma, as notas da Petrobras continuam vinculadas à classificação soberana do Brasil, que está em BB, com perspectiva estável. A Fitch afirma que a relação com o governo brasileiro limita as notas da empresa, pois o Estado detém 50,3% dos direitos de voto e pode influenciar de forma significativa a estratégia e as decisões de investimento da companhia.

A agência aplicou critérios para empresas relacionadas ao governo, conhecidas pela sigla GRE, em inglês. Nesse enquadramento, considera que não há mecanismos legais capazes de proteger os fluxos de caixa da Petrobras de interferências governamentais. Por esse motivo, mesmo com a elevação do perfil autônomo, as classificações da empresa não se afastam do rating soberano brasileiro.

O perfil de crédito autônomo, ou SCP, é a avaliação da capacidade de crédito da companhia considerada separadamente do apoio ou das limitações associados ao governo. A alta de bbb para bbb+ indica uma percepção mais favorável da Fitch sobre as condições próprias da Petrobras, mas não altera o vínculo entre as notas finais da empresa e a classificação do país.

Governança e geração de caixa

Na justificativa para a elevação do SCP, a Fitch apontou a eficácia da governança da Petrobras e a transparência da empresa. A avaliação considera que a companhia demonstrou capacidade de supervisão mesmo com a concentração da propriedade e com a maioria dos integrantes do conselho indicada pelo acionista controlador.

Segundo a agência, essa estrutura tem conseguido mitigar riscos relacionados à racionalidade econômica e ao contágio. A análise também destaca a geração sólida de fluxo de caixa e a baixa alavancagem. A dívida da empresa, medida em relação à sua capacidade financeira, permanece abaixo de 1,0 vez, fator que sustenta o perfil autônomo mais alto.

A Fitch também ressaltou a escala operacional da Petrobras e o volume de suas reservas, comparáveis aos de grandes empresas internacionais de petróleo. A projeção da agência é que a produção da estatal ultrapasse 3,2 milhões de barris de óleo equivalente por dia até 2029. Esse indicador reúne petróleo e gás convertidos em uma unidade comum de volume.

Limitações financeiras e operacionais

Embora a geração de caixa e a alavancagem apoiem a avaliação, a Fitch vê restrições à flexibilidade financeira da Petrobras. A estatal tem acesso a mercados internacionais e a fontes de financiamento domésticas, mas a agência considera que essa flexibilidade limita, em alguma medida, o SCP.

O ambiente operacional brasileiro também pesa na avaliação. A Fitch atribui nota BB+ a esse ambiente e afirma que ele reduz a previsibilidade das condições em que a Petrobras atua quando comparado a jurisdições com classificações mais fortes. Essa avaliação, somada à influência potencial do governo e à ausência de proteção legal dos fluxos de caixa, ajuda a explicar por que a melhora do perfil autônomo não levou a uma elevação das notas de crédito de longo prazo.

Assim, a decisão combina duas leituras: a Fitch reconhece avanços na gestão, na governança e na condição financeira própria da Petrobras, mas mantém as classificações finais atreladas ao risco soberano do Brasil. As perspectivas estáveis foram preservadas tanto nas notas em moeda estrangeira e local quanto na classificação nacional da companhia.

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