Flávio Bolsonaro diz que Trump não vê democracia plena no Brasil


O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado no segundo turno da eleição presidencial, afirmou que Donald Trump está convencido de que o Brasil “não é mais uma democracia plena”. Em entrevista ao jornal americano The Washington Post, concedida na quinta-feira (5) em Aventura, na Flórida, e publicada neste sábado (7), Flávio também disse que não vê lógica em voltar ao Brasil neste momento.

Durante a conversa, o senador criticou o funcionamento das instituições brasileiras e comparou a situação do país à dos Estados Unidos. “As instituições americanas ainda funcionam. Enquanto no Brasil, elas não funcionam mais”, declarou. Em um vídeo divulgado pelo jornal, Flávio afirma que “a democracia no Brasil não existe mais”.

Flávio está nos Estados Unidos com a mulher e as duas filhas, de 12 e 14 anos. Segundo o Post, a família foi recebida pelo governo americano por razões “humanitárias”. Trump disse que o senador pode permanecer no país “pelo tempo que quiser”. Questionado sobre o que pretende fazer, Flávio afirmou que ainda não tomou uma decisão definitiva e que precisa regularizar sua situação migratória.

Saída do Brasil e situação migratória

De acordo com o relato de Flávio ao jornal, ele decidiu deixar o Brasil depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que entregasse os passaportes em 24 horas. A ordem foi dada no âmbito de uma investigação sobre suposta lavagem de dinheiro, segundo a entrevista, e chegou pouco depois de Flávio visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília.

Flávio contou que o pai estava emocionado quando conversaram. “Meu pai me olhou, com lágrimas nos olhos, e disse: ‘Você já sabe aonde isso vai dar’. Eu disse que sabia, e que sabia o que tinha que fazer”, relatou ao Post. Após a conversa, o senador ficou cerca de 36 horas sem aparecer publicamente e foi visto novamente em um aeroporto de Miami.

O senador não explicou como fez a viagem nem se recebeu ajuda de autoridades americanas. “Nunca vou falar sobre o caminho que eu fiz”, afirmou. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse que o governo americano “não esteve envolvido diretamente” na saída de Flávio do Brasil.

Sobre os próximos passos, Flávio afirmou que precisa primeiro regularizar sua situação migratória e avaliar o que fará. “Ainda é muito cedo para tomar qualquer decisão definitiva”, disse. Ele acrescentou que não vê “lógica” em retornar ao Brasil neste momento.

Questionamentos sobre a eleição

Na entrevista, Flávio voltou a questionar o resultado da eleição presidencial, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por cerca de 4,4 milhões de votos. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a votação foi limpa. A Justiça Eleitoral não identificou irregularidades no resultado, segundo o texto.

Ao comentar a declaração de Nunes Marques, Flávio contestou a possibilidade de afirmar com certeza que não houve fraude. “Garanto que ele não sabe do que está falando. Nem eu, nem você, nem ninguém que esteja assistindo, nem o presidente do Tribunal Superior Eleitoral pode dizer com 100% de certeza que não houve fraude”, disse. Nunes Marques foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro.

Segundo o Post, Flávio afirmou que um dos motivos para viajar aos Estados Unidos foi poder falar sobre o assunto sem medo de ser preso. Na noite da entrevista, ele discursou na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), realizada em Mar-a-Lago, clube de Trump em Palm Beach.

Críticas às instituições brasileiras

As declarações do senador combinaram críticas ao sistema institucional brasileiro com a contestação do resultado eleitoral. Flávio atribuiu a Trump a avaliação de que o Brasil deixou de ser uma democracia plena, mas não apresentou, na entrevista descrita pelo jornal, detalhes sobre conversas com o presidente americano que sustentassem essa afirmação.

O relato também reúne a versão de Flávio sobre a ordem de entrega dos passaportes e a decisão de deixar o país, além da declaração de Rubio de que o governo dos Estados Unidos não participou diretamente da saída. Flávio não revelou o trajeto da viagem e disse que ainda não decidiu como seguirá sua vida nos Estados Unidos.

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